<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189</id><updated>2012-01-31T01:35:32.477-08:00</updated><title type='text'>Prosa e versos de Guilherme de Faria</title><subtitle type='html'>Este espaço é destinado aos meus contos, ensaios e poemas. O quadro que ilustra este cabeçalho é uma pintura minha entitulada Apocalipse, de 1964, de 170x250cm(paradeiro desconhecido)</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>73</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-2812131940864559759</id><published>2012-01-28T05:31:00.003-08:00</published><updated>2012-01-28T05:31:57.105-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Quando eu era criança, e somos quatro irmãos (e não "em" quatro, hem! rrrss), de noite, à mesa de jantar, minha mãe, que conhecia a minha verve, incentivava que eu contasse as experiências do meu dia na escola, e mesmo no trajeto de ida e volta. Eu adorava isso, e acreditem, improvisava pequenas crônicas humorísticas, que faziam enorme sucesso, principalmente com ela mesma, minha mãe, cuja gargalhada me recompensava. Agora vejo que perdi muito tempo sem escrever, pela necessidade de ganhar a vida com as artes plásticas. Mas, para não perder o foco, devo ressaltar que o mérito estava todo nela, na atitude avançada de nossa mãe. Imaginem, uma mãe que se divertia e incentivava à mesa as narrativas reais de uma criança de oito, nove anos, com o risco do ciúmes que produzia nas outras!... (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-2812131940864559759?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/2812131940864559759/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=2812131940864559759&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/2812131940864559759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/2812131940864559759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2012/01/quando-eu-era-crianca-e-somos-quatro.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-7185637096370231772</id><published>2012-01-28T05:31:00.001-08:00</published><updated>2012-01-28T05:31:20.465-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Uma das melhores iniciativas que tive na vida, a meu ver, foi começar a escrever para valer em 2001, quando já estava com 59 anos. Não foi tarde demais. Há dez anos escrevendo todos os dias, pude passar a limpo a minha vida inteira. E melhor: entrei na terceira idade sem veleidades de juventude e sem outras vaidades senão a da própria literatura. Acreditem: há dez anos, pelo menos, não posso ser seduzido nem tentado pelas mulheres, mas confesso que ainda me impressiono com os louvores às minha artes, que me enchem de satisfação. Quero dizer com isso que me restou somente a vaidade artística, nenhuma outra... Graças a Deus! (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-7185637096370231772?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/7185637096370231772/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=7185637096370231772&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/7185637096370231772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/7185637096370231772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2012/01/uma-das-melhores-iniciativas-que-tive.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-3866017708378623833</id><published>2012-01-28T05:30:00.001-08:00</published><updated>2012-01-28T05:30:49.815-08:00</updated><title type='text'>Sobre a apreciação da pintura figurativa</title><content type='html'>No que se refere ao expectador, há três níveis distintos na apreciação de uma pintura figurativa, que são três níveis de aproximação. 1°: Há os que gostam do quadro pelo simples reconhecimento da figura ali representada. Este é o nível mais primário. 2° Há os que gostam do quadro por identificação com a figura ali representada. Trata-se da aproximação sentimental, ainda nada tem a haver com arte. E 3° : Aqueles que apreciam um quadro pelo seu nivel técnico, isto, é, pela destreza de suas pinceladas, visíveis ou não, pelas sua combinação de cores, suas texturas, equilíbrio e originalidade de sua composição; pela harmonia do conjunto, pelo seu mistério e sensibilidade gráfica e plástica. Emfim: por sua "plasticidade". Este e o verdadeiro nível de apreciação da Arte: a dos valores abstratos no figurativo. Quanto à temática... bem, é a sobremesa ou o licor de arremate...(Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-3866017708378623833?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/3866017708378623833/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=3866017708378623833&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/3866017708378623833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/3866017708378623833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2012/01/sobre-apreciacao-da-pintura-figurativa.html' title='Sobre a apreciação da pintura figurativa'/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-5930428121916398609</id><published>2012-01-28T05:27:00.000-08:00</published><updated>2012-01-28T05:27:29.257-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>"Você sabe, Beth, os críticos de arte, se ainda existissem, diriam que o tema ou o lado "anedótico" da pintura não interessa, queo o que interessa é a qualidade da pintura em si. Mas nunca vi uma pessoa comum que não se interessasse pelo que está representado na pintura figurativa." (Guilherme de Faria em comentário no facebook, sobre uma pintura do século XIX postada por ele)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-5930428121916398609?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/5930428121916398609/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=5930428121916398609&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/5930428121916398609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/5930428121916398609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2012/01/voce-sabe-beth-os-criticos-de-arte-se.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-1079250514424983023</id><published>2012-01-28T05:24:00.001-08:00</published><updated>2012-01-28T05:24:57.968-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Sempre pensei desde o seu aparecimento em mim a partir de Julho de 2001, que a Alma Welt, fosse a minha "anima" (no sentido junguiano) que se apresentou como escritora (poetisa e prosadora) depois de ter me ofertado a sua bela imagem de mulher em desenhos, gravuras e pinturas desde 1963. Mas já há algum tempo passei a suspeitar seriamente de que ela existiu ou existe mesmo, em carne e osso, pelo menos num universo paralelo... (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-1079250514424983023?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/1079250514424983023/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=1079250514424983023&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/1079250514424983023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/1079250514424983023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2012/01/sempre-pensei-desde-o-seu-aparecimento.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-8502404115925373071</id><published>2012-01-28T05:23:00.001-08:00</published><updated>2012-01-28T05:23:25.294-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Quando eu era menino de uns dez anos, meu pai me contou sobre um personagem da Era do Radio, talvez um político (não me lembro o nome) que declarou: "Dêm-me os meios de comunicação e eu faço dois países vizinhos e tradicionalmente amigos entrarem em guerra entre si em 24 horas." &lt;br /&gt;Lembrei-me disso agora ao pensar no poder da Globo em fabricar modas, falsos gostos e promover o vazio como se fosse interessante. A massa é levada pelo nariz como gado... (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-8502404115925373071?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/8502404115925373071/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=8502404115925373071&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/8502404115925373071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/8502404115925373071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2012/01/quando-eu-era-menino-de-uns-dez-anos.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-441828132426980260</id><published>2012-01-28T05:22:00.001-08:00</published><updated>2012-01-28T05:22:36.128-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Há não muitos anos atrás, as pessoas ligavam a televisão para ver artistas de talento encenando novelas de dramaturgos como Dias Gomes, ou mini-séries baseadas em livros clássicos da grande literatura lusa ou brasileira; cantores de qualidade, humoristas talentosos, etc. Enfim, artistas... Por isso não posso entender porquê tanta gente fica observando pessoas vazias e banais, sem nenhum talento, por horas, num programa como o BBB. Se fosse um programa com uma seleção prévia para revelar talentos, tudo bem. Mas não! O critério é, visivelmente, a banalidade e a vulgaridade! (Guilherme de Faria&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-441828132426980260?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/441828132426980260/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=441828132426980260&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/441828132426980260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/441828132426980260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2012/01/ha-nao-muitos-anos-atras-as-pessoas.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-5463817237977211477</id><published>2012-01-28T05:18:00.001-08:00</published><updated>2012-01-28T05:18:35.862-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Sempre me espantou observar como as mulheres, mesmo as mais inteligentes, podem passar da apreciação culta de uma bela obra de arte, para um tema de absoluta futilidade. Assim... em segundos! (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-5463817237977211477?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/5463817237977211477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=5463817237977211477&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/5463817237977211477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/5463817237977211477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2012/01/sempre-me-espantou-observar-como-as.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-8557429970574914267</id><published>2012-01-28T05:17:00.001-08:00</published><updated>2012-01-28T05:17:49.360-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Sinto muito dizer isso, mas sempre desconfiei que a grande dor que as pessoas revelam quando alguém querido ou admirado morre, se deve ao fato de que no fundo as pessoas sabem ou temem que a morte seja o Nada, o total aniquilamento. Pois se as pessoas acreditassem mesmo que existe um mundo post mortem e melhor, não seria motivo de júbilo e de festa? (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-8557429970574914267?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/8557429970574914267/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=8557429970574914267&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/8557429970574914267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/8557429970574914267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2012/01/sinto-muito-dizer-isso-mas-sempre.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-729344486209074570</id><published>2012-01-28T05:16:00.001-08:00</published><updated>2012-01-28T05:16:47.320-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Um amigo neurótico que não tenho, chega invectivando contra os idiotas, contra os políticos corruptos, contra os bêbados na direção, contra o crime crescente... Eu digo a ele: Meu amigo, aceite o mundo como ele é! O brilho, a sensatez, a verdade e a beleza sempre foram a excessão! A caravana insensata passa, rumo ao abismo, sem ouvir nossos latidos de advertência e de protesto. Conforme-se... ou então desenvolva um câncer. Suicide-se, sempre é uma alternativa... (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-729344486209074570?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/729344486209074570/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=729344486209074570&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/729344486209074570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/729344486209074570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2012/01/um-amigo-neurotico-que-nao-tenho-chega.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-7000724186739422057</id><published>2012-01-28T05:15:00.001-08:00</published><updated>2012-01-28T05:15:59.445-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Diante de nossa impotência perante programas boçais como o BBB, não nos resta outra alternativa senão nos conformarmos adotando o seguinte pensamento: os idiotas, que formam grande parte da população no mundo todo, têm o direito de se divertir conforme as sua limitada mente e de acordo com sua mediocridade fundamental. Não temos o direito de impingir à sua obtusidade intrínseca programas inteligentes, que seriam dolorosos para eles. Sejamos tolerantes... digo mais: sejamos caridosos com os deficientes, apenas mudemos de canal, lembrando que quando passar o vendaval de tolices e vazio, nem precisamos voltar para a Globo.... Afinal, existe a TV a cabo! ( Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-7000724186739422057?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/7000724186739422057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=7000724186739422057&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/7000724186739422057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/7000724186739422057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2012/01/diante-de-nossa-impotencia-perante.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-1873243918240536099</id><published>2012-01-28T05:14:00.001-08:00</published><updated>2012-01-28T05:14:13.842-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Crédito só seria interessante se fosse dinheiro dado. Mas... emprestado? Ter que pagar? E com juros? É idiota... não é interessante! (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-1873243918240536099?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/1873243918240536099/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=1873243918240536099&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/1873243918240536099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/1873243918240536099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2012/01/credito-so-seria-interessante-se-fosse.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-7357191874182096675</id><published>2012-01-28T05:12:00.001-08:00</published><updated>2012-01-28T05:12:19.762-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>O político que conseguiu, há muito tempo no Brasil, votar a lei que eliminou a prisão por dívidas, é um benemérito, merece louvores diários. Na antiguidade, em Roma, os insolventes eram transformados em escravos e iam para as galés (ser remadores acorrentados nos porões dos navios de guerra) ou para o trabalho até a morte nas minas. Da Idade Média até o século XVIII os endividados eram jogados nas masmorras e barbaramente torturados para confessar ter dinheiro escondido. No século XIX até o começo do século XX eram simplesmente presos. Quanto a mim, endividei-me com o cartão de crédito há quinze anos atrás e não podendo pagar deixei correr solto por dez anos a divida crescer de uma maneira astronômica. Eu ria e dizia pro Banco : "Vou levar essa dívida para o túmulo!" Resultado eles foram baixando o valor da divida e parcelando. Eu continuava rindo, vivendo e dormindo melhor sem conta, sem talão de cheque e sem crédito. Baixaram tanto que afinal ficou muito fácil saldar. Paguei e imediatamente recuperei a conta e o crédito. Agora não param de me oferecer mais crédito, tentadoramente, num verdadeiro canto de sereia. Seria de morrer de rir, se não fosse capcioso... (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-7357191874182096675?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/7357191874182096675/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=7357191874182096675&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/7357191874182096675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/7357191874182096675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2012/01/o-politico-que-conseguiu-ha-muito-tempo.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-6205583147786850449</id><published>2012-01-28T05:10:00.001-08:00</published><updated>2012-01-28T05:10:19.795-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Em se falando de Arte podemos dizer taxativamente: Um quadro pode até ser bonito, mas um quadro nunca precisa ser bonito. Um quadro precisa é ser "bom". Ser "bom" significa ser "boa pintura", isto é, ser pintado com maestria. (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-6205583147786850449?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/6205583147786850449/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=6205583147786850449&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/6205583147786850449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/6205583147786850449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2012/01/em-se-falando-de-arte-podemos-dizer.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-4207952702468441644</id><published>2012-01-28T05:09:00.000-08:00</published><updated>2012-01-28T05:39:56.049-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Ca_NPH1XUKo/TyP6oGaZK9I/AAAAAAAACow/slFnuRPsItg/s1600/olympia%2Bseries%2B_7%2B2007%252C%2Bmargaret%2Bbowland.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="321" width="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-Ca_NPH1XUKo/TyP6oGaZK9I/AAAAAAAACow/slFnuRPsItg/s400/olympia%2Bseries%2B_7%2B2007%252C%2Bmargaret%2Bbowland.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Olympia - Margaret Bowland, 2007&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Presumo que Margareth Bowland, ao entitular esta sua tela "Olympia" , faz uma alusão à famosa tela de Manet, de mesmo nome, que tanto escândalo fez ao ser exposta no Salon de 1865, por razões totalmente equívocas. As pessoas não se davam conta que o revoltante não era ser o retrato de uma cocotte nua na cama, recebendo flores de um admirador pelas mãos de uma serva negra, mas sim a subalternidade da negra, tão obscura que seu rosto quase se funde ao fundo escuro da tela. Já aqui a pintora americana coloca a negra e a loura americana gloriosamente nuas, lado a lado, na mesma cama. Palmas para essa pintora!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-4207952702468441644?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/4207952702468441644/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=4207952702468441644&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/4207952702468441644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/4207952702468441644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2012/01/olympia-margaret-bowland-2007-presumo.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Ca_NPH1XUKo/TyP6oGaZK9I/AAAAAAAACow/slFnuRPsItg/s72-c/olympia%2Bseries%2B_7%2B2007%252C%2Bmargaret%2Bbowland.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-6700644253633389046</id><published>2012-01-28T05:05:00.001-08:00</published><updated>2012-01-28T05:05:08.069-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>O Mundo é mau, todo mundo sabe disso. Os católicos o chamavam de "Vale de Lágrimas"...Entretanto continuamos colocando nossos filhos no mundo, acreditando, talvez, que eles o tornarão melhor. O problema são os filhos dos outros... Guilherme de Faria&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-6700644253633389046?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/6700644253633389046/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=6700644253633389046&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/6700644253633389046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/6700644253633389046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2012/01/o-mundo-e-mau-todo-mundo-sabe-disso.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-4557357145972843193</id><published>2012-01-28T05:04:00.001-08:00</published><updated>2012-01-28T05:04:23.932-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Por que será que toda vez que alguém diz "o povo" isso e aquilo... se coloca fora do povo, mesmo que em seguida tome um ônibus ou o metrô? (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-4557357145972843193?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/4557357145972843193/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=4557357145972843193&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/4557357145972843193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/4557357145972843193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2012/01/por-que-sera-que-toda-vez-que-alguem.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-8934771580648909827</id><published>2012-01-28T05:03:00.001-08:00</published><updated>2012-01-28T05:03:41.393-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Uma amiga do face forneceu em comentário dados de pesquisa da Onu sobre a situação atual das mulheres no mundo, e esses dados são estarrecedores. A julgar por eles, as mulheres continuam escravas dos homens ou cidadãs de terceira classe. O avanço social das mulheres foi mínimo ou irrelevante. Não me admira que a poetisa Alma Welt tenha decidido abandonar este mundo (se é que isso aconteceu) ou tenha sido vitima fatal do homem, o que é mais provável... (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-8934771580648909827?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/8934771580648909827/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=8934771580648909827&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/8934771580648909827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/8934771580648909827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2012/01/uma-amiga-do-face-forneceu-em.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-6955236455206323553</id><published>2012-01-28T05:02:00.001-08:00</published><updated>2012-01-28T05:02:53.819-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>O Brasil, a sexta potência econômica do mundo? Isso quer dizer que novos latifúndios foram criados e mais cem favelas nasceram... (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-6955236455206323553?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/6955236455206323553/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=6955236455206323553&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/6955236455206323553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/6955236455206323553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2012/01/o-brasil-sexta-potencia-economica-do.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-8478154244342836162</id><published>2012-01-28T05:01:00.001-08:00</published><updated>2012-01-28T05:01:51.417-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Alguém se declara decepcionado? Alguém tinha dúvida de que o Capitalismo foi criado para enriquecer os ricos e empobrecer os pobres? (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-8478154244342836162?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/8478154244342836162/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=8478154244342836162&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/8478154244342836162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/8478154244342836162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2012/01/alguem-se-declara-decepcionado-alguem.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-3388166100059895636</id><published>2012-01-28T05:00:00.001-08:00</published><updated>2012-01-28T05:00:20.097-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Nos anos 70, para provar que eu podia ter sido um "expressionista alemão" rrrrssss, como Otto Dix, George Grosz ou Emil Nolde, eu fiz uma porção de litos a pincel, grotescas, bem expressionistas, com tiragens baixas (esta por exemplo está numerada 16/30) , porque meu editor dizia que iriam "encalhar". De um jeito ou de outro todas se esgotaram. Agora são raríssimas. Se o Brasil fosse um país sério, que tivesse "mercado de arte", estas deveriam ser as mais caras hoje em dia... (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-3388166100059895636?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/3388166100059895636/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=3388166100059895636&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/3388166100059895636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/3388166100059895636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2012/01/nos-anos-70-para-provar-que-eu-podia.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-6294894239678151365</id><published>2011-12-27T08:52:00.001-08:00</published><updated>2011-12-27T08:52:59.950-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>O físico Stephen Hawking afirma não existir Deus. Ora, isso é tão absurdo quanto afirmar que Deus existe. Não sabemos e não temos meios de afirmar uma coisa ou outra. A existência ou não de Deus é um completo mistério. E é justamente nisso que consiste o problema. (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-6294894239678151365?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/6294894239678151365/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=6294894239678151365&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/6294894239678151365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/6294894239678151365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2011/12/o-fisico-stephen-hawking-afirma-nao.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-2151732811334934607</id><published>2011-12-27T08:51:00.000-08:00</published><updated>2011-12-27T08:52:30.631-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Dostoiévski colocou na boca de Ivan Karamazov, o intelectual dos Irmãos Karamazov, a seguinte frase perturbadora: "Se Deus não existe, tudo é permitido." As implicações dessa lógica são imensas. Uma delas é que a moral existe fora e acima do homem, pois do contrário a Justiça e o Bem seriam tão relativos que perderiam todo o valor. E nem sequer poderíamos identificar o Mal... (Guilherme de Faria&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-2151732811334934607?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/2151732811334934607/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=2151732811334934607&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/2151732811334934607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/2151732811334934607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2011/12/dostoievski-colocou-na-boca-de-ivan.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-8078989558742523729</id><published>2011-12-27T08:46:00.000-08:00</published><updated>2011-12-27T08:51:11.345-08:00</updated><title type='text'>A Negra da Tarsila (crônica de Guilherme de Faria)</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-7F-ic8RwZyc/Tvn3Qr6fi1I/AAAAAAAAChA/RwJrr1r0ptI/s1600/Tarsila-do-Amaral-A-Negra-1923-OST.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 329px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-7F-ic8RwZyc/Tvn3Qr6fi1I/AAAAAAAAChA/RwJrr1r0ptI/s400/Tarsila-do-Amaral-A-Negra-1923-OST.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5690851470197361490" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A Negra da Tarsila)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(crônica de Guilherme de Faria)&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano de 1965 fui visitar uma das minhas tias que estava bastante velha, numa cadeira de rodas e não saia mais para nada. Entro em sua casa no elegante bairro do Pacaembú, povoada de objetos de arte, uma casa estranha em sua arquitetura da década de 20, que me fascinava desde a infância.&lt;br /&gt; Lembro-me sobretudo dos quadros espalhados pelas paredes da casa toda. Na grande sala de jantar, havia várias naturezas mortas, escuras, com grandes tachos de cobre pintados com um realismo notável, de autoria de Pedro Alexandrino, que destoavam da arquitetura da casa. O que me fascinava mesmo, na infância, era um grande quadro da Tarsila, este sim no estilo Art-Déco com faixas de cor paralelas no fundo, representando uma negra com o beiço inferior deslocado, o seio pendente por cima do braço direito dobrado sobre o ventre, sentada no chão com as pernas meio cruzadas. Soube muitos anos mais tarde tratar-se da “ A Negra”, da fase antropofágica da Tarsila, maravilhosa obra, tão importante quanto o “Abaporu”, e agora no acervo do MAC.&lt;br /&gt; Não encontrei esse quadro em sua casa nesta ocasião. Perguntei por ele à minha tia e ela respondeu:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;—"Estou meio magoada com a Tarsila. Ela havia me dado esse quadro como presente de casamento. O Vicente não gostava do quadro. Eu também não. Ele implicou com o beiço deslocado e o seio por cima do braço, para dizer o mínimo. Há um ano Tarsila telefonou pedindo o quadro emprestado para uma sua retrospectiva, entreguei-o sem recibo a um portador que ela mandou, e o quadro nunca mais voltou. Mas na verdade, não faço questão, nunca gostei do quadro mesmo!..."&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Quase caí para trás. O único quadro realmente bom e valioso e que ainda por cima combinava com a arquitetura de sua casa (ela nem percebia isso), ela o perdera e ainda estava aliviada! &lt;br /&gt;Tarsila sabia o que fazia. Ela teve a chance de consertar o destino, pelo menos desse quadro. Na sua juventude, elegante e rica, presenteara seus quadros freqüentemente a quem não os compreendia ou dava valor. Então ela resgatara a Negra, que voltara ao grande público, vendido ou doado a um importante museu. Não há injustiça no mundo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-8078989558742523729?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/8078989558742523729/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=8078989558742523729&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/8078989558742523729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/8078989558742523729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2011/12/negra-da-tarsila-cronica-de-guilherme_27.html' title='A Negra da Tarsila (crônica de Guilherme de Faria)'/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-7F-ic8RwZyc/Tvn3Qr6fi1I/AAAAAAAAChA/RwJrr1r0ptI/s72-c/Tarsila-do-Amaral-A-Negra-1923-OST.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-5210037540944413888</id><published>2011-12-27T08:44:00.000-08:00</published><updated>2011-12-27T08:46:43.042-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Alma Welt não estava no centro do Mundo... Não conheceu platéias nem honrarias. Seus leitores, ela os teve na rede por breves e intensos dois anos, e começavam a crescer. Entretanto não era de periferias, mas lá do verdadeiro fim do mundo, onde o vento sopra sem barreiras, eternamente, cruelmente... Conhecia dentro e fora amplidões que os nossos olhos normalmente desconhecem. Vivendo nas planícies sem fim de seu Pampa amado, conhecia solidões, lonjuras e silêncios que a nós seriam mortais. Também a ela o foram, essa é a verdade... Mas como resistiu! Como derramou versos que encheriam cochilhas não fossem eles represados na Arca de sua Alma, que ora derrama seu conteúdo sobre nós, perplexos, encantados, emocionados com tal dor, alegria e êxtase... com tão grande e trágica beleza! (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-5210037540944413888?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/5210037540944413888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=5210037540944413888&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/5210037540944413888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/5210037540944413888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2011/12/alma-welt-nao-estava-no-centro-do-mundo.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-332949137031322601</id><published>2011-12-27T08:42:00.000-08:00</published><updated>2011-12-27T08:44:29.288-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>No futuro o homem trabalhará pouco ou nada. Entretanto não será mais livre, teremos ingressado na Era da Robótica, no Império das Máquinas. Na Era do Consumidor Puro, seremos governados pelo Grande Olho Eletrônico. Não mais livres para consumir, mas obrigados mesmo a isso, seremos mais escravos do que nunca. E haja diversão e shows dia e noite, como forma de entorpecimento e direcionamento das massas. Mas... o que digo? Dei-me conta agora de que já entramos nessa era! (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-332949137031322601?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/332949137031322601/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=332949137031322601&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/332949137031322601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/332949137031322601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2011/12/no-futuro-o-homem-trabalhara-pouco-ou.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-4047622836491349850</id><published>2011-12-27T08:41:00.001-08:00</published><updated>2011-12-27T08:42:27.244-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Tudo é uma questão de vestimenta. O homem de terno e gravata não aceita deixar milhares de alqueires de terras com quem anda nu ou de tanga. A prova disso é que para aceitá-los um pouco, fomos logo dando aos índios nossos ridículos calções vermelhos, chinelos de dedos e bonés. Somos mesmo muito mesquinhos..." (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-4047622836491349850?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/4047622836491349850/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=4047622836491349850&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/4047622836491349850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/4047622836491349850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2011/12/tudo-e-uma-questao-de-vestimenta_27.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-8009384661829664193</id><published>2011-12-27T08:41:00.000-08:00</published><updated>2011-12-27T08:42:23.016-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Tudo é uma questão de vestimenta. O homem de terno e gravata não aceita deixar milhares de alqueires de terras com quem anda nu ou de tanga. A prova disso é que para aceitá-los um pouco, fomos logo dando aos índios nossos ridículos calções vermelhos, chinelos de dedos e bonés. Somos mesmo muito mesquinhos..." (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-8009384661829664193?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/8009384661829664193/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=8009384661829664193&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/8009384661829664193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/8009384661829664193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2011/12/tudo-e-uma-questao-de-vestimenta.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-8527960192149341940</id><published>2011-12-27T08:40:00.002-08:00</published><updated>2011-12-27T08:41:44.059-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A julgar pelos filmes de ação americanos, a metralhadora é a menos eficiente das armas. Repararam quantos milhares de balas elas disparam contra alvos fixos ou móveis sem acertar uma única bala? Sinceramente... eu diria que os americanos são um povo muito bobo, se eles não fossem tão ricos e não fossem o mais poderoso país do mundo. Aliás, para mim esse é o grande mistério: como um povo tão infantil dominou o mundo dessa maneira... (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-8527960192149341940?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/8527960192149341940/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=8527960192149341940&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/8527960192149341940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/8527960192149341940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2011/12/julgar-pelos-filmes-de-acao-americanos.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-6316502421512708184</id><published>2011-12-27T08:40:00.001-08:00</published><updated>2011-12-27T08:40:55.471-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Acho o Natal uma festa muito sanguinária, principalmente para o perú... (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-6316502421512708184?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/6316502421512708184/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=6316502421512708184&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/6316502421512708184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/6316502421512708184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2011/12/acho-o-natal-uma-festa-muito.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-6476997176544247146</id><published>2011-12-27T08:39:00.004-08:00</published><updated>2011-12-27T08:40:18.825-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>O chamado "sonho americano" é todo ele dinheiro. Mas não podemos censurá-los por isso: desde o culto do "bezerro de ouro" é esse o sonho de toda humanidade, desde que associamos o dinheiro à liberdade e ao poder. As tábuas da lei foram quebradas antes mesmo de serem observadas. A humanidade cultua o dinheiro, o seu único deus. E na hora final a maioria reza secretamente para ter muito dinheiro no Paraíso..." (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-6476997176544247146?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/6476997176544247146/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=6476997176544247146&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/6476997176544247146'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/6476997176544247146'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2011/12/o-chamado-sonho-americano-e-todo-ele.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-7280553442108205798</id><published>2011-12-27T08:39:00.003-08:00</published><updated>2011-12-27T08:39:51.149-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-7280553442108205798?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/7280553442108205798/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=7280553442108205798&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/7280553442108205798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/7280553442108205798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2011/12/blog-post.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-9011080212035176855</id><published>2011-12-27T08:39:00.001-08:00</published><updated>2011-12-27T08:39:45.028-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Muito se fala na religiosidade dos antigos egípcios, de sua espiritualidade. Nada mais falso. A meu ver, os egípcios antigos são o exemplo de maior materialismo que podemos conceber, a ponto de quererem preservar o corpo, isto é, a matéria, a todo custo pelo elaborado embalsamamento e carregar seus tesouros para o túmulo, na esperança de levarem a mesma vida de confortos na eternidade. Um povo sem espiritualidade nenhuma, cujo legado mais durável foi a invenção da cerveja e o mistério da construção das pirâmides. Mas, que engenho e bela arte eles tinham! ( Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-9011080212035176855?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/9011080212035176855/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=9011080212035176855&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/9011080212035176855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/9011080212035176855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2011/12/muito-se-fala-na-religiosidade-dos.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-4447750138608390854</id><published>2011-12-27T08:38:00.002-08:00</published><updated>2011-12-27T08:39:05.297-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Se compararmos o número e a gravidade de coisas idiotas que cometemos ao longo de nossa História, com as inteligentes, criativas e sensatas, teremos que reconhecer, com o saldo final, que o ser humano é pouco inteligente, muito deficiente mesmo... não passamos de débeis mentais. (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-4447750138608390854?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/4447750138608390854/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=4447750138608390854&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/4447750138608390854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/4447750138608390854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2011/12/se-compararmos-o-numero-e-gravidade-de.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-8672635558973297784</id><published>2011-12-27T08:38:00.001-08:00</published><updated>2011-12-27T08:38:23.750-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Uma das coisas mais espantosas, verdadeiras, e cruéis que vi e ouvi na televisão (e eu mal acreditava nos meus olhos e ouvidos) foi um repórter americano entrevistando um índio pele-vermelha numa reserva (há duas décadas atrás). O repórter disse ao índio: " Vocês devem ter muito ódio e ressentimento pelo que fizemos a vocês, com todos os massacres, torturas, injustiça e roubo de suas terras que nós brancos cometemos, não?" E o índio calmamente respondeu: "Bem... durante algum tempo, sim. Mas, pensando bem, nós já estamos vingados: NÓS ENSINAMOS O BRANCO A FUMAR..." (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-8672635558973297784?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/8672635558973297784/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=8672635558973297784&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/8672635558973297784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/8672635558973297784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2011/12/uma-das-coisas-mais-espantosas.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-5503120805450806985</id><published>2011-12-27T08:37:00.003-08:00</published><updated>2011-12-27T08:37:58.270-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Se os homens se matassem simplesmente com o cigarro, o álcool e as drogas, não deveríamos nos importar muito, pois seria uma maneira eficaz de assegurar um relativo equilíbrio demográfico. É preciso que milhões de pessoas morram todos os anos para que não haja uma mortandade ainda maior pela fome no mundo (que apesar dos massacres pelas guerras, drogas, cigarro e álcool, está havendo). O problema é que os dependentes químicos aborrecem! Ah! Como chateiam os outros, como enfernizam a humanidade com suas manias, repetições, obsessividade e insensatez. Ah! A chatice! A única coisa realmente imperdoável!... (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-5503120805450806985?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/5503120805450806985/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=5503120805450806985&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/5503120805450806985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/5503120805450806985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2011/12/se-os-homens-se-matassem-simplesmente.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-6295635701837523661</id><published>2011-12-27T08:37:00.001-08:00</published><updated>2011-12-27T08:37:26.790-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>O mundo poderia ser tão bom se o homem fosse um ser inteligente!... (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-6295635701837523661?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/6295635701837523661/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=6295635701837523661&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/6295635701837523661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/6295635701837523661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2011/12/o-mundo-poderia-ser-tao-bom-se-o-homem.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-2930059843077020704</id><published>2011-12-27T08:36:00.000-08:00</published><updated>2011-12-27T08:37:02.268-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Um homem inteligente se interessa por absolutamente tudo o que concerne ao humano, ao planeta, aos animais, às plantas, aos astros, ao Universo, a tudo... Não acredito, por exemplo, na inteligência de alguém que nunca se perguntou qual a lei de física que rege o ato de se martelar um prego na madeira (Terceira Lei de Newton, lei de ação e reação). (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-2930059843077020704?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/2930059843077020704/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=2930059843077020704&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/2930059843077020704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/2930059843077020704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2011/12/um-homem-inteligente-se-interessa-por.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-8056331601955543358</id><published>2011-12-27T08:35:00.001-08:00</published><updated>2011-12-27T08:36:33.907-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Quando o grande William Turner estava bem velho, agentes da Corôa Britânica foram à sua pequena e modesta casa na beira do Tâmisa portando alguns milhares de libras para adquirirem para a coleção real o seu grande quadro entitulado "Dido Construindo Cartago", de sua fase inicial, que ele havia exposto com grande sucesso na Royal Academy 50 anos atrás, quando tinha influência ainda do pintor francês Claude Lorraine, que ele muito admirava. Turner disse aos agentes: "Poupem os dinheiros públicos" e mostrou a eles o seu testamento que doava à nação toda a sua obra, acumulada, colecionada e frequentemente rematada por ele em leilões de espólio de famílias nobres. Os agentes admirados se retiraram. Pouco anos depois Turner faleceu e os agentes voltaram para fazer o inventário das obras da coleção do mestre (hoje na Tate Gallery). Eles entravam e saíam perplexos, abanando as cabeças. "Nunca vimos algo assim antes"- eles diziam- "desde o desenterro de Pompéia!" Uma camada de dez centímetros de poeira cobria tudo dentro da casa. Milhares de telas, cadernos, álbuns, aquarelas soltas, tudo, tudo coberto por uma camada de pó de mais de cinqüenta anos! Nunca Turner permitiu que uma empregada passasse um pano ou espanador em nada. Moral da estória? Não tem moral, é apenas uma curiosidade sobre as idiossincrasias de um gênio... (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-8056331601955543358?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/8056331601955543358/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=8056331601955543358&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/8056331601955543358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/8056331601955543358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2011/12/quando-o-grande-william-turner-estava.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-9074050469359428378</id><published>2011-12-27T08:34:00.000-08:00</published><updated>2011-12-27T08:35:00.301-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Não temos tempo suficiente na vida para adquirir sabedoria. Por isso os sábios são poucos. Mas talvez a maioria de nós não esteja interessada em ser sábia porque não sabemos para quê isso serve. É o utilitarismo de nossa época que faz da sabedoria uma coisa tão rara. Um exemplo: um americano típico diria para um sábio ou mesmo um mero intelectual: "If you're so smart, why ain't you richer?" (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-9074050469359428378?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/9074050469359428378/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=9074050469359428378&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/9074050469359428378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/9074050469359428378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2011/12/nao-temos-tempo-suficiente-na-vida-para.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-8802844810583479302</id><published>2011-12-27T08:33:00.000-08:00</published><updated>2011-12-27T08:34:15.388-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Posso congratular-me comigo mesmo: persegui meus sonhos de criança com persistência ímpar. Não os atingi a todos, mas o caminho que eles me fizeram percorrer revelou-se fecundo e surpreendente. Percebi que o destino é o caminho e não a chegada, que diminuiu consideravelmente de importância. Passei a vida desenhando, pintando, escrevendo, declamando e palestrando. Um entre milhares que também o fizeram. Mas não disperdicei meus dias em trabalhos inúteis ou estéreis, somente me ocupei do que amo: a sagrada Arte, que me comove e reverencio como nos primeiros dias... (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-8802844810583479302?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/8802844810583479302/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=8802844810583479302&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/8802844810583479302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/8802844810583479302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2011/12/posso-congratular-me-comigo-mesmo.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-5515714463340154526</id><published>2011-12-14T15:34:00.000-08:00</published><updated>2011-12-14T15:36:40.437-08:00</updated><title type='text'>A Negra da Tarsila  (crônica de Guilherme de Faria)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-OYxyfrBkESE/Tuky9jzgJ5I/AAAAAAAACgc/MPJucuAJKs8/s1600/Tarsila-do-Amaral-A-Negra-1923-OST.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 329px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-OYxyfrBkESE/Tuky9jzgJ5I/AAAAAAAACgc/MPJucuAJKs8/s400/Tarsila-do-Amaral-A-Negra-1923-OST.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5686132037696628626" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A Negra da Tarsila  &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(crônica de Guilherme de Faria)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano de 1965 fui visitar uma das minhas  tias que estava bastante velha, numa cadeira de rodas e não saia mais para nada. Entro em sua casa no elegante bairro do Pacaembú, povoada de objetos de arte, uma casa estranha em sua arquitetura da década de 20, que me fascinava desde a infância.&lt;br /&gt;Lembro-me sobretudo dos quadros espalhados pelas paredes da casa toda. Na grande sala de jantar, havia várias naturezas mortas, escuras, com grandes tachos de cobre pintados com um realismo notável, de autoria de Pedro Alexandrino, que destoavam da arquitetura da casa. O que me fascinava mesmo, na infância, era um grande quadro da Tarsila, este sim no estilo Art-Déco com faixas de cor paralelas no fundo, representando uma negra com o beiço inferior deslocado, o seio pendente por cima do braço direito dobrado sobre o ventre, sentada no chão com as pernas meio cruzadas. Soube muitos anos mais tarde tratar-se da “Negra”, da fase antropofágica da Tarsila, maravilhosa obra, tão importante quanto o “Abaporu”, e agora no acervo do MAC.&lt;br /&gt;Não encontrei esse quadro em sua casa nesta ocasião. Perguntei por ele à minha tia e ela respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Estou meio magoada com a Tarsila. Ela havia me dado esse quadro como presente de casamento. O Vicente não gostava do quadro. Eu também não. Ele implicou com o beiço deslocado e o seio por cima do braço, para dizer o mínimo. Tarsila telefonou pedindo o quadro emprestado para uma sua retrospectiva, entreguei-o sem recibo a um portador que ela mandou, e o quadro nunca mais voltou. Mas na verdade, não faço questão, nunca gostei do quadro mesmo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase caí para trás. O único quadro realmente bom e valioso e que ainda por cima combinava com a arquitetura de sua casa (ela nem percebia isso), ela o perdera e ainda estava aliviada! &lt;br /&gt;Tarsila sabia o que fazia. Ela teve a chance de consertar o destino, pelo menos desse quadro. Na sua juventude, elegante e rica, presenteara seus quadros freqüentemente a quem não os compreendia ou dava valor. Então ela resgatara a Negra, que voltara ao grande público, vendido ou doado a um importante museu. Não há injustiça no mundo..."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-5515714463340154526?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/5515714463340154526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=5515714463340154526&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/5515714463340154526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/5515714463340154526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2011/12/negra-da-tarsila-cronica-de-guilherme.html' title='A Negra da Tarsila  (crônica de Guilherme de Faria)'/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-OYxyfrBkESE/Tuky9jzgJ5I/AAAAAAAACgc/MPJucuAJKs8/s72-c/Tarsila-do-Amaral-A-Negra-1923-OST.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-6275199955031318965</id><published>2011-12-14T06:33:00.000-08:00</published><updated>2011-12-14T07:52:53.386-08:00</updated><title type='text'>PAGU, UMA GAFE (crônica de Guilherme de Faria)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-wkt6TUtTmXs/Tui0Hjqh_GI/AAAAAAAACgQ/AkQncJZe6oY/s1600/201011081851451_jpg1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 323px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-wkt6TUtTmXs/Tui0Hjqh_GI/AAAAAAAACgQ/AkQncJZe6oY/s400/201011081851451_jpg1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5685992571480964194" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;PAGÚ, UMA GAFE&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;em&gt;(Crônica de Guilherme de Faria)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Num período de minha vida, ao redor dos quarenta anos, quando entre casamentos eu costumava almoçar no apartamento de minha mãe, com prazer pois conversávamos fartamente sobre Literatura (ela era muito letrada em geral, mas principalmemte em literatura acadêmica francesa, que ela lia sempre no original, claro), enquanto esperava o almoço, tocou a campainha e eu atendendo, fiz entrar uma senhora de meia idade, amiga de minha mãe, de aspecto imponente, aristocrático. Enquanto esperávamos na sala, minha mãe na cozinha acabava de preparar o almoço, depois de interromper o seu trabalho para receber a amiga, e nos apresentar com as palavras: "Olhe, Guilherme, ela é sobrinha da nossa ilustre Tarsila do Amaral!" Eu, então, pensando ser a propósito, para puxar conversa comecei a falar sobre a maravilhosa biografia da Pagu, do Augusto de Campos, que eu estava lendo, entusiasmado com aquela figura hoje lendária do modernismo, uma pioneira da emancipação feminina, linda moça de origem operária que se torna mulher do Oswald de Andrade depois que este deixou a Tarsila, e se torna jornalista, comunista, uma das Musas do Modernismo, vai presa, se exila e se torna amiga do último Imperador da China com quem passeava de bicicleta dentro dos muros da Cidade Proibida, e termina a vida escrevendo crônicas estupendas sobre o Movimento Surrealista e o teatro de vanguarda mundial, em jornais de São Paulo... &lt;br /&gt;De repente, logo de saída sou interrompido pela tal senhora, subitamente transtornada, tremendo, colérica, com o rosto vermelho, com o dedo em riste, quase gritando com fúria sagrada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- "Aquele homem horrível, Oswald, grosseiro, que trocou uma RAÍNHA (!!!) como a Tarsila, por aquela mulherzinha vulgar! Tarsila era um rainha!!" (ela repetia com ênfase, prestes a ter uma apoplexia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Eu devo ter empalidecido, envergonhadíssimo com a minha gafe e não falei mais nada, tão constrangido que, por minha vez, desconcertei a furibunda senhora paladina de sua tia, a grande Tarsila. Não havia mais ambiente e a senhora tratou de desculpar-se mas somente por não poder ficar para o almoço, o que a minha mãe, vinda da cozinha, muito lamentou, conduzindo-a até a porta, pedindo desculpas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Meditando sobre este episódio algum tempo depois, dei-me conta da imensidão dos preconceitos sociais da época de nossas mães e avós, e mais admirei a Pagu e a grande Tarsila, por suas atitudes pioneiras, revolucionárias, as duas afrontando o ambiente elitista e tacanho que dominava a nossa Arte naquelas primeiras décadas do século, uma pelo lado de dentro da aristocracia e a outra pelo de fora. Duas heroínas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 14/12/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-6275199955031318965?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/6275199955031318965/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=6275199955031318965&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/6275199955031318965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/6275199955031318965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2011/12/pagu-uma-gafe-cronica-de-guilherme-de.html' title='PAGU, UMA GAFE (crônica de Guilherme de Faria)'/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-wkt6TUtTmXs/Tui0Hjqh_GI/AAAAAAAACgQ/AkQncJZe6oY/s72-c/201011081851451_jpg1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-3735864895686750425</id><published>2011-12-13T14:54:00.000-08:00</published><updated>2011-12-13T14:55:52.458-08:00</updated><title type='text'>Uma Temporada no Inferno (crônica de Guilherme de Faria)</title><content type='html'>Quando eu era um garoto de uns doze anos, tendo me tornado um pequeno rato de biblioteca e estando um tanto franzino, minha mãe decidiu me enviar para uma colônia de férias para me "enrijecer". Escolheu o "Paiol Grande" uma instituição tipicamente americana, embora fosse de padres católicos de origem canadense. O diretor do Paiol era o Father Leising um padre dos Oblatos de Maria Imaculada ( estranho... nunca me ocorreu descobrir o que é "oblato"). Também não me lembro de jamais ter visto o father, mas sua presença era sentida, não sei porquê. Mas o que quero contar é como tive um encontro desastrado com a cultura americana, que quase conseguiu apagar o encantamento que eu tinha com o cinema de Hollywood e suas estórias, musicais e estrelas maravilhosas. Nos primeiros dias fui escalado para uma excursão a cavalo que durou dois dias de sofrimento sacolejando por campos e montanhas no lombo daquele animal com que eu nunca antes tivera contato. Passei fome, frio, e sobretudo um imenso cansaço e dores no corpo todo, sobretudo nas pernas. Quando afinal chegamos de volta ao acampamento, todo de chalés (o meu era no alto do morro), apeando eu mal podia me manter de pé, caminhava cambaleando e ao começar a subir a ladeira perigosamente próxima de um campo de futebol americano onde estavam jogando os garotos americanos que nunca se misturavam conosco (os brasileiros) e mal os avistávamos, resvalei na borda escarpada do campo e caí dentro dele. Imediatamente me tornei alvo dos Yankes, que vieram na corrida e se atiraram em cima de mim aos montes, embolados, sempre gritando naquela algaravia enrolada, incompreensível. Eu tentava levantar e correr graças à adrenalina que explodiu, mesmo com aquelas dores que mal me permitiam andar. O garotos, extremamente fortes, de pulsos grossos como os tornozelos, louros, ruivos e sardentos, verdadeiramente selvagens, se divertiam em me perseguir e derrubar-me de borco agarrando-me pelas pernas e amontoando-se sobre mim. Eu tentava galgar o barranco mas ele me arrastavam para baixo, sempre gritando coisas das quais eu só distinguia: "Kill him! Kill him!"&lt;br /&gt; Só me soltaram quando eu, desesperado, lutando que estava pela minha vida, virei-me para trás e gritei entre dentes, guturalmente, com um esgar de fúria e desespero:" LARRRRGGAA!" Me lembro do olhar de espanto do último que ainda me agarrava, e que me largou e ficou me olhando de mãos na cintura.&lt;br /&gt; Eu afinal saí do território mortal deles, sem mais olhar para trás. E subi mancando e cambaleando para o meu chalé para afinal cair na cama, absolutamente exausto e moído. &lt;br /&gt;Essa experiência me deu uma amostra muito clara de uma faceta da cultura americana que me faria preferir continuar sonhando com os filmes de Hollywood e nunca almejar conhecer aquele país ao vivo, mesmo acaso fosse convidado um dia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas a verdade é que minha mãe tinha razão: ao final daquelas sofridas férias de um mês, na minha temporada nada rimbaudiana no inferno, eu tinha enrijecido um pouco... E voltei botando banca nos jogos de rua do meu quarteirão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São Paulo, 13/12/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-3735864895686750425?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/3735864895686750425/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=3735864895686750425&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/3735864895686750425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/3735864895686750425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2011/12/uma-temporada-no-inferno-cronica-de.html' title='Uma Temporada no Inferno (crônica de Guilherme de Faria)'/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-8328273036645078512</id><published>2011-12-12T07:36:00.000-08:00</published><updated>2011-12-12T07:38:59.906-08:00</updated><title type='text'>O Segredo do Artista  (de Guilherme de Faria)</title><content type='html'>Vou revelar um segredo: Começando bem cedo na vida a desenhar, pintar e escrever, vacinei-me contra os excessos da admiração a outros artistas. Elegi minha própria arte desde o começo como a que eu mais amaria e admiraria através da vida. Agora, depois de milhares de obras, eu concluo que com tal atitude eu descobri o segredo de ser artista. Consiste nessa espantosa escolha e certeza: a de que a tua arte é imprescindível e definitiva. Se não pensares assim, não serás um artista, mas um simples admirador ou imitador. (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-8328273036645078512?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/8328273036645078512/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=8328273036645078512&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/8328273036645078512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/8328273036645078512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2011/12/vou-revelar-um-segredo-comecando-bem.html' title='O Segredo do Artista  (de Guilherme de Faria)'/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-8948871392328405213</id><published>2011-12-09T05:30:00.000-08:00</published><updated>2011-12-09T05:46:46.444-08:00</updated><title type='text'>A reação de Machado Guerreiro (de Guilherme de Faria</title><content type='html'>Toda família tem seus códigos particulares, suas brincadeiras próprias de que nos lembramos para o resto da vida com carinho. Quando eu era criança, uma vez, meu pai sendo médico hematologista, cientista de laboratório, conversando com minha mãe à mesa do jantar citou uma certa "Reação de Machado Guerreiro". Eu, suscitado pelas palavras em que vi uma cena "viking", dei uma risada tola, repetindo "machado guerreiro"... Meu pai imediatamente me apontou o dedo repetindo essas palavras caricaturalmente entre falsos risos entrecortados e voz de débil mental: "machado guerreiro... hehehe...", no meio das risadas dos meus irmãos e até de minha mãe . Fiquei envergonhado mas ao mesmo tempo achando mais graça ainda. Nunca mais esqueci do que se tornaria um bordão repetido com dedos apontados cada vez que algum de nós dizia uma bobagem à mesa. Meu pai, nivelando-se jocosamente a mim numa tolice, incentivou meu senso de humor autocrítico para o resto de minha vida... (Guilherme de Faria)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-8948871392328405213?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/8948871392328405213/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=8948871392328405213&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/8948871392328405213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/8948871392328405213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2011/12/reacao-de-machado-guerreiro-de.html' title='A reação de Machado Guerreiro (de Guilherme de Faria'/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-463586112272122166</id><published>2011-10-21T14:11:00.001-07:00</published><updated>2011-10-21T14:15:34.613-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Onde os ciprestes se juntam (para Amy Winehouse) &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(de Guilherme de Faria)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde os ciprestes se juntam &lt;br /&gt;e ao vento gelado das cidades do norte&lt;br /&gt;se curvam&lt;br /&gt;onde os corvos revoam crocitando &lt;br /&gt;agourando a vida dos homens&lt;br /&gt;desde sempre&lt;br /&gt;Onde os relógios batem horas em salas tristes&lt;br /&gt;Amy Winehouse ainda vacilante desfila&lt;br /&gt;e ondula seu corpo esguio&lt;br /&gt;maltratado pela auto-mutilação&lt;br /&gt;de suas feias tatuagens&lt;br /&gt;na sua brancura outrora imaculada&lt;br /&gt;tão cedo rejeitada&lt;br /&gt;de volta ao negro&lt;br /&gt;ela voltará sempre&lt;br /&gt;com sua voz negra do melhor do blues&lt;br /&gt;e da alma&lt;br /&gt;Amy voltará sempre&lt;br /&gt;e com ela conviveremos ainda &lt;br /&gt;por muito tempo&lt;br /&gt;por amor à sua doçura invencível&lt;br /&gt;sua expressividade trágica&lt;br /&gt;indisfarçada &lt;br /&gt;e para sempre legada&lt;br /&gt;à nossa própria tragédia de viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amy &lt;br /&gt;quê dizer?&lt;br /&gt;senão que te amamos &lt;br /&gt;e quiséramos abraçar&lt;br /&gt;teu corpo martirizado&lt;br /&gt;e juntar com a mão&lt;br /&gt;sobre teus apliques e desajeitados cabelos &lt;br /&gt;tua linda cabeça ao nosso ombro &lt;br /&gt;como o faríamos a essa girl&lt;br /&gt;que bem sabemos &lt;br /&gt;foste e serás &lt;br /&gt;agora para sempre &lt;br /&gt;de volta ao negro &lt;br /&gt;mas também &lt;br /&gt;a nós...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;27/07/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-463586112272122166?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/463586112272122166/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=463586112272122166&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/463586112272122166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/463586112272122166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2011/10/onde-os-ciprestes-se-juntam-para-amy.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-1134941046452070023</id><published>2011-10-21T14:03:00.000-07:00</published><updated>2011-10-21T14:05:15.932-07:00</updated><title type='text'>Meu auto-retrato (de Guilherme de Faria)</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-0dwvLl07QDM/TqHehNYBeFI/AAAAAAAACdU/JkNp4quxDWA/s1600/abself.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 317px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-0dwvLl07QDM/TqHehNYBeFI/AAAAAAAACdU/JkNp4quxDWA/s400/abself.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666054468316264530" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Auto-retrato de Arnold Böcklin (grande simbolista suiço)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Meu auto-retrato (de Guilherme de Faria)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu auto-retrato imaginado&lt;br /&gt;Seria como o do mestre suíço&lt;br /&gt;Que captou um som meio arpejado&lt;br /&gt;Daquele violino insubmisso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas mãos de dedos descarnados&lt;br /&gt;Da fiel companheira de atelier&lt;br /&gt;Desde tempos mal recompensados &lt;br /&gt;Senão pelas delícias de beber...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas devo também lembrar o logro&lt;br /&gt;Que fiz à minha acompanhante&lt;br /&gt;Querendo os seus préstimos em dobro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pra tê-la bem mais tempo do meu lado&lt;br /&gt;Jogando para um tempo mais distante&lt;br /&gt;A paga por seu zelo devotado...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-1134941046452070023?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/1134941046452070023/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=1134941046452070023&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/1134941046452070023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/1134941046452070023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2011/10/meu-auto-retrato-de-guilherme-de-faria.html' title='Meu auto-retrato (de Guilherme de Faria)'/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-0dwvLl07QDM/TqHehNYBeFI/AAAAAAAACdU/JkNp4quxDWA/s72-c/abself.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-7098547656911584309</id><published>2010-06-27T13:18:00.000-07:00</published><updated>2010-06-27T13:24:43.677-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_rBfsaidFtAM/TCezJws8X_I/AAAAAAAACU4/7qSy9FT07Nw/s1600/Futebol+dos+meninos+de+Brodosqui.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 293px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_rBfsaidFtAM/TCezJws8X_I/AAAAAAAACU4/7qSy9FT07Nw/s400/Futebol+dos+meninos+de+Brodosqui.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5487551651247841266" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;em&gt;Portinari- Futebol dos meninos de Brodósqui&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;DECÁLOGO DO FUTEBOL (de Guilherme de Faria)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.Não se iludam, futebol é um jogo de azar. Reparem, a bola só entra quando ela quer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.O gol deveria ser bem mais largo, pois os espectadores gostam mesmo é de goleada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.Eu soube que alguns intelectuais portugueses, durante a reforma ortográfica da língua, propuseram que se passasse a escrever “furtebola”, pois, afinal, se trata de furtar a bola do adversário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4.O futebol é a prova de que o ser humano continua infantil por toda vida. Mas, pensando bem, todos os esportes o são.... Que digo? Tudo, tudo na vida é infantil!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5.Por trás de uma partida de futebol, há sempre uma guerra dissimulada... O ser humano não tem jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. A testosterona é um hormônio que sobe a níveis nunca vistos numa partida de futebol. Daí o caráter altamente sexual desse jogo, com seus abraços e carícias ardentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7.Os americanos são ainda mais infantis que os brasileiros, por isso o seu futebol consiste em roubar a bola com a mão, fugir, e todos se amontoarem por causa dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8.A primeira vez que joguei futebol na vida, fiz um gol-contra por engano. Mas como achei graça da situação e de mim mesmo, caindo na gargalhada, quase fui linchado. Então descobri que eu seria, ou um traidor ou um poeta. Optei pelo segundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9.O futebol só tem importância porque as paixões nos mantêm vivos, embora, paradoxalmente, possam também nos conduzir à morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10.O futebol voltará a se constituir uma arte se incentivarmos os jogadores a se considerarem artistas, e não simples profissionais milionários. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guilherme de Faria, 27/ 06/ 2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-7098547656911584309?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/7098547656911584309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=7098547656911584309&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/7098547656911584309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/7098547656911584309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2010/06/decalogo-do-futebol-de-guilherme-de.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_rBfsaidFtAM/TCezJws8X_I/AAAAAAAACU4/7qSy9FT07Nw/s72-c/Futebol+dos+meninos+de+Brodosqui.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-4339001354316704902</id><published>2010-04-08T21:24:00.000-07:00</published><updated>2010-04-14T04:09:22.457-07:00</updated><title type='text'>THALITA  (conto de Guilherme de Faria)</title><content type='html'>Começo a escrever aqui minhas memórias de infância e o farei aos poucos, em trechos e fragmentos encadeados, que espero que os amigos leitores tenham paciência de acompanhar.  Assim, aos poucos, como um antigo romance-folhetim. Espero que os distraia e divirta. Se possível os encante.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                             &lt;strong&gt;THALITA &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(conto de Guilherme de Faria)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei-me conta, afinal. De repente dei-me conta de que tinha que contar o que vou contar. Talvez a única estória verdadeira, autêntica, no que me diz respeito. A minha história. Uma estória... de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  DILIM DILIM DILIM DILIM!... A campainha parecia soar sempre nos momentos mais impróprios, nos momentos de disputa ou de briga entre garotos, coisas de honra, com que não se brinca. Lembro-me que tive interromper uma luta de socos e pontapés, e que obviamente eu estava perdendo... e sob vaias declarar que minha mãe estava me chamando para o almoço. Voltei correndo, humilhado, envergonhado, aliviado e furioso. Era difícil perdoá-la, pelo menos naquele momento. Tanto mais que, vendo minha fúria ela me olhou longamente, tudo compreendeu e... riu. Sim, riu... deu uma maravilhosa gargalhada que acabei acompanhando,  porque se algo tínhamos em comum, minha mãe e eu, além do gosto pela literatura... era o senso de humor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ah! A campainha...  Era uma sineta de prata. Menos que isso. Era um sininho todo em baixo relevo, com alguns trechos vazados e os nomes dos doze apóstolos gravados a toda volta, em latim, o que me causava uma estranheza deliciosa. Mas sobretudo o arremate superior em forma de um golfinho estilizado numa espécie de mergulho retorcido, para que o pegássemos  pela sua cauda em leque, para balançar a campânula  e agitar o badalo de prata pra fazer soar aquele tinir agudo, quase insuportável. O animal tinha escamas e boca grotesca de peixe, tal como se viam nos mapas antigos nalguns livros da biblioteca de meu pai, desenhos a partir das descrições dos navegantes que não sabiam descrever bem esses animais estranhos e que também confundiam as baleias com o Leviatã. Esse era o sininho, ou campainha, que minha mãe usava para chamar-nos para o almoço, e que devíamos obedecer como a maior das regras. Uma regra sagrada. Minha mãe a inventara para não se igualar às outra mães do nosso bairro, melhor dizendo, do nosso quarteirão de bairro paulistano pequeno burguês, e que se esgoelavam com suas vozes agudas para chamar seus moleques, à vezes distantes, no fim da quadra, brincando ou conversando besteira nas esquinas. Minha mãe, não! Era uma “lady”. Não gritaria na rua, onde jamais nem sequer levantava a voz como algumas das mães que, segundo ela, se comportavam como “lavadeiras”.&lt;br /&gt; Mulher de médico culto, ela mesma bastante ilustrada, amante de literatura francesa, minha mãe realmente destoava das mães de meus colegas de rua que me ensinavam palavrões e malícias, que aprendi mas logo rejeitei  intimamente por reconhecer-lhes a espantosa vulgaridade. Mas eu tinha que disfarçar! Na verdade era tímido e inseguro, e tinha que disfarçar o meu secreto desprezo por eles, para tentar me integrar para ser aceito, pois meu aspecto um tanto aristocrático, agora vejo, lhes infundiu suspeitas desde o início.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Vínhamos de um outro bairro, onde eu nascera e passara a minha primeira infância. Agora estávamos ali. A rua era um  play-ground de asfalto, ou melhor, uma pequena praça de guerra dos meninos e suas brincadeiras brutas, competitivas e seus códigos de honra e de macheza. Quanto a mim, era um menino louro, delicado, embora não fosse propriamente franzino. Gostava de música clássica, que era a predileção de meu pai e tínhamos em casa em pesados discos de ebonite. A vitrola chiava, e trocávamos as agulhas de metal quando começava a repetir grotescamente uma frase melódica, de maneira irritante. Meu pai amava Beethoven.  Eu também. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mas o que marcou  mesmo essa fase de minha infância foi a descoberta, ou o deslumbramento pela figura feminina na pessoa das meninas do nosso quarteirão. Que diferença dos meninos! Seres etéreos, distantes, delicados, que com seus vestidinhos quase sempre brancos, de manguinhas curtas bufantes, laço atrás, perninhas torneadas despontando de uma zona de mistério tão logo ali e tão inacessível, e terminadas por meínhas soquete e sapatinhos de fivela. Brincavam entre si e não se misturavam nunca com os meninos. Eu ficava horas vendo-as brincar seus encantadores e incompreensíveis jogos de palmas acompanhadas de versinhos rimados. Que gestos graciosos, que dança sutil e natural, meneios delicados, compassados, às vezes ligeiramente sinuosos! Sim, elas eram superiores e... eu queria ter nascido uma delas, essa era a verdade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Então, ela apareceu. Era uma menina deslumbrante, diferente da outras que já me encantavam. E elas se apagaram, esmaeceram diante da luz dessa menina excepcional, de uma beleza exótica, sim, que parecia vir de um outro mundo, desconhecido de nós todos. E realmente era assim. Filha de um americano e de uma brasileira que tinha o aspecto de uma índia mexicana (simpática e doce senhora), Thalita, era nome da pequena deusa que chegou como uma estrela em nosso quarteirão, e tudo mudou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela apareceu pela primeira vez na nossa rua, vinda uma transversal, umas dez casas abaixo de nossa esquina, uma mansão moderna, na verdade uma das poucas daquele nível em nosso bairro, daquelas que olhamos com curiosidade, senão inveja, como um lugar misterioso onde seres de outra categoria vivem suas vidas dificilmente imagináveis. Era bela, viva, esportiva e elegante. Vestia comumente a primeira calça "jeans" que vi na na vida. Aliás ainda não existiam no Brasil essas caças, e Thalita era uma pioneira também nesse sentido. Calças de cor “índigo blue”, como ela nos ensinou, e que por si só nos deslumbravam. Mas, ah! seu corpo, esguio para a idade, bem feito e com uma cintura fina, bundinha saliente, arrebitada (coisa que nas outras meninas não era muito notada) modelada pela calça justa, coisa que nunca tínhamos visto até então. Ela logo se impôs nos jogos de rua dos garotos, introduzindo a “queimada”, que não conhecíamos, e do qual as outras meninas não ousavam participar devido à violência das boladas, em que os meninos se esmeravam, em especial sobre ela, a femeazinha, como certa afirmação de nossa masculinidade. Mas ela agarrava as bolada com grande habilidade e reflexos nada comuns às garotas, pensávamos nós. Foi também a introdutora dos patins de rodas, em que se exibia quase como uma profissional, a nosso ver, pois girava e conseguia patinar de costas. Thalita era um portento, uma espécie superior vinda de algum outro planeta.&lt;br /&gt;Não preciso dizer que me apaixonei imediatamente por essa menina fascinante e integralmente bela. Eu iria viver o maior e mais puro e solitário amor romântico que me seria dado experimentar na minha vida. &lt;br /&gt;E então... ali naquela rua, naqueles dias, começaram meus precoces sofrimentos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah!  Quanto sofrimento cuja inutilidade eu iria constatar somente vinte anos mais tarde!..  Quantas lágrimas, planos não executados, hesitações, recalques, auto-repressões dolorosas! &lt;br /&gt; E erros, também, lamentáveis erros infantis.  Por exemplo: um dia, durante o jogo de queimada, cometi uma falta e ela se aproximou indignada, disse coisas de que não me lembro mais,  virou-se para prosseguir. Eu, hipnotizado que ficara com seu olhar  furibundo, ao vê-la de costas não resisti, ai de mim, e dei-lhe um tapa de mão  cheia naquela bundinha atrevida e tão tentadora (essa era a verdade). Ah! Para quê...  Ela virou-se como um raio e me deu um tapa violentíssimo, e com uma unha afiada, de lambuja,  e que quase me derrubou, como um soco. Eu  cambaleei, tentando me equilibrar, pateticamente. Chocado, pus a mão no rosto que já sangrava com um grande arranhão, como eu iria logo conferir dentro de casa, ao espelho, onde envergonhado me recolhi me auto-expulsando do jogo.  Durante a semana inteira seguinte eu iria ostentar uma cicatriz no rosto, carregada com um estranho misto de perplexidade, vergonha e orgulho, como um troféu de guerra, e de amor... Eu tinha também conhecido a força da dignidade feminina, tão precoce em  seu orgulho implacável.  Eu não iria ser jamais um “cafajeste” (como eu ouvia os adultos dizerem de certos homens).  E eu me prostraria aos pés dessas pequenas deusas. Eu haveria de fazer delas minhas musas, mesmo que precisasse vez por outra me defender de sua subjacente e antiga tirania... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então começou a agonia. Eu a via quase todos os dias, e aqueles em que ela não aparecia eram vazios e nostálgicos. E sua presença era um misto de êxtase e dolorosa observação de seus mínimos gestos e olhares. Ela era tão natural!... Quanto a mim tinha perdido minha naturalidade e me sentia travado, em perpétuo suspense, esperando... Esperando o quê? Não sabia, e me sentia no escuro, no coração das trevas de um amor romântico mas sem definição, mais no mundo dos instintos, do inconsciente, do que de uma razão ainda incipiente, em formação. &lt;br /&gt;Em compensação, todos os parâmetros de cavalheirismo, de velada corte, estavam presentes, talvez assimilados pelo meu contacto com os livros, com os clássicos e sua literatura cortesã. Sim eu era um romântico, mas não daquele romantismo dos anos 50 onde estávamos, mas de um tempo mais bem mais recuado, século ou XVIII ou XIX, no mínimo. &lt;br /&gt;Estávamos nos nossos doze anos e começavam os bailinhos de pré-adolescentes. Thalita foi a primeira a organizar esses saraus em sua casa, em que o pai americano nunca estava, graças a Deus. Na verdade ele nunca foi visto por ninguém e era um mistério. Thalita nunca se referia a ele, e a presença de um pai americano em sua vida só era percebida pelo fato de que ela estudava no Graded School, e falava o nome das estrelas de Hollywood com aquele sotaque das meninas americanas mesmo, estranhamente enrolado, que a nós, garotos brasileiros, paulistanos, soava um pouco esnobe, e nos inibia pois jamais poderíamos falar assim, éramos subdesenvolvidos, eu assim me sentia, nitidamente, diante dela, a pequena deusa semi-americana do nosso quarteirão... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, voltando aos bailinhos, devo confidenciar minha primeira memória erótica, se posso assim dizer, relativa à minha pequena Musa. Lembro-me de como, depois de muita hesitação fiz o convite segurei a sua mão (!!) e cingi a sua cintura pela primeira vez, para dançar um fox ou um bolero no baile de seu aniversário, em sua casa. Que emoção, que calor me subiu o corpo... eu tremia! E então, ao aproximar meu rosto do seu, eu aspirei o seu perfume... e ele permanece até hoje nas narinas da minha memória. Acreditem: eu sinto ainda hoje, 58 anos depois, esse perfume subitamente vindo a mim quando menos espero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me também de que, convidado para uma festa de São João em sua casa, minha mãe se esmerou em me fantasiar de caipira, com lenço vermelho no pescoço, camisa xadrez, chapéu de palha desfiado, bigodinho pintado a carvão com rolha, e tudo mais. Ao chegar assim na casa dela, não encontrei ninguém mais fantasiado, muito menos a minha deusa, e foi um vexame, uma vergonha incrível, uma humilhação para o garoto tímido e orgulhoso que eu era. Foi o que hoje em dia chamaríamos "pagar um mico". Bati em retirada e cheguei chorando de raiva, revoltado contra minha mãe, que mais uma vez caiu numa gargalhada, me abraçando, me acariciando o cabelo, e assim me desarmando. Mais uma vez tive que rir junto com ela. E acabamos às gargalhadas, eu rolando no chão de rir de mim mesmo. Graças a Deus, minha mãe tinha um maravilhoso distanciamento literário da vida ou a verdadeira perspectiva dela, que herdei... e isso me salvou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, ah! Entre tantas lembranças, a mais emocionante, e tátil, que  impregnou  meu corpo todo para sempre, foi quando convidado para brincar em sua casa, que tinha um imenso gramado nos fundos cercados de árvores e jardins, começamos um pega-pega disfarçadamente erótico em que fingíamos lutar, e eu a derrubei na grama e rolei com ela terminando por cima. Ela lutava como uma pequena leoa e eu a subjuguei, meu corpo sobre o dela em toda extensão, sentindo suas coxas roliças nas minhas, e sobretudo o seu púbis no meu, segurando seus pulsos para cima colados no solo enquanto ela forcejava, falsamente furiosa, eu percebi. Então fui descendo, olhos nos olhos, os dela fuzilando, aproximando meu rosto do dela, minha boca da sua, sentindo o seu hálito doce, perfumado e... a beijei, acreditem ou não.  Ah! Aí ela pareceu ficar furiosa mesmo... e me empurrou de cima com tal força que fiquei caído ao lado dela por uns segundos, em êxtase e susto, ofegantes os dois, enquanto ela, soerguida, apoiada nas palmas me olhava fixamente nos olhos. Então ela se levantou e correu para dentro de casa. Eu também me levantei e saí, confuso, mas com o coração palpitante, pelo jardim de minha deusa,  até o portão e voltei para casa sonhando sem imagens, só emoções, somente uma infinita ternura, um amor que doía fininho, como uma lâmina que entrava lentamente no meu coração de menino... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí em diante eu não teria mais um único pensamento que não fosse relacionado à minha pequena deusa, a menina amada de minha alma. E mergulhei morbidamente num estado de dor permanente, numa embriaguês de amor sem esperança (ah! se eu soubesse, então, que estava enganado, que havia, sim, esperança!...) Mas eu interpretara erroneamente a sua reação, a sua indignação, a sua súbita retirada, pois não nos vimos por uma semana inteira depois daquilo. Eu achei que me precipitara, que tinha sido atrevido, que tinha agido como um “cafajeste”, conforme os conceitos vigentes naquela época. Eu a beijara à força! Eu era culpado! Como fui fazer uma coisa assim? Eu era um ridículo! Como eu poderia esperar ser amado por uma garota assim tão superior?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, chegou o dia de seu aniversário. Eu tinha acabado de chegar dos jogos de rua, morávamos num sobradinho modesto, desses geminados, e no andar de cima, no quarto de meus pais, minha mãe notou que minha calça estava descosturada num certo ponto e pediu-me que a tirasse para ela costurar. Eu fiquei de cueca samba-canção, ali de pé diante dela esperando o concerto ficar pronto, ela sentada na cama com agulha e linha. Subitamente ouvimos a voz da Thalita, chamando minha mãe ao mesmo tempo que subia rapidamente a escada: “Dona Helena! Dona Helena!” Em pânico, mal tive tempo de esgueirar-me para trás da porta e ela entrou: “Dona Helena, eu vim trazer o convite da minha festa de aniversário para o Guilherme e as meninas.”- disse ela estendendo um envelope cor de rosa. Minha mãe olhou em volta e disse: Ué... ele estava aqui agora mesmo! Sumiu... que coisa! Você não cruzou com ele aí no corredor:” -Não, não o vi, dona Helena... (minha mãe, com os olhos postos na costura não percebera a minha manobra, e ali estava eu atrás da porta, de cueca, suando frio, sentindo que eu morreria se minha deusa me pegasse assim, sem calças,escondido atrás da porta, tremendo, ridículo para a eternidade. &lt;br /&gt;Thalita logo se despediu depois daquelas indefectíveis palavras: -“E como vai a sua mãe? Que beleza! Você fará treze anos? Que linda idade! (cada palavra prolongava minha agonia). &lt;br /&gt;Thalita saiu da zona de perigo, desceu a escada e ganhou a rua. Eu empurrei a porta e desabei a chorar, mas ali, de pé, diante de minha mãe surpresa, de olhos arregalados: “Ué você estava aí?” e logo entendendo tudo soltou aquela gargalhada redentora, a maior que vi, dela, em minha vida... e me abraçou: “Ah! Filho... vem cá! Eu entendo...” e ria, ria, enquanto eu chorava e ria ao mesmo tempo, profundamente aliviado: minha amada não me pegara sem calças, de cuecas... eu me salvara! Ainda haveria esperanças...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A verdade é que meu romance infantil, de um jeito ou de outro se desenvolveu, embora naquele ambíguo tom de amizade que não satisfaz jamais um coração amante, e mais o exaspera, produzindo uma espécie de ferida que não cicatriza, sempre arranhada, sempre sangrando, com perigo permanente de degenerar numa infecção. Eu sofria quando estava diante dela e sofria quando distante. Tentei infantilmente um meio de comunicação, construindo um bondinho teleférico miniatura, muito engenhoso, feito com o brinquedo de construções Mecano, e estendendo um longo barbante grosso desde uma pequena torre perto da janela de meu quarto, atravessando por cima da rua à altura de um andar superior de sobrado e passando por cima de quintais (que tive de invadir pulando muros, para instalar) até a janela do quarto dela nos fundos da casa, dando para o jardim, e onde ela amarrou a ponta do “cabo”. Uma pequena manivela enrolava o cabo que passava por uma roldana lá na “torre” da minha amada. Eu colocava bilhetes com mensagens no bondinho e o conduzia até lá com o giro paciente da manivela. É claro que meu sistema provocou vaias e gozações dos outros garotos lá embaixo, na rua, que deram um jeito de sabotá-lo lançando pedras amarradas em longos barbantes de pipas que pescando meu fio o partiram, derrubando e destroçando meu pequeno teleférico. Um dos meus bilhete caiu-lhes nas mãos, foi disputado e rasgado, mas ainda assim lido fragmentariamente em tom caricatural e malicioso pelos garotos, produzindo mais vergonha a este pobre e desajeitado Romeu dos primórdios da comunicação tecnológica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo reconhecer que minha paixão de infância repousava no fato de que Thalita era muito superior às outras meninas do quarteirão, e isso dava a ela esse caráter de jovem musa, de pequena diva. Entretanto sabemos que o amor é um processo subjetivo, e não exige tantas qualidades do objeto amado para existir, e comumente mesmo lhe empresta algumas inexistentes: “Quem ama o feio”... Mas a cada nova prova, mais meu coração a confirmava, e eu sofria com a inacessibilidade da minha eleita, de quem eu nem sabia, na verdade, o que esperar, o que desejar. &lt;br /&gt; Um dia as meninas resolveram montar um teatrinho na garagem da casa de uma delas, que, com os portões abertos para a rua, produziu uma pequena platéia dos garotos na calçada, e de algumas meninas mais tímidas, que não participariam, isto é, não tiveram coragem de se  exibir para os moleques. Espantei-me de ver que a Olívia, pobre Olívia, que os meninos chamavam de “Olivia Palito”, a mais feinha e desajeitada delas, estava no elenco de dançarinas que iriam se apresentar juntas numa coreografia (na verdade eu ainda não conhecia esta palavra) dirigida pela Thalita, que, naturalmente, seria a primeira bailarina, a estrela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando soou a música americana de um disco na vitrola e se abriu a cortina improvisada, meus olhos caíram sobre minha amada e não desgrudaram mais. Eu permaneci hipnotizado o tempo todo, pela graça e elegância de seus gestos adoráveis. Ela tinha talento! (também não pensei nesta palavra). E custei a perceber os risos e gargalhadas que os meninos soltavam ao desempenho da desengonçada Olívia, que parecia uma pequena pata, às raias do constrangedor. Pobre criatura! O que foi feito da Olívia Palito, como terá sido a sua vida? Talvez, ironicamente tenha sido o mais feliz dos destinos entre elas todas. E sei por que digo isso... Vocês também saberão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando somos crianças, o tempo apresenta uma estranha ambigüidade. Parece parado, nada muda, seremos crianças eternamente, tornarmo-nos adultos parece improvável. Minha amada existiria como aquela menina linda, para sempre... Quanto a mim, não a alcançaria nunca apesar de ela estar ali, tão perto de um toque da minha mão. Mas eu não ousava tocá-la... não fóra dos bailinhos em que, então, eu a cingia pela cintura, sentindo sua mão quente na minha e... o perfume do seu rosto maravilhoso, tão próximo do meu. &lt;br /&gt;Mas o tempo passou, imperceptível. Minha hstória era estória dos meus fugazes e eternos momentos com ela, ou somente diante dela. Cada movimento, cada palavra, cada olhar... encadeados numa história solitária, sem esperança, mais dor do que prazer. E ela se tornou de súbito uma mocinha. Lembro-me que foi um choque para mim, ve-la não mais naqueles jeans, mas num vestido tubinho da moda, com sapatos de salto alto, e batom. Tão diferente, de repente. Ou eu não percebera os sinais. A transição. Thalita não brincava mais, falava de um namorado que eu nunca vira e que era da idade do meu irmão mas velho. Eu continuava um menino. Como podia ser isso? Eu ficara para trás, eu que na verdade nunca a alcançara. E o que nunca fora meu estava perdido... Thalita casou com o tal rapaz que, visto uma única vez por mim, parecia destoar tanto dela, parecia nada ter em comum com ela. Mas era rico... &lt;br /&gt;Não fui ao casamento, não mais a via, já havia tempos, ela já estava entrando no terreno das lembranças. E eu a preservaria como uma memória sagrada, por toda a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tornei-me um artista, ou já o era, não sei. Muita água correu, novos sofrimentos e algumas conquistas. Novos amores. Lentamente eu me esqueci do meu primeiro amor.&lt;br /&gt;Então, quando eu já estava nos meus quarenta anos, um dia recebi um telefonema da Thalita, que casada já há muitos anos e com uma filha moça, vinha se dedicando à arte da joalheria moderna, de prata, e ia fazer uma exposição. Falamos longamente ao telefone, e ela foi estranhamente íntima, como não o fora comigo em nossa infância. Garanti a ela que iria ao coquetel de sua exposição na galeria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então... ah! Antes não fosse! Encontrei Thalita bebendo muito, sem parar, em seu vernissage. Excitada, deslumbrada e rapidamente bêbada, tropeçando pelos degraus da galeria ao levar amigos visitantes para olhar esta ou aquela peça deixando cair o copo estrepitosamente, pegando outro drink rapidamente, das bandejas. Ela ainda conservava alguma beleza mas já se percebia umas sombras no seu rosto, e um tom macilento, doentio, de quem já bebia há muito tempo. Senti clara e nitidamente que ela era alcoólatra, e não querendo presenciar um vexame maior que poderia arruinar a imagem sagrada que eu trazia de nossa infância no meu coração, bati em retirada sem me despedir dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passaram-se alguns dias e ela me telefonou, me convidando para conhecer a sua casa, que novamente era perto da minha e eu nem sabia. Recebeu-me sozinha (marido e filha estavam viajando) e com um copo de wisky na mão mas ainda não embriagada, começou falando de sua vida, e de uma psicoterapia ou análise que fazia com um famoso psicanalista. De repente, subitamente comovida, ela disse que me amava desde a infância... que sempre me amara. Ai de mim, ela também me amava e eu nunca soubera!... Mas a essa altura eu já via os sinais de sua embriaguês e resolvi bater em retirada, não sem antes beijá-la na boca que ela me ofereceu pela primeira vez na vida, infelizmente um beijo arruinado pelo gosto e o cheiro do wisky. Saí dali muito perturbado. Meu amor se tornara uma bêbada, não era a mesma pessoa, não era a mais a pequena deusa de minha alma, a pequena Psiqué do meu quarteirão, de minha sofredora e bela infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou-se mais alguns meses, subitamente recebi o telefonema de sua filha, uma moça que nada tinha em comum com a mãe, parecendo estranhamente racional e fria e que, depois constatei, não tinha herdado a sua beleza nem de longe. A moça contou-me ao telefone, sem uma lágrima sequer, que a sua mãe se suicidara na sua frente com um tiro na cabeça, e que o velório seria naquela noite. Mas incrivelmente acrescentou detalhes chocantes: Thalita estava fazendo um monólogo provocativo, muito violento, diante dela, despejando todo o seu ressentimento por tão grande falta de afinidades, tanta incompreensão mútuas, tantas mágoas entre mãe e filha. E subitamente sacara a pistola de uma gaveta. A bala entrara na têmpora e saíra por um olho (!!!), ela contou (e essa imagem chocante permanece na minha imaginação desde então, como se a tivesse presenciado). Thalita foi levada de maca, ainda viva, morrendo a caminho do hospital, delirando poética e infantilmente, menina novamente, lembrando de sua escola, a Graded School, onde fora feliz...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando entrei no recinto do velório, o seu marido, que eu conhecera há anos atrás formalmente e nunca mais vira, chorava copiosamente e abrindo os braços dramaticamente clamou bem alto no meio de todos presentes, familiares e amigos do casal: “ELA GOSTAVA TANTO DE VOCÊ!” E me abraçou soluçando de maneira patética, me segurando, colado a mim, sua face áspera colada na minha, sua cabeça em meu ombro, enquanto eu, constrangido, acariciava as suas costas. Nada daquilo me parecia real. Eu não sentia ressonância daquilo tudo em meu coração.&lt;br /&gt;Não derramei uma lágrima sequer... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei para o enterro, segurei na alça do caixão. As lagrimas não vinham. Mas finalmente, ali, ao pé da cova, com as últimas pás de terra eu comecei a me lembrar da menina de ouro, a menina  que iluminou a minha infância, apesar de tanto equívoco, tantas barreiras que erguêramos em nós mesmos. E me lembrei de sua confissão tardia, de que ela me amava, de que me amara sempre e... afinal acreditei. Ela me fizera uma grande dádiva, não importa se a revelação foi feita em estado de embriaguês : "In vino veritas"...&lt;br /&gt; Eu poderia voltar para casa, minha infância voltara, estava tudo certo. Um artista é sempre criança, e eu poderia sempre rir de mim mesmo como minha mãe me ensinara e um artista que ri está salvo, nada mais poderá doer tanto...  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FIM&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-4339001354316704902?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/4339001354316704902/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=4339001354316704902&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/4339001354316704902'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/4339001354316704902'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2010/04/tamale-conto-de-guilherme-de-faria.html' title='THALITA  (conto de Guilherme de Faria)'/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-5762420206886763133</id><published>2009-01-12T06:21:00.000-08:00</published><updated>2009-01-15T07:43:00.427-08:00</updated><title type='text'>De Pijama (conto de Guilherme de Faria)</title><content type='html'>(conto de Guilherme de Faria, do livro &lt;strong&gt;O Navio sob os Telhados &lt;/strong&gt;)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Life, my friend, is the Nightmare...”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Cheguei esta madrugada carregando minha pequena valise. Como é gratificante retornar de uma bem sucedida viagem, entrar no edifício, tomar o elevador deserto e, chegando ao meu andar, abrir a porta e penetrar no aconchego do lar. Só me decepcionou não encontrar minha mulher e meus filhos no apartamento. Cheguei cheio de saudade e de uns poucos pequenos remorsos, é verdade... Afinal vocês sabem, trabalho é trabalho, a morte é certa, e o que tem de ser feito, tem de ser feito.&lt;br /&gt;Trato de abrir minha maleta e vestir logo meu pijama. Com certo enternecimento, confesso, visto o paletó e as calças vermelhas com estas pintinhas brancas. Foi-me dado por ela, Elisa, minha amada esposa, que aguardarei impaciente, pois deve estar na casa de algum parente, logo chegará. Quero fazer-lhe uma surpresa e não comuniquei a ela o dia e a hora da minha chegada.&lt;br /&gt;Epa! Não estou reconhecendo meus objetos! Nem esta cama. Acenderei todas as luzes. Meu Deus, este não é o meu apartamento! &lt;br /&gt;Não é possível, ou se parece comigo. Errei de andar! &lt;br /&gt;Devo sair imediatamente. Vejamos, onde está a porta de entrada. Na sei mais! Ouço, risos! Mas de onde vêm? Ah! Uma escada, só me resta ir em frente, descer por ela, não posso ser encontrado aqui, assim, não tenho outra saída..&lt;br /&gt;Oh! Santo Deus, estou num duplex. Entrei pelo andar superior! Nunca soube que houvesse disso neste prédio. –Senhoras, senhores, mil perdões. Desculpem-me, não me olhem assim, acabo de entrar por engano, sou morador de um andar acima neste mesmo edifício, não me conhecem? Deixem-me explicar. Não quero atrapalhar a festa. Quero dizer, os senhores estão chegando de alguma, não é mesmo? Estão alegres, graças a Deus, já compreenderam meu equívoco. Não, obrigado, senhorita, é muita gentileza a champanhe. Mas veja, acabei de chegar de viajem, e... amanheceu já. Sim, a senhorita é gentil. Não precisa se incomodar me conduzindo ao meu andar. Pode ser comprometedor para a senhorita. Quero dizer, estou nestes trajes íntimos, desculpe, quero dizer... Sim, por aqui... compreendo. Bela piscina a senhorita tem! Mas a senhorita não deve deixar seus convidados. Faz questão mesmo? A senhorita, permita-me dizê-lo, tem um sorriso irônico, não? Deve ser muito bem humorada. Esta situação não a constrange... Sim, entendo, por aqui, este corredor. A senhorita está quase me amparando com o seu braço, agradeço. Assim, descalço... pisando em ovos, não é mesmo? Ho, ho!... Como poderei lhe agradecer? Servir-lhe-ei um café no meu apartamento, aceita? Ah! meu Deus, ainda há gente compreensiva neste mundo. Mas , senhorita, estamos num jardim a céu aberto. Não entendo como chegaremos ao meu andar por aqui. Este portão? Ah! Sim, obrigado. Espere, não me empurre. Senhorita, SENHORITA! VOCÊ ME EMPURROU NA RUA, DESGRAÇADA! Estou na caçada, na rua dos fundos! ABRA, SENHORITA! Que significa isso? Não sou nenhum ladrão, juro! Jogue minha maleta, pelo menos! Ficou aí no andar de cima. Pelo amor de Deus! Ah! maldita... e gargalha ainda por cima. EXIJO QUE JOGUE MINHA MALETA POR CIMA DO MURO. SE NÃO, SERÃO OS SENHORES OS LADRÕES, OUVIRAM? Malditos. Não adianta, este portão não abriria nem a maçarico...&lt;br /&gt;Tenho que sair daqui e encontrar a entrada do prédio. Que rua seguir, meu Deus? O caminho mais curto... Que vergonha! A rua já está começando a se movimentar. Olham para mim. Vou disfarçar, fazer-me invisível à custa de naturalidade e descontração. Ouvi isto certa vez. Mas conseguirei? Não é do meu feitio. Não agüento, sou assim, quê posso fazer?&lt;br /&gt;Espere aí! Que escândalo é esse? E não é comigo... Um camburão de polícia! Prendem prostitutas! Que algazarra! Como poderei passar por eles? Não posso recuar agora. – Ei! Espere, Elisa! Larguem-na, miseráveis! Essa é minha esposa. Elisa! O que está acontecendo? Não senhores, não permito, entro junto, daqui não saio. Essa é a minha mulher! Deve haver um engano. Larguem-na, abram esta porta! Vamos ficar aqui mesmo ou em qualquer lugar, mas não me separo dela! Elisa, olhe para mim. Fiquem quietas, senhoras, parem de rir e de gritar. Tenham compostura. Elisa, que há com seu rosto? Está todo inchado! Seus dentes, meu Deus, todos quebrados! Já sei, você quis me vingar, atracou-se com aquela maldita, deu-lhe uma boa surra. Eu sei, Elisa, você faria isso, sim! Mas pobrezinha, o seu rosto, Elisa, o que há, que riso é esse? Você zomba de mim... Não ! Não! NÃO É VOCÊ! NÃO É ELISA! Enganei-me, meu Deus. Mais uma vez. Parem o camburão, quero descer imediatamente, abram esta porta! Não me belisquem, senhoras. Senhor Guarda, pare o carro, ouça-me! Não senhor. De pijama? Na rua? Não... Atentado ao pudor? Mas senhor... Tarado? É um engano, eu lhes juro, posso provar quem sou. Levem-me para minha casa. Mostrarei meus documentos. Estão na minha mala de viajem. Não os tenho aqui... Esperem, voltem! Posso explicar tudo. Parem, senhoras. Solte meu pijama. É de bolinhas mesmo, e daí? Não me toquem, senhoras, nunca lhes dei essa intimidade. Não ousem. Não ousem me beijar, LARGA! LARGA! Senhor Guarda, faça alguma coisa! Está bem, vamos à delegacia. Muito bem. Lá saberão tudo! Provarei tudo e terão que pedir desculpas. Alguém terá de fazê-lo. &lt;br /&gt;Chegamos? Não empurrem, posso caminhar sozinho. Não sou nenhum marginal. Por quê aqui? Com toda essa gente, esta sala enorme... Não poderiam poupar-me isso? Terei que esperar muito? Aqui, no meio dessas mulheres e desses... Olhem, o Delegado, os senhores Investigadores, estão todos aqui mesmo, nas mesas. E não posso falar ao delegado imediatamente? Está bem, fico calado. Que lugar confuso, Santo Deus. Hem? Nada, não falei nada. Estou esperando, como vê...&lt;br /&gt;Que vexame! Ser olhado com desprezo pelos mais desprezíveis cidadãos. Não me tinha ocorrido esta possibilidade. Vanitas, vanitatis... Miséria, eu filosofando! E de pijama. Sou um ser decaído, está na cara, fora da hora e do lugar... Vingam-se, fatalmente. É só isso que querem. Espreitam como répteis pela nossa queda. Nós, os burgueses, não é mesmo. Não sou um Diógenes, não quero um tonel. Quero minhas calças e meu apartamento. Parem de me olhar, malditos! Não estou nu. Tenho este pijama sobre o corpo, não vêem?&lt;br /&gt;De bolinhas, de bolinhas! Ah! a desdentada , como pude confundi-la, meu Deus. Dentes podres. Olhos pisados. Arre! Por que olham sempre para baixo? Minha braguilha... Está fechada. Sempre esteve fechada, pelo menos isso. Ah! o botão está aparecendo, maldito, é isso! Não mereço! Não mereço isso tudo! Até ontem eu estava tão digno... Mas não! Não me vencerão pelo pijama! Prometo a mim mesmo que...&lt;br /&gt;Como, senhor? Vou ser atendido. Atendido não? Interrogado? Mas... ali? Sim, com licença. Mas estão todos os Investigadores em torno da mesa... O Delegado, na cabeceira... Mas senhores, por que esta reunião geral. Desculpem-me. Está bem, só respondo... compreendo. Sento aqui nesta cadeira, longe da mesa? Mas senhores, não estou em julgamento... Estou?&lt;br /&gt;Bem, senhores, entrei no apartamento errado. Sou morador daquele prédio. Não, não. É fácil verificar.... meu apartamento é no terceiro andar. De pijama? Troquei-me antes de perceber. Não acreditam? A moça ofereceu-se para me conduzir ao meu apartamento. É verdade, juro. Oferecer-lhe-ia um café. Não! Não tive nada com a moça, mal a vi. Ela me empurrou na rua. De maldade, sim, de maldade. Minha mala, meus documentos estão lá no andar de cima. Sobre a cama. A cama? Não, não estive nela. Mas, senhores, onde querem chegar? Estupro? Não a violentei! Que é isso? Não tive relações com a moça. Onde me levam? Não acreditam numa estória dessa? Mas que estória? Quem faria isso de pijama? Não! Não invadi aquele apartamento de pijama. Não premeditei, não premeditei nada. Senhores , aonde me levam? Quê? Recolher material? Sentar-me aqui, meu Deus, que horror... Isto parece um banco de tortura, tão complicado... Baixar a calça? Senhores, que ignomínia! Recuso! Recuso-me, não posso. Quê? Não, está bem. Prefiro sentar-me nesta coisa ignóbil. Ma senhores, isto está limpo? Tenho que sentar-me nu aqui, na frente de todos? Mandem sair as mulheres e esses... N/ao? Está bem. Não me aperte. O senhor está apertando meu pênis. O que vai fazer? O senhor está me machucando. Tem prática de quê? Esperma Recente? Senhor, não adianta espremer. O senhor está vendo? Está forçando. Que horror, meu Deus. Não, é urina, um pouquinho de urina. Isso mesmo. O senhor me espremeu muito, o que quer? Urina mesmo. Para o laboratório... Ah!... pois bem, vai ver. Agora o senhor verá. Exame de urina, sim senhor... e grátis, vai ver. Está bem, calo-me, mas vai ver. Oops!...&lt;br /&gt;Que agonia!... Quanto tempo devo ainda esperar? Pelo menos posso vestir as calças do pijama? Oh! meu Deus! O que houve com o mundo? Devo estar no Inferno. É isso! Morri! Estou morto. A morte deve ser isso. A gente sente, o corpo é o mesmo, a mente também. Se não, por que seria o Inferno? Não adianta filosofar. Nunca saberei de que lado estou. É isso , nossa vida é oscilante, dos dois lados da linha. Hoje no Inferno, amanhã fora, depois novamente, nunca se sabe bem que lado é qual... Filosofando... Baboseira. Paciência, hei de sair daqui. Sou inocente. Sou inocente.&lt;br /&gt;Ah, senhor, chegou o resultado. Como? Confirmaram minha estória. Estou livre. Por incrível que pareça, o senhor diz... Claro. Oh! meu Deus, ainda existe justiça neste mundo. Eu sabia. Eu sabia. Não disse? O senhor verificou tudo. Tim tim por tim tim. O senhor está espantado? Mas o que há de espantoso num homem honesto, embora de pijama, não é mesmo? Não quer saber mais de conversa? Está cheio... Está bem. Mas o senhor viu, não viu? Talm com lhe contei.sim, saio, saio. Por aqui, está bem. Estou livre. Posso ir para casa. O senhor vai me levar, naturalmente. Não? Mas... essa escada, dos fundos... Pelo quintal? Ah...&lt;br /&gt;Senhor, que horta estranha é essa aí em baixo? Uma horta aqui, nos fundos da delegacia? As couves e repolhos parecem boiar numa... massa infecta... Hobby do delegado? Ora, vejam só. Como? Os esgotos das celas deságuam aí nesses canteiros? Ah... depois as verduras são servidas aos presos... Aqui ninguém come de graça... compreendo. É uma invenção engenhosa, não há dúvida... O moto-perpétuo, hem, o delegado descobriu o o moto perpétuo, não é isso? Opa! Este corrimão está solto. Oh! Segure-me! Oh! Não. Não. Não!&lt;br /&gt;A grade estava podre! Estou atolado! Não enxergo nada. Oh! Não... Estou enlameado de... merda. Meu Deus! EXIJO QUE ME PRENDAM!TENHO QUE IR PARA UMA CELA! COM MUITA ÁGUA! PRECISO LAVAR-ME! EXIJO SER PRESO. NÂO SAIREI ENQUANTO NÂO ME LAVAR E VESTIR! E...QUE MINHA FAMÌLIA VENHA ME BUSCAR, NA CELA! NA CELA. EXIJO! Não? Como? Não posso? Sou um maldito inocente? Desastrado? MAS EU EXIJO!!! Não? Cometerei um crime. Qualquer um. Já cometi, veja: amassei as couves do delegado! Arrancarei as couves do delegado! Veja! Veja. Mais! Mais! Pronto. Não! Não me empurre. Para onde? Esse portão? Oh! Não me empurre com essa vassoura. Deixe-me ficar. Tenho de ser preso. Preciso me lavar. Não feche. Pare, por favor. Não feche! Abra essa porta. Abra! O SENHOR ME JOGOU NA RUA! MEU DEUS, ESTOU NA RUA! NA RUA! NA MERDA! E DE PIJAMA!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; FIM&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1976&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-5762420206886763133?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/5762420206886763133/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=5762420206886763133&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/5762420206886763133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/5762420206886763133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2009/01/de-pijama-conto-de-guilherme-de-faria.html' title='&lt;strong&gt;De Pijama&lt;/strong&gt; (conto de Guilherme de Faria)'/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-1873269996655299320</id><published>2009-01-08T15:14:00.000-08:00</published><updated>2009-01-08T16:01:20.907-08:00</updated><title type='text'>VENENO PARA RATOS</title><content type='html'>(conto de &lt;strong&gt;Guilherme de Faria&lt;/strong&gt;, do livro &lt;strong&gt;O Navio sob os telhados &lt;/strong&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mulher insiste em que eu compre um mata-ratos. Não podemos continuar assim, com a casa infestada. É um perigo, ela diz. Ela exagera, naturalmente. Deve haver quando muito um camundongo por aí. Não me incomoda. Mas a ela deixa à beira do terror. É natural, nas mulheres.Façamo-lhe a vontade. Saio hoje para procurar o bendito produto, embora não saiba onde encontrá-lo, não estou acostumado.&lt;br /&gt;Andei bastante por aí, a esmo, e não consegui encontrar uma loja especializada. E os olhares, então, dos balconistas? Chamam o gerente, que por sua vez chama o dono quando este está na casa. Olham-me fixamente, e isso confesso está me fazendo mal. Dão-me vagas indicações, tal firma, talvez, é difícil... Para quê quer o senhor&lt;br /&gt;Um mata-ratos? Quase chegam a perguntar. -Para matar ratos, ora essa! – tenho vontade de gritar-lhes. Mas não vou me deixar alterar por circunstância tão ridícula. E os gerentes, meu Deus! Uns vermes que se põe na frente do balcão com ares de donos, quando deveriam estar atrás, como todo mundo sabe.&lt;br /&gt;Despistam a origem e procedência do maldito mata-ratos, como um verdadeiro complô. Logo pra cima de mim, esse clima. De mim, homem pacato e inofensivo. E digo mais, humanista! Toda a minha vida tenho sido um humanista. E a minha biblioteca está superlotada!&lt;br /&gt;Bolas, deixemos isso para lá. Tenho esperança que a minha mulher desista e esqueça os ratos. Afinal, afora isso, posso dizer que tenho um lar feliz, com as crianças, os cachorros e o papagaio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.....................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso sair novamente, minha mulher passou uma noite de cão. E eu com ela. Não conseguiu pregar o olho, ouvindo as patinhas e os guinchos dos supostos ratos. Ratazanas, ela afirma. Enormes, devorando tudo. Descendo do forro e se lançando “a uma verdadeira orgia na cozinha”. Ela me fez descer para verificar, armado no mínimo de uma vassoura. Ela jamais saberá que me detive na sala, onde abri um livro, e de onde lhe gritava palavras tranqüilizantes de tempos em tempos.. Amanhã comprarei o veneno. Não resta outra solução. Pelo menos para tranqüilizá-la de vez. Não me entendam mal, quero dizer... acabarei com os ratos quer eles existam, quer não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.....................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, após mil e uma peregrinações, consegui uma boa pasta mata-ratos. Graças ao dono de um bar que me deu a dele. Estava bem ansioso para livrar-se do produto, pareceu-me. Prefere ratoeiras, ele disse. São mais seguras e vez por outra apanham um gambá ou coisa que o valha. Não me convenceram suas razões, mas agradeci sua gentileza, ainda mais que o tubo parece novo, não foi sequer espremido e a caixa está perfeita, a bula bem dobradinha dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meti a caixa no bolso e voltei rapidamente para casa, ansioso por abri-la e desdobrar a bula, coisa que não se pode fazer por aí a esmo, sentado num balcão de um boteco qualquer. Há sempre alguém nos observando nesses lugares. Os bares já não me agradam como antigamente, não posso sequer tomar meus remédios com água mineral, sem perceber que me olham. Já notei mesmo, uma vez, alguém, talvez um policial disfarçado que se abaixou para pegar o papel de estanho das minhas pílulas anti-alérgicas, enquanto eu me afastava. Vivemos numa era inquisitorial, ninguém se iluda. Mas propícia, por isso mesmo, às Grandes Artes e à Filosofia. Como  Toledo, de El  Greco, se lembram? Como Toledo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tranquei-me no quarto e conscienciosamente retiro o tubo da caixa e desdobro a bula. Enquanto leio concentradamente as recomendações e a fórmula, observo o desenho e os dizeres impressos sobre tubo. Uma caveira, meu Deus, e duas tíbias! E um rato, naturalmente, fulminado, de pernas para o ar. Perigo, aqui diz. Deixe longe das crianças e dos animais domésticos. Precauções... veneno violento. Aqui a fórmula: Arsênico, estricnina... Basta, Santo Deus! Não me atrevo a continuar a leitura. Reparo se a tampa plástica está bem apertada. Guardo tudo na caixa novamente e vou ao banheiro lavar as mãos; aproveito para escovar os dentes e fazer um bom bochecho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.....................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurarei um lugar seguro para guardar o veneno, até segunda ordem. Vou trancá-lo à chave na gaveta da minha mesa no escritório. Parece o único lugar privado nesta casa, onde a família, as empregadas, os cachorros, o papagaio e os ratos reinam, absolutamente. Não tenho chave de mais lugar algum, com excessão da porta de entrada, naturalmente, que mantenho trancada a sete chaves. Com todos esses perigos que rondam por aí... na calçada, em frente, na rua atravancada de automóveis que passam em alta velocidade... Devo zelar pelos meus dependentes. Os livros, os cachorros, as empregadas e os papagaios.&lt;br /&gt; É preciso manter tudo sob controle. Assim tudo correu bem até hoje, embora isso me custe um esforço e um desgaste excessivos. Mas um homem é um homem. Deve saber dar ordens ao jardineiro, bem como exercitar os músculos da alma. É isso! Ponham peso, ponham peso! Sou um halterofilista da alma! As responsabilidades quanto mais se somam, mais fortalecem o espírito. &lt;br /&gt;Vou anotar isso no meu caderno de Máximas e Aforismos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.....................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Hoje à noite quando todos estiverem dormindo, poderei pôr as iscas na cozinha, desde que levante mais cedo que todos amanhã, bem entendido. Um pouco de pasta num pedaço de pão ou de queijo em cantos bem escondidos. Atrás da geladeira. Não! É um absurdo. Não se pode correr um risco desses. As crianças, os cachorros... Não há lugar onde não fucem, não se escondam, não brinquem! Que loucura, Santo Deus, pensar em aplicar essa maldita pasta. É evidente que os acidentes mortais começam por imprudências como essa. Não pensar nos outros, eis todo o perigo. Minha gaveta... É claro que não é um lugar seguro, o móvel pode ser vendido, a gaveta aberta. Entre o fundo e a gaveta... Não. Bem se pode imaginar esses móveis sendo desmontados por restauradores, no espólio das famílias. Sabe-se lá onde vão parar as coisas! Nada nos pertence no plano material. As casas, as cadeiras e as estantes estão perpetuamente em trânsito de família para família através dos anos, das gerações. Tenho bastante conhecimento da vida para prever o itinerário de uma mesa de escritório. De uma mesinha de cabeceira, até mesmo.&lt;br /&gt; Vou escondê-lo atrás de um livro na estante, bem no alto. Do meu livro de máximas, ou do Rabelais, por exemplo. Ninguém aqui lê o Rabelais há séculos. Não, não posso. Uma empregada pode cismar de desempoeirar justamente esses livros, os mais bem fornidos em segredo e poeira. Encontra a pasta... Sabe-se lá que idéias podem se passar na cabeça dessa gente. Uma tentação, um mau pensamento... Nunca sabemos a quantas andamos com as empregadas. Elas sempre nos odeiam, certamente. Têm lá os seus motivos para isso. Todos os salários são insatisfatórios. Além disso somos sempre mais odiados quando pagamos do que quando somos pagos. As revoluções começam assim. Haja vista...&lt;br /&gt;.....................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou desesperado. Devo livrar-me dessa ameaça o quanto antes. Ah! o vaso sanitário... Uma boa descarga. Não, não é seguro. Muita coisa já voltou de lá, é sabido. Os meandros hidráulicos de um vaso sanitário, quem os conhece?&lt;br /&gt;Imagino bem suas curvas falsas como de certas mulheres, suas armadilhas, seus mecanismos de defasagem e devolução. Estive para sucumbir certa vez, ao cochilar sobre o vaso. Fui despertado, felizmente pelo grugulejar do monstro, sentindo as polpas frias. Não se pode confiar nesses aparelhos, humanizados pela nossa longa e confidente convivência.&lt;br /&gt;Além do mais, os esgotos, aonde vão parar? É evidente que um tubo destes, desembocando num rio da periferia, possivelmente flutuariam sendo pescado pelos moleques. Passaria fatalmente de boca em boca como pastas de dentes ou geléia. Esses meninos são loucos por pastas de dentes, comem-nas instantâneamente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou sair à rua e livrar-me dele. Não posso devolvê-lo, despertaria suspeitas. Que devolve um veneno violento? Além do mais já não me lembro do bar onde mo passaram... Ah! O infame! Estou sendo usado, é evidente. Quem presenteia o seu próprio veneno?  E ainda por cima com aqueles ares de de generosidade e desprendimento. Oh! Meu Deus!...&lt;br /&gt;Estou andando há horas pelo bairro todo e não vejo onde possa jogar o maldito. Trago-o bem embrulhado no bolso do paletó, disfarçando o volume com a mão. Entretanto sei que me olham, não posso sequer sacá-lo sem ser notado. Fazê-lo escorregar para uma lata de lixo... Não! Os cachorros vira-latas e os mendigos não o deixariam escapar!&lt;br /&gt; Estou cheio de sobressaltos, ziguezagueando pelas calçadas, preciso disfarçar. Como pude sair à rua com um troço deste. Quisera estar em casa, imediatamente. Afastei-me muito! Passei por uns terrenos baldios... Nem pensar neles! Todos os vagabundos, gatos e malfeitores têm neles suas bases. Cairiam sobre o veneno como sanhaços, eu sei. Preciso chegar depressa, mas não posso correr, seria perseguido e cercado em segundos. Que agonia!&lt;br /&gt;Pronto, estou em casa. A porta bem trancada. Estou inundado de suor. Vou tomar um banho e dormir. Mas não me separei dele! Dormirá comigo, no bolso do pijama. Não pregarei o olho, já sei. Se adormecer, vou amassá-lo, rompê-lo: CONTAMINAREI A CAMA TODA!&lt;br /&gt;.....................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei uma noite terrível. Minha solidão aumentou devastadoramente. Não posso partilhar minha carga com ninguém aqui. Foi-me dada esta missão, a mim, que sou o homem da casa. Meu silêncio cresceu e já não encontro apoio ou desabafo pois devo manter as aparências para não assustar ninguém. Pobres frágeis criaturas...&lt;br /&gt;Perambulo pela casa, o veneno no bolso. Não posso continuar assim. Sou muito lúcido para expor-me aos perigos de uma... distração!&lt;br /&gt;É isso! Sei alguma coisa sobre a nossa vida inconsciente. Ou melhor, não sabemos nada. Pressentimos e convivemos com ela à distância da espessura de um vidro. A vitrine do Sonho... Ela nos dirige às vezes, e nos ironiza. Está sob nós como a segunda camada da pele. E não sabemos quando somos nós ou ela. Como posso responsabilizar-me até o fim? &lt;br /&gt;.....................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta noite sento-me à escrivaninha e escrevo. Dói-me a cabeça e a dor moral é maior. Tenho os olhos enevoados e escrevo. Minha resignação está ainda em carne viva, “Não culpem ninguém”... “ A mim coube a responsabilidade pela segurança de todos”...” Só faço questão absoluta da cremação”... &lt;br /&gt;Aperto o tubo que ergo na mão esquerda convulsa... SOU O GUARDIÃO DO VENENO PARA TODO O SEMPRE!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; FIM&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-1873269996655299320?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/1873269996655299320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=1873269996655299320&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/1873269996655299320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/1873269996655299320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2009/01/veneno-para-ratos.html' title='VENENO PARA RATOS'/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-3801032187906339512</id><published>2009-01-05T07:06:00.000-08:00</published><updated>2009-01-05T07:44:02.583-08:00</updated><title type='text'>Apocalipse (pintura de Guilherme de Faria )</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_rBfsaidFtAM/SWIiVs5cYNI/AAAAAAAABwg/ZZNOQXOFjhE/s1600-h/Apocalipse.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 227px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_rBfsaidFtAM/SWIiVs5cYNI/AAAAAAAABwg/ZZNOQXOFjhE/s320/Apocalipse.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5287826668711076050" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O quadro &lt;strong&gt;"Apocalipse"&lt;/strong&gt; , pintura a óleo s/ duratex, de 1964, de autoria Guilherme de Faria, medindo 170x 270cm, citada no conto "O Navio sob os Telhados", e que os vizinhos sugeriam que o autor cortasse por ser grande demais, para vender no picado...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-3801032187906339512?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/3801032187906339512/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=3801032187906339512&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/3801032187906339512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/3801032187906339512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2009/01/blog-post.html' title='Apocalipse (pintura de Guilherme de Faria )'/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_rBfsaidFtAM/SWIiVs5cYNI/AAAAAAAABwg/ZZNOQXOFjhE/s72-c/Apocalipse.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-6289029350021888936</id><published>2009-01-05T06:09:00.000-08:00</published><updated>2009-01-05T08:04:02.685-08:00</updated><title type='text'>O NAVIO SOB OS TELHADOS (conto de Guilherme de Faria )</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_rBfsaidFtAM/SWIfWzh1K6I/AAAAAAAABwY/DWU55otxGUY/s1600-h/012.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 229px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_rBfsaidFtAM/SWIfWzh1K6I/AAAAAAAABwY/DWU55otxGUY/s320/012.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5287823389136071586" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O NAVIO SOB OS TELHADOS&lt;br /&gt;(Capa de “O Navio sob os Telhados”, litografia de Guilherme de Faria)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Habito um porão inabitável. Qualquer coisa como uma toca, cujas paredes se cobrem lentamente de musgo e cujo teto poreja água a um palmo do meu crânio. Aqui trabalho. Sou observado e observo o corredor desta espécie de vila por uma meia-porta-e-janela, única fonte de luz. Antigo prostíbulo, creio, todo o beco, que não passa de cômodos a fundo e de um único lado de um comprido corredor descoberto. Uma faixa pintada no chão desemboca sob um alto portal de ferro batido com laivos de art-nouveau. Afora o portão, feiúra e miséria no corredor e dentro as portas.&lt;br /&gt;Minha atividade desperta curiosidade nos vizinhos. Gente simples, que se debruça na portinhola, fala comigo e me dá palpites. Abanam a cabeça e noto-lhes um ar de piedade e incompreensão: ”Um moço tão distinto, coitado, não deve vender nada. Também, cada coisa feia...”&lt;br /&gt;Trazem-me às vezes, carinhosamente, um prato enorme, montanhoso, de refeição operária. Arroz, feijão, couve, tutu, às vezes uma carninha, outras coisas. É engraçado.... essa gente parece comer bem. Ou pelo menos muito. Aceito, agradeço e como.&lt;br /&gt;Continuo a trabalhar. Um amigo chegado há horas e estendido em minha cama, me aponta com o dedo e um olhar neurótico seus próprios pés, incapaz de se mexer. – “Desvie os pés dos pingos d’água, ora essa!” Mas ele deixa cair a cabeça no travesseiro imundo e se resigna, os mumificados, a água escorrendo pelos sapatos.&lt;br /&gt;Há qualquer coisa de insondável nisso tudo. O hálito cavernoso de minha residência me consome...&lt;br /&gt;Os vizinhos me alertam contra Dona Gertrudes. Querem-lhe mal e vice-versa. Ela não mora no raso como nós. Vem varrendo água de muito longe, não descobri de onde, lá por cima. Meu porão tem uma fachada, vejam só, que termina bruscamente e não se vê mais nada, nem casas nem telhado acima. Estamos no rés-do-chão da Vida, creio eu....&lt;br /&gt;Uma cascata de água suja, seguida de uma frenética vassoura, despenca pela escadinha de cimento que ancora ao lado da minha porta. No fim da vassoura vem a Sapa (é como eu a chamo, mentalmente). Literalmente uma Sapa. Baixinha, gorda, esborrachada, com larga boca em curva descendente, óculos grossíssimos que lhe põem os olhos esbugalhados. E um saiote, meu Deus! Branco, rodado, muito curto para tão veneranda Sapa.&lt;br /&gt;Ela varre a imaculada e exata largura de sua faixa territorial, seu passadiço até o cais da rua. E invectiva contra a fila amontoada de latas de lixo, papéis picados e pontas de cigarro que se acumulam nos dois terços da largura do beco.&lt;br /&gt;“- Porcos imundos, gente suja, veja isso, é demais, etc.”- Dona Gertrudes me aponta a desolação poluída do beco, e pressinto que daí por diante vou se disputado como testemunha pelos dois partidos. Contemporizo. A diplomacia me cai bem, baixo que estou. Dona Gertrudes se entusiasma. Lá vem ela com um prato cheio também. E fala, como fala! Não percebo bem, mas ela me conta coisas e me convida a subir ao seu terraço, às suas plantas.&lt;br /&gt;Deixo-me levar, não há retorno agora. A Sapa ciceroneia os seus domínios, lá vamos nós! E subo. O terraço não termina aqui, é estranho...Uma passarela de madeira escala as ondulações. Estamos na superfície. Os telhados... Percorremos um corredor envidraçado que ondeia sobre tábuas estranhamente inclinadas. Mal posso descortinar a paisagem. Paisagem? Estou preocupado com o piso! &lt;br /&gt;Chegamos a um enorme galpão com madeiramento à mostra, de uma manifesta sabedoria naval. Um bom salão... Viro-me para todos os lados. Pequenos seres me observam com seus olhos de vidro e pestanas lustrosas. Por todos os lados Dona Gertrudes me presenteia com a visão de suas preciosas prendas. Bonecas e mais bonecas de plástico, industriais, monstruosas, forradas de tecidos franjados, rendas, babados, quinquilharias. Centenas de pequenos monstros rechonchudos que pressinto sobre as pregas e os bordados de uma alvura obsessiva, entre fitas e adereços cor-de-rosa e azul celeste. Arre! Por hoje chega. Despeço-me da Sapa debaixo de conselhos, advertências, mezinhas e receitas para os meus pulmões de náufrago, e volto atarantado ao meu porão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.....................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conseguirei que a água corra das torneiras? Já arranquei as vísceras das paredes, e os tubos pendem obscenamente sem resultado algum. Está tudo obstruído há séculos, como intestinos podres. _ não, não aceito encomendas, minha senhora. Faço catres e alcatres só para mim mesmo. Meu negócio é outro, está vendo? Preciso apenas de mais um banco manco e uma mesa tesa. Daí esses cavacos. Faz favor...&lt;br /&gt;- “Não, não corto esse pedaço. É grande assim mesmo. Eu sei que é melhor “após a chuva”, mas não é da minha especialidade. Cada um faz o que pode, né?  É o Apocalipse, minha senhora. O fim dos Tempos, pois é... Tá lá na Bíblia. Procure lá. Pois é...&lt;br /&gt;Não, encomenda não, me desculpe. Dinheiro, só de graça, trabalho demais, não tenho tempo, compreenda.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Droga, ai vem o Krishnamurti do número 4. Filosofia espiritualista, né seu Rodolfo? Vai bem com os paletós, compreendo. A sua solidão espiritual durante as costuras. Passar tudo a ferro, não é mesmo? As cuecas do espírito... Não se zangue, seu Rodolfo. Devagar, devagar, divaguei. Compreendo: é preciso crer para ver. Senão descamba. É mesmo. Decaímos muito, decaímos muito, concordo. O Apocalipse vai bem, obrigado. Não, não corto, não corto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da minha janela diviso o seu André sentado à sua porta gritando as maiores pragas para a sua santa mulher. A saber:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Filha da puta! Merda de vida! etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem o olho direito vazado. Ou é o esquerdo. E sanguinolento. Perdeu-o ontem na sarjeta, de onde sua mulher o recolheu para a ressaca e o desespero de hoje, estou vendo.&lt;br /&gt;.....................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noite. Marina irrompe pelo portão com armas e bagagens, os olhos arregalados e estoura em minha sala, apavorada, perscrutando a “pornela” fechada atrás de si. Ponho-me à espera também, olhando a madeira que se torna quase viva. Três minutos. Pá Pá Pá. Passo duros e bufos que se precipitam pelo corredor e se chocam contra a minha “japorta”. Ouço um vivo range de dentes através dela e a tensão muscular insuportável. Dois minutos. Marina de olhos vidrados, verrumando-os no postigo. A veneziana estala e ele se prcipita de cabeça na monha sala, meio pendurado pela cintura. Apavorado, mantenho-me heroicamente estático em sua frente, Marina, afásica, colada na parede atrás de mim. –“Alto lá!” (deixo de dizer). Estou agarrado pelos braços à altura dos bíceps por munhecas enormes e fortíssimas. Os dentes dele rangem em minha frente enquanto tomo um ar sereno e beatífico à custa de pavor. “Devo dominar o animal magnífico  com  meus olhos espiritualizados e severos...” Arre!!! Três minutos eternos de tensão e meus braços roxos quase escorrendo entre seus dedos. Ele desaba no banco à minha frente, sacudido de tremores. Uma ligeira pausa e lá vem de novo o ranger de dentes que parece nascer de algum lugar que não a sua boca, no ar, atrás de mim. Ah! Rangem agora em uníssono os dele e os da mulher-baixo-relevo-na-parede-atrás. Estou falando manso Há alguns minutos sem perceber. Repetindo frases de domador firme e amoroso, até cessar lentamente os ruídos e os passos. – CHEGA! NÃO AGUENTO MAIS! BASTA! (Ainda bem que eles foram embora juntos há algum tempo). Tenho os braços adormecidos e dou o maior esbregue na solidão do meu porão atormentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.....................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje minha cabine amanheceu verde. O teto suando em toda extensão. Envolto em vapor gelado, visto meu guarda-pó de banho. Vou ter uma conversinha com a dona Gertrudes de homem para homem. Tanta água à tona e meu chuveiro afônico... Trifásico, afásico. Raios! Afino o ouvido para a cascatinha. Lá vem ela. Pego-a na altura dos escaleres, vai ver.- Como vai, Dona Gertrudes? O Capitão voltou? É preciso manter o convés limpo, não é mesmo? Nunca se sabe...&lt;br /&gt;Ah!, é Dona Gertrudes? Gostaria de ver. Subamos. É mesmo! Tutu! Veja só...E sapatilhas! Não como Marina não, Dona Gertrudes, ela faz moderno. Essas coisas... Dançarina, pois é... Lamentável. Essas são bailarinas, hem, Dona Gertrudes? Tal e qual. Ah! A senhora fez também... Quando criança? Ah!... Não, dona Gertrudes, passos modernos, assim. Isso, vamos lá. Pois é, modernismos. Muito bem. Pelo salão todo Ah! Clássico, prefere... Pas-de-deux, não é Dona Gertrudes Pelços corredores! Saltemos! Quê? O que diria o Capitão, Dona Gertrudes? É mesmo... é preciso disciplina a bordo, concordo. Paremos, Uf, uf. É o retrato dele? Seu filho oficial... Ah! E as bonecas... Não, Dona Gertrudes, ela é do moderno. Canal 13, Pois é até mais, Dona Gertrudes, fica para outra vez. Ahoy, não é mesmo? Ah! Ah! Ahhhooooyyyy!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.....................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noite, outra vez. Todo dia, noite. Droga, Marina aqui agora. Minhas tias tinham que me fazer esta visita? Vinte anos, ou três, pelo menos. – Não, tia Judith. Sente-se aqui. Não tenho bolos, pois é. Só rum. Não querem? Sentemo-nos na cama. O tapete está fora de foco? Não, não varro. A limpeza... Aqui é o porão... Eu sei que foi a senhora que deu, Tia Mode, mas... Chama-se Marina, né Marina? Montero. Pois é. Isso mesmo. Artista. Assim, pardinha, né, tia Mode? Uma graça, não? Tia Judith, a senhora está bem? Sente-se aqui. A senhora não está bem acomodada, deve ser. Não tia Mode. Moderno. Canal 13, por aí... Maqravilhoso, não? Isso, Marina, faz para elas verem. Ligo a vitrola. Incrível, não acham? Não, não se incomodem, ela está acostumada. Contorcionismo, não é mesmo? Espere aí, eu afasto as cadeiras, podem ficar nelas, eu arrasto, hummm. Estão com pressa? Faz daquele jeito, Marina, isso!&lt;br /&gt;Ta ta ta tará-rá! Grande! Tia Mode, tia Judith! Prá quê essa pressa? Marina, pare! Dê um beijo na tia Mode, na tia Judith. Gostaram, né? Voltem sempre. Um pouco úmido, faz mal pra artrite....  Ah... canal 13, tia Judith. Canal 13!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.....................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Inalda veio me pedir que pare de riscar fósforos de noite. Os estalidos não a deixam dormir. Além disso faz mal para a minha saúde, tanto fósforo assim. É preciso dosar, ela diz. Aproveito e convido-a para jogar palitinhos. Prefere bingo. “Não, não tenho, Dona Inalda, que distração a minha! Bingo, taí...” (arrumo disfarçadamente a cama, cobrindo as manchas suspeitas.) Que diabo! Um homem tem direito de se divertir sozinho, sem prestar contas a ninguém. Minha cama está na sala, vá lá... Mas não tenho culpa do camarote estar fazendo água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Inalda parou de lançar olhos suspeitosos e sente-se mais à vontade. Velhota simpática... “É uma flauta, Dona Inalda. Não, não toco, só apito. Desde criança, Dona Inalda, quando ouvi pela primeira vez o Bartolo. “Seu Bartolo tinha uma flauta... !   Firí-rí-rí. Firí-rí-rí-rí-Fiiii-Fiiiiii!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toma chá comigo a Dona Inalda. Estamos íntimos. Da próxima vez, tomo chá com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.....................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou tirar isso a limpo. Não me dão recursos. Não há condições. Não tem almoxarifado. Água entrando, água entrando e o Capitão não vem. Dona Gertrudes que se cuide. É muita responsabilidade para uma senhora. Ainda mais em tais condições. Viúva em vida. Esperando, esperando. Raios, o Capitão está faltando com os seus deveres. Iremos a pique sem mais contemplações. Tenho vontade de precipitar as coisas. Não, não posso fazê-lo sem antes conhecermos as Ilhas, sem termos nos movido um centímetro sequer. Que humilhação, meu Deus! Que humilhante, naufragarmos aqui mesmo, ao pé do cais...&lt;br /&gt;Falta manutençãoo, é o que digo. Tenho vontade de fazer motim, para o bem da dona Gertrudes. Vou demovê-la de sua inércia tão pouco masculina. Droga, é preciso que alguém assuma o comando, nem que seja provisoriamente. Dona Gertrudes! Dona Gertrudes! Raios! Esta morta, por hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.....................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje amanheci numa vaga melancolia, e com a veia lírica. Devo mostrar meus versos ao resto da tripulação? Não estou bem certo...  Não se usa mais poemas desde o tempo das escunas, com seus mastros e tudo. Além disso, prefiro declamá-los para a Dona Inalda, que tem senso crítico e é vagamente  demodée. Cada um com suas fraquezas, não é mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “Salta espuma bravia, salta e dança.&lt;br /&gt; Como um demônio, eu lhe digo, como um demônio...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visitas novamente. Não posso. Não posso. Não estou para sociedades. Batam quanto quiserem na minha porjela. Não  tenho tempo nem dinheiro para acotovelamentos. –Merda! Vão embora!&lt;br /&gt;Boa, meia palavra bosta. É preciso controle sobre a situação. Sangue frio. Andaram perguntando por mim à Dona Inalda, ela me contou. Mas posso confiar na nossa boa camaradagem de velhos marujos. Ah! Ah! Cuca fresca, lirismo! Adoro meus serões matinais. Pena a Dona Inalda não estar aqui. Não me arrisco a sair, isso não! Com todos esses ratos de bordo, que sobem pelas amarras... que se danem! Não é hora de subirem a bordo, ratos de água doce! O navio vai a pique, sabiam?! Não, não sabem. É um segredo entre mim e a Dona Inalda. Mas devo agir. DEVO AGIR DIANTE DAS CIRCUNSTÂNCIAS HISTÓRICAS! !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.....................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho tudo preparado. Sei como retirar Dona Gertrudes da sua inércia. Pego-a hoje na lavagem do convés. Uma mãozinha, um versinho, verão! Dona Gertrudes não resiste ao entusiasmo trabalhista. Devo contribuir com minha parte, vou esvaziar meu balde de fósforos, já que aqui não tem almoxarife nem contra-mestre. Raios! E ouvido atento para a sua banheira... é o sinal. La vem ela. Lá vem ela. Dona Gertrudes! Como passa, Dona Gertrudes? Vento de estibordo, hem? E nós aqui, atracados... Vou pegar minha vassoura e um balde, espere. Vamos lá, assim é melhor. Mais água.. Vamos subir, é preciso vir trazendo lá de cima, não é mesmo? Não poupemos água. Agora os panos. Com os rodos, assim... Dona Gertudes, o porão está fazendo água, vamos descer. É preciso calafetar. Talvez um pouco de alcatrão. Vê? Assim vamos a pique. Não podemos ficar parados. Pegue ali o machado. Eu fico com este aqui. Ali, aquele banco, e a mesa. Temos muita lenha. Ateie fogo! Isso! O armário. Metamos o machado em tudo. Assim. Abaixo essa estante, os livros, ateie. Deixe-me fazê-lo. Esta cama, por quê não? Está úmida? Meta o machado ali naquela coisa. Tudo! Tudo! O Apocalipse! É preciso fazer-nos ao largo. Mais! Mais! O fogo está alto, mais ainda. Juntemos tudo. Vamos zarpar! O navio! O NAVIO! Estamos fazenda água. Ao largo! A toda marcha! Preparem os escaleres! Mais lenha, Dona Gertrudes!  MAIS LENHA! MAIS LENHA! MAIS LENHA!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FIM&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São Paulo,  1975&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-6289029350021888936?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/6289029350021888936/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=6289029350021888936&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/6289029350021888936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/6289029350021888936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2009/01/o-navio-sob-os-telhados-conto-de.html' title='O NAVIO SOB OS TELHADOS (conto de Guilherme de Faria )'/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_rBfsaidFtAM/SWIfWzh1K6I/AAAAAAAABwY/DWU55otxGUY/s72-c/012.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-5249601664461222498</id><published>2008-12-15T09:53:00.001-08:00</published><updated>2009-07-28T11:32:58.187-07:00</updated><title type='text'>Considerações sobre os 421 Sonetos Pampianos da Alma, de Alma Welt</title><content type='html'>(por Guilherme de Faria)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o, providencial para mim, mês de Julho do ano de 2001 quando conheci a poetisa Alma Welt e entrei em contato com a sua poesia, estou convencido da grandeza de seu estro e da profundidade cheia de encanto de sua abordagem literária da vida e do mundo. Mas foi a partir dos Sonetos Pampianos da Alma, que vieram à luz em 2006 me rendi completamente ao gênio da escritora. Considero esta obra como o mais importante conjunto de sonetos jamais escritos em língua portuguesa depois do de Camões. Um imenso ciclo de sonetos que se lidos em seqüência (ou não necessariamente) produz a saga da vida inteira da “guria” pampiana, de sua infância até a sua morte espantosa e romanesca naquela estância gaúcha, no extremo sul do país. Apesar do “pampianos” do título, os sonetos transcendem ao cenário,  aliás evocado como pano de fundo, de maneira magistral, pois apenas sugerido, implícito, magicamente, sem descrições. A Autora atinge o universal, e freqüentemente o metafísico, pois as contingências pessoais, inclusive geográficas, por ela abordadas podem sempre ser transportadas para o plano simbólico e mesmo arquetípico, característica somente dos poetas maiores. Sua irmã Lucia Welt comentou nalgum lugar, muito apropriadamente, que Alma seria classificada, pelo critério do grande poeta do romantismo inglês, John Keats, como “egotista sublime”, isto é, o poeta que usa a si próprio, suas circunstâncias e experiências, até mesmo sua personalidade como apoio de um salto transcendente, para nitidamente abordar, isto sim, a condição humana, no que esta tem de mais elevado, não excluindo portanto o trágico e nem mesmo patético de nossa passagem efêmera num mundo por nós mesmos construído, para o bem e para o mal. &lt;br /&gt; A portentosa série dos &lt;strong&gt;Sonetos Pampianos da Alma,&lt;/strong&gt; constitui portanto um conjunto monumental construído por infinitos momentos intimistas (o que seria uma contradição em termos, se não fosse justamente a sua originalidade) delicados ou surpreendentes que narram a vida da autora, suas origens, sua infância privilegiada no ambiente rural da estância de sua família, cercado por um vinhedo arcaico, pois presidido, por assim dizer, por um lagar evocado amiúde com encanto erótico-simbólico, quando a  autora declara, insolitamente, ter rolado nua, por pura volúpia, naquela papa rubra como o sangue: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A Alma do meu vinho (de Alma Welt)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; (3)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doces manhãs da minha juventude!&lt;br /&gt;Embora ainda viva um seu momento&lt;br /&gt;Já o sinto afastar-se em pensamento,&lt;br /&gt;Já não as posso sentir como antes pude...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outrora eu vi meu corpo se integrar&lt;br /&gt;No lago e na campina sob as chuvas,&lt;br /&gt;Mas foi ele consagrado em meu lagar,&lt;br /&gt;Que rolei nua no mingau das minhas uvas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que quando vazadas nos tonéis&lt;br /&gt;Me tornariam vinho e sua canção&lt;br /&gt;Para alguns cúmplices fiéis,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E me lembro que este tinto foi servido&lt;br /&gt;Com malícia especial por meu irmão&lt;br /&gt;Brindando a todos com o vinho proibido...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;06/12/2006 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Alma percorre todos os climas e tons da vida de sua personalidade exuberante , intensa e profunda, freqüentemente cismadora ou em  devaneio, mas logo entusiasmada, apaixonada às raias do delírio pela experiência de estar viva e tudo amar: sua terra, sua paisagem plana extraordinária, apenas ondulada de coxilhas que ela não se peja (já que isso já fora feito, como imagem tradicional, por muitos poetas gaúchos) de comparar com as ondas de um mar paralisado no tempo, o tempo metafísico da Poesia: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Soneto da Alma Nadadora ou a Nereida dos Pampas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(2)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu Pampa, oceano dos amores&lt;br /&gt;Que me viram infanta nua nestas plagas,&lt;br /&gt;Singrando entre as ervas, entre as flores&lt;br /&gt;No jardim ou nas coxilhas como vagas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que minh'alma nadadora acompanhava&lt;br /&gt;Com o olhar e o coração mergulhador,&lt;br /&gt;Imersa que ao nascer já me encontrava&lt;br /&gt;Nas ondas de um mar encantador...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui nesta soleira estou sentada&lt;br /&gt;Como atenta salva-vida numa praia&lt;br /&gt;A olhar o horizonte que desmaia,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou sonhando qual nereida num rochedo,&lt;br /&gt;Que é esta casa-grande naufragada&lt;br /&gt;Num mar de fantasia e engano ledo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;28/11/2006 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Fanal da pradaria (de Alma Welt)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; (18)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verde Pampa de minha terra natal&lt;br /&gt;Onde a alma navega entre as coxilhas&lt;br /&gt;Aos olhos do peão como um fanal&lt;br /&gt;Sobre mar pleno de encantadas ilhas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Galopes infinitos, plenitude,&lt;br /&gt;Integração cavalo e cavaleiro&lt;br /&gt;O antigo ideal de completude:&lt;br /&gt;O centauro uno e derradeiro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu mesma, peona e poetisa&lt;br /&gt;Dualidade também de que me orgulho&lt;br /&gt;Fiel pagã e grã-sacerdotisa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta porção extrema do país&lt;br /&gt;De cuja saga imersa num mergulho&lt;br /&gt;Eu volto como santa e meretriz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24//11/2006 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Agora vejam um outro aspecto desse mergulho:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando volto ao casarão (de Alma Welt)&lt;br /&gt;16&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando volto ao casarão após a lida&lt;br /&gt;É que passo a ter do mundo um panorama,&lt;br /&gt;A olhar a vida aqui da minha cama&lt;br /&gt;E sentir a minha alma agradecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vista do jardim... além, o pampa,&lt;br /&gt;Eis a minha verdade, ah! o pomar,&lt;br /&gt;O bosque, a cascata, ali a rampa&lt;br /&gt;Que leva até o vinhedo e o lagar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ser humano, eu vejo, se debate&lt;br /&gt;Perplexo, na vida e no mundo&lt;br /&gt;Procurando a superfície e não o fundo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E percebo que o homem só suporta&lt;br /&gt;O rumor e agitação, sem que se farte,&lt;br /&gt;Pelas paredes, quatro, além da porta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5/12/2006&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Compreendi ao ler este soneto, a afirmação da poetisa em conversa íntima comigo, uma vez, de que, apesar de toda a sua energia e entusiasmo “tinha passado a vida na cama...”  Isto quer dizer, que apesar sua exuberância e alegria de viver, às vezes parecida com as de uma criança,  Alma considerava que a vida se condensava e cristalizava em significado, em sentido, na contemplação ou na reflexão  posterior ao ato, ao gesto e ao impulso, coisa típica dos pensadores e filósofos, mas também dos poetas que passam a amar a Poesia, essa Tradução, tanto quanto a própria vida em si. Seria essa, talvez,  a “doença dos poetas”, aquilo que tantas vezes os abismam na morte, como uma vertigem do olhar profundo, uma tentação do espírito que conduz o corpo ao aniquilamento, por libertação, por vôo, por amor das alturas e conseqüentemente das profundezas?  Eu não teria a pretensão de  responder. Diante dos poetas maiores, ou dos trágicos, me ponho perplexo...&lt;br /&gt; Alma Welt, a sublime poetisa morreu afogada em circunstâncias misteriosas no “poço da cascata” de sua estância em 20/01/2007, no auge de seu talento e beleza, mas emergiu na brancura de sua nudez resplandecente para ficar brilhando para sempre no cenário claro e escuro da nossa literatura freqüentemente trevosa e rasa, mas onde ela cintila como pura estrela que ela mesma sabia ser:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt; Estrelas que mais brilham (de Alma Welt)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;224&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me lembro do meu Vati me contar&lt;br /&gt;Que as estrelas viviam e morriam&lt;br /&gt;Depois de envelhecer e definhar&lt;br /&gt;Mas que no final, pasme! explodiam!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para de novo tudo tudo começar&lt;br /&gt;Mas em "super-nova", em brilho incrível.&lt;br /&gt;E eu então comecei a matutar&lt;br /&gt;Se não ocorre o mesmo em nosso nível&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois como estrelas que um dia pereceram&lt;br /&gt;E já não estarão na Branca Via&lt;br /&gt;No exato lugar onde nasceram&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho certeza que eu por certo voltaria&lt;br /&gt;Mesmo que outro fosse o meu pomar,&lt;br /&gt;Querendo (que vergonha!) mais brilhar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20/12/2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-5249601664461222498?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/5249601664461222498/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=5249601664461222498&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/5249601664461222498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/5249601664461222498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2008/12/consideraes-sobre-os-258-sonetos_15.html' title='Considerações sobre os 421 Sonetos Pampianos da Alma, de Alma Welt'/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-7607993201039356471</id><published>2008-04-11T08:57:00.000-07:00</published><updated>2009-01-25T06:37:18.919-08:00</updated><title type='text'>A última vez que Alma esteve aqui  (crônica de Guilherme de Faria)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_rBfsaidFtAM/SXx4eaO330I/AAAAAAAAByo/EUEWHS8rgd4/s1600-h/Detalhe+de+Eros+e+Psiqu%C3%A8.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 277px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_rBfsaidFtAM/SXx4eaO330I/AAAAAAAAByo/EUEWHS8rgd4/s320/Detalhe+de+Eros+e+Psiqu%C3%A8.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5295239725713973058" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Detalhe do meu desenho "Eros e Psiqué" reproduzido inteiro na capa do livro contos da Alma, de Alma Welt, em que a Psiqué é um retrato fiel da poetisa Alma.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estou me tornando um velho solitário. Entre meus livros, telas e papéis, pintura e desenhos, compondo meus cordéis com paixão e assim continuo em contato com o mundo. Prossigo ilustrando os poemas que Alma me envia pela Internet e montando seus livrinhos que apresentamos em kits de madeira, para leitores especiais que percebem a preciosidade dessa espécie artesanal de edição da grande poetisa.&lt;br /&gt;       Mas, quando Alma Welt se digna a visitar-me, isto é, trazer pessoalmente seus poemas e romances para eu ilustrar e prefaciar, minha solidão se ilumina. Eu renovo meus sonhos por mais muitos meses.&lt;br /&gt;          Alma esteve aqui, ontem. Ainda estou embargado (ou embriagado). A "guria" está mais bela do que nunca. E como é meiga e carinhosa! Ela chegou no fim da tarde, e depois de um profundo abraço (ah! o abraço perfumado da Alma! ) começamos imediatamente a conferir  nossas produções (as dela muito superiores e prolíferas) e a fazer planos.&lt;br /&gt;         A certa altura Alma pegou o violão e cantou, com sua linda voz macia e sussurrante a composição que a sua nova amiga Kibsel fez para um soneto seu e também a de seu amigo músico, o João Roque, para um poema seu de verso livre.  Coisas lindas!&lt;br /&gt;        Ficamos tantas horas conversando e declamando nossos poemas, que ficou tarde e eu sugeri que ela dormisse aqui. Minha mulher está viajando para Minas e tudo estava muito propício. A guria hesitou, claro, com escrúpulos. Mas exausta aceitou, já que tenho um sumiê  no escritório em que eu poderia dormir, oferecendo-lhe a minha cama. &lt;br /&gt;          Vocês, caros leitores do.... já imaginaram a minha tortura. Não preguei o olho a noite toda. Esta mulher magnífica, que já tive o privilégio de ter nos braços há alguns anos atrás, e por um ano inteiro, agora inacessível, por tudo, pelo rumo que a vida tomou...&lt;br /&gt;             Levantei-me muitas vezes para ir à cozinha beliscar bolachas doces e beber coca-cola light, para não engordar... ai de mim!&lt;br /&gt;               Até que, na alta madrugada, não resisti mais e aproximei-me da porta e abri-a  com cuidado, só para observá-la adormecida. Minha alma precisava disso.&lt;br /&gt;               Alma estava nua e descoberta (como seu costume, no verão) adormecida, eu percebi, pela luz da lua que entrava pela janela semi-aberta. Não resisti, acendi a luz confiando em que ela não despertaria. E Alma não acordou! &lt;br /&gt;             Eu pude, meus amigos, ficar ali por pelo menos quinze minutos, diante do leito, contemplando esta escultura viva do mais puro mármore de Carrara. Sua perfeição inacreditável, seus  seios pequenos, redondos, parecendo virginais, de bicos cor de rosa, seu ventre de alabastro, de suave curva terminando num montículo  de pelos dourado encimando os lábios descobertos e levemente rosados de sua vulva perfeita como uma concha perfumada (eu confesso que a auri com minhas narinas bem perto). Suas pernas compridas, magníficas, ligeiramente abertas expunham esse tesouro, e eu pude ver que estava úmida de agradáveis sonhos, que escorriam cristalinos para os lençóis (jamais os lavarei). Seus pés delicados, estreitos, compridos, de pura seda, com dedos longos e nobres, o segundo mais comprido que o primeiro como o das estátuas gregas.  Seus lábios de rosa, entreabertos, suas pálpebras de seda, seus cabelos dourados, luminosos, esparzidos... &lt;br /&gt;               Amigos, eu chorava e... não percebia.&lt;br /&gt;                A beleza feminina, nesse nível, comove, e eu creio que me nutro dela desde o nosso primeiro encontro.&lt;br /&gt;               Alma parece saber disso. Ela sabe, e veio me presentear, agora eu vejo. Veio alimentar de beleza o amigo que lentamente envelhece...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17/11/2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-7607993201039356471?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/7607993201039356471/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=7607993201039356471&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/7607993201039356471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/7607993201039356471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2008/04/ltima-vez-que-alma-esteve-aqui-crnica.html' title='A última vez que Alma esteve aqui  (crônica de Guilherme de Faria)'/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_rBfsaidFtAM/SXx4eaO330I/AAAAAAAAByo/EUEWHS8rgd4/s72-c/Detalhe+de+Eros+e+Psiqu%C3%A8.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-6716796109007761353</id><published>2008-03-26T21:16:00.000-07:00</published><updated>2008-06-23T21:48:48.703-07:00</updated><title type='text'>Sobre o erotismo em Alma Welt (por Guilherme de Faria)</title><content type='html'>(artigo de Guilherme de Faria) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             Parece-me oportuno fazer algumas considerações sobre a faceta erótica na literatura desse fenômeno literário chamado Alma Welt. A escritora vem se destacando nitidamente em sites literários da Internet,  o LL e o RL bem como nos blogs  de sua obra admnistrados pela sua irmã Lucia com a minha colaboração como ilustrador e por vezes prefaciador.&lt;br /&gt;          Observando o número de leituras de cada texto seu, coisa a que ela me convidou para analisar, percebemos juntos que o número de leituras dos seus textos eróticos excedem em muito os dos outros textos. Na verdade deve ser assim com qualquer escritor aqui do Recanto. Os textos eróticos parecem ser os mais acessados e populares. Mas o que significa isso? Vou arriscar algumas opiniões.&lt;br /&gt;            Percebemos que muito raramente os textos eróticos recebem comentários. Suponho em primeiro lugar que isso se deva ao receio do leitor se comprometer, e seu desejo de se manter anônimo e secreto, isto é, furtivo e ”transgressor”.  Por quê transgressor? Trata-se de uma questão cultural. Vivemos numa sociedade de cultura judaico-cristã, há dois mil anos. Durante todo esse tempo triunfou sobre a sociedade, moldando-a culturalmente, uma profunda “consciência infeliz” em relação ao sexo. O cristianismo, como já o fazia o judaísmo, considera o sexo como a primeira conseqüência do pecado original, antecedida apenas pelo descoberta súbita do conceito de bem e de mal. Infelizmente o sexo foi colocado do lado do “mal”, no inconsciente profundo da humanidade e isso explica o detalhe da nudez envergonhada no mito de Adão e Eva imediatamente após a sua expulsão do Paraíso, e aquelas supostas “folhas de parreiras”, na verdade caricaturais frutos de uma tradição anedótica. &lt;br /&gt;             Mas por quê, diabos, o sexo foi jogado na conta de um “pecado”, se é justamente ele que produz a vida? Bem, creio que muito já se escreveu, e se especulou sobre isso.  À luz da antropologia, por questões meramente climáticas o homem teve crescente necessidade de cobrir sua nudez para proteger-se do frio ou mesmo do sol excessivo. Mas parece que nas regiões tropicais e subtropicais não havendo necessidade disso, os homens continuaram a viver nus. Nesse momento me lembro de um episódio curioso do conto “Chuva”, das “Histórias dos Mares do Sul” do grande escritor´inglês H. Somerset  Maughan , que ninguém mais lê, em que ainda no começo do conto, um pastor luterano,  numa ilha da Oceania,  então colônia inglesa, dizia numa festa, para uma recém-chegada do  “reino”, com evidente orgulho, se vangloriando, que a maior dificuldade que tinha tido, quando ali chegara, fora a de incutir nos nativos a “consciência de pecado” para  então poder salvá-los pela catequese. Me lembro como isso causou uma revolta instintiva em mim, e uma repulsa pela estupidez humana. Assim, com todos os povos nativos e primitivos foi feita essa violentação cultural primária, como primeiro contato pelo opressor branco, europeu. &lt;br /&gt;        Mas porque faço esse extenso prólogo, se quero me referir aos textos “eróticos” da nossa escritora gaúcha Alma Welt?  Porque, me parece que é visível pelos leitores sensíveis e argutos, que a “candura” e naturalidade de sua explicitude na descrição de cenas de sexo, em que ela se coloca, com até  evidente volúpia, é  devida justamente a uma fenomenal ausência de consciência de pecado ou de culpa.  O lirismo de suas descrições de sexo explícito,  produz no leitor esclarecido, uma sensação, ou melhor dizendo, uma experiência estética. Alma Welt nos faz ver a beleza do sexo, em suas mais diferentes “performances”: hetero, homo, vaginal, oral e anal, até mesmo,como ela diz, “gloriosos ménages-a-trois” e algumas subcategorias ou parafilías brandas como a urolagnía, e o sado-masoquismo-psico-sexual leve.  Mas como, perguntaria alguém, ela pode conciliar “candura” e inocência primordiais com sado-masoquismo ou mesmo as chamadas “perversões”? Não seria isso uma contradição em termos? Justamente aí se encontra a característica única e original dessa escritora singular. Mas para entendê-la precisamos conhecer a natureza do “pathos weltiano”,  a que já  me referi em outros estudos sobre a  musa gaúcha. Creio que a explicação de sua poderosa afirmação erótica  associada à beleza, está na reação psíquica que a autora lançou mão  para  fazer sobreviver a sua sexualidade plena,  apesar de estar sendo criada na infância e adolescência por seu pai, artista culto e libertário. Numa verdadeira experiência de paganisação (se assim podemos dizer) o pianista-cirurgião Werner Friedrich Welt, fazia de sua filha predileta, Alma, uma verdadeira “cobaia” de seu paganismo ideal, subtraindo-a à influência católica, moralista e repressiva, de sua mulher, Ana Morgado Welt, a “Açoriana”. &lt;br /&gt;     A esse respeito é significativo um determinado parágrafo da própria Alma, na sua novela Ariadne, da Trilogia Mítica que ela publicou a tempos  no Recanto, em que o seu analista, o doutor Platus, (não sabemos se é uma figura real ou fictícia na história pessoal da Alma ) interpreta o episódio traumático, da estória de sua paciente, em que esta foi flagrada nua junto de seu irmãozinho também nu, o Rôdo,  no pomar, deitados debaixo da macieira sagrada de Alma (onde ela havia gravado um coração com  as iniciais A e R,  com o canivete de seu irmão, que este havia ganho do pai, e que servira para cortar o cordão umbilical de Alma). Alma conta como foram agarrados pelos cabelos, subitamente, erguidos e arrastados sob os gritos furibundos  de sua mãe, e obrigados a cobrir com as mãos “a suas vergonhas” enquanto, no caminho , chorando assustadíssimos,  eram alvo das gargalhadas dos peões. Essa experiência, altamente traumática teria destruído a sexualidade de qualquer criança, castrando-a talvez irremediavelmente para o resto da vida. Mas não a Alma. Seu pai já havia inoculado de antemão o antídoto contra o veneno da consciência de pecado, na sua obra-prima: a menina artista Alma Welt, pequena “anima-mundi”. Alma sobreviveu ao trauma, pela sabedoria da intervenção carinhosa de seu pai naquele episódio, descrito no romance A Herança. &lt;br /&gt;        Mas qual foi o mecanismo psíquico que ajudou a guria a superar a tentativa de castração por sua mãe? Trata-se do seguinte: Alma parece ter associado imediatamente o sofrimento ao sexo, mas revoltando-se o acolheu, assimilou-o para não reprimir-se ou castrar se,  isto é:  assumiu o sexo pleno e livre,  mas associando-o à dor física  assumida e procurada para maior prazer, resultando numa derivação masoquista, que a faz desejar ser açoitada até o orgasmo (pelo  rabo-de-tatu  de seu avô, que ela descobriu, já moça, numa arca do sótão do casarão familiar de sua estância pampiana.)&lt;br /&gt;        Entretanto, essa vertente sado-masoquista em evolução ainda hoje, é tão assumida, que a própria Alma a descreve e analisa  em sua obra,  num  permanente exorcismo dos demônios culturais, familiares e sociais que sitiam esta poetisa de estro incomum, super-dotada pela natureza, de talento e beleza excepcionais.&lt;br /&gt;         Venho acompanhando de muito perto, o desabrochar do talento literário desse fenômeno literário estonteante. E se alguém me pergunta como posso conhecer essa misteriosa mulher, tão arisca e arredia no plano pessoal quanto aberta e exposta no literário, e se tudo isso é verdade, a começar pela sua beleza física que começa já a tornar-se mítica, eu só posso responder como o velho morubixaba do Y-Juca-Pirama, de Gonçalves Dias :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      “Meninos, eu vi!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;05/08/2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-6716796109007761353?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/6716796109007761353/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=6716796109007761353&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/6716796109007761353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/6716796109007761353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2008/03/sobre-o-erotismo-em-alma-welt-por.html' title='Sobre o erotismo em Alma Welt (por Guilherme de Faria)'/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-7341609402381019280</id><published>2008-03-20T11:24:00.001-07:00</published><updated>2008-03-26T22:28:10.956-07:00</updated><title type='text'>SOBRE A PEÇA TEATRAL "O REI DOS URUBÚS",  DE LEO CORTEZ</title><content type='html'>Saí siderado da peça "O Rei dos Urubus" do dramaturgo e ator Léo Cortez que está sendo representada no Centro Cultural São Paulo. &lt;br /&gt;A força dramática e a eficiência dramatúrgica do texto inusitado que descreve os bastidores, às vezes o próprio set televisivo em pleno ar ao vivo de um canal jornalístico de televisão em que os os protagonistas e os coadjuvantes ( se é que os há) são os próprios jornalistas imersos em sua paixão doentia comum: a do sucesso de audiência, os altos índices que perseguem numa verdadeira "briga de foice de elevador" (para reciclar uma expressão antiga). A verdadeira carnificina psicológica e verbal que eles empreendem no dia a dia de sua atividade em torno de um programa de cunho jornalístico sensacionalista sobre personagens reais de dramas do momento, sempre histórias patéticas de paixões clandestinas testemunhadas por personagens humildes, logo acuados, ameaçados pelos protagonistas do escândalo por um lado e pela verdadeira chantagem dos jornalistas por outro. Paralelamente os jornalistas duelam entre si nos bastidores do programa e às vezes no próprio programa  em pleno ar, numa verdadeira meta-linguagem teatral,  pela liderança do programa e o "prestígio" decorrente dessa posição na hierarquia jornalística, sempre abaixo, na verdade, de um poderoso chefão da empresa, a palavra final e o verdadeiro cérebro demoníaco por trás de tudo isso, e que no entanto não aparece senão por referência e citações, pois representa, no fundo, a propria idéia das força diabólica invisível e inacessível que manipula os cordéis da nossa sociedade. O personagem representado pelo ator e dramaturgo autor da peça, Léo Cortez, se sobressai pela pujança de sua atuação, na expressividade neurótica vociferante e gesticulante (na medida certa numa grande atuação).  Ele nos faz recordar o ator Jack Nicholson em seus melhores momentos de personagens neuróticos. Faz lembrar também certos personagens de Nelson Rodrigues a  quem aliás o dramaturgo Leo deve alguma coisa, no mínimo pela admiração que sua geração tem pelo genial Shakeaspeare tupiniquim, grande mestre da chamada  carpintaria teatral, que aliás Léo Cortez maneja com surpreendente maturidade, embora seja autor jovem. &lt;br /&gt;Como eu dizia, Léo Cortez como ator é hipnótico, não deixa nosso olhar desviar-se de sua atuação sarcástica e corrosiva, cheia de nuances que vão da vociferação paroxística aos trejeitos sutis da exaustão de si próprio.  Também o ator Daniel Dottori que faz o sobrinho do chefão  que aliás se revela ao final o verdadeiro "rei dos urubus", pois o personagem Robério encarnado pelo autor  passa surpreendentemente ao papel de vítima, morrendo no palco em plena apoplexia ( boa palavra antiga para o nossos atuais enfarte ou derrame). &lt;br /&gt;Também devo ressaltar a atuação da única atriz na peça, Glaucia Libertini, que faz a jornalista apresentadora do nefasto programa, e que vestida com o característico mau gosto dessas peruas televisivas, está perfeita na sua desfaçatez e no seu "à vontade frente às cameras", mas que trai sua  fragilidade ou  vulnerabilidade  nos bastidores dominados pelas feras masculinas, mais cínicas que ela, a diva do programa.  &lt;br /&gt;Quero pois parabenizar o diretor Marcelo Lazzaratto, os excelentes atores, e saudar  Léo Cortez, esse excelente autor jovem do nosso teatro paulistano, que à frente de sua  "Companhia dos Gansos" veio para ficar com seus textos de crítica social ácida, embora humorística,  que como na sua fantástica peça anterior reduz a "escombros" a edificação das construções burguesas sobre a areia de suas mentiras, preconceitos e veleidades. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;GUILHERME DE FARIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota de edição&lt;br /&gt; (Guilherme de Faria é artista plástico, escritor e  poeta cordelista. Como editor lançou pelas suas artesanais Edições do Pavão Misterioso" seus próprios cordéis bem como a obra em versos que  prefaciou e ilustrou da grande poetisa gaúcha Alma Welt, verdadeira musa da nova geração da poesia brasileira (vide Contos da Alma (editora Palavra&amp;Gestos), na Livraria da Vila (da Alameda Lorena ), na Livraria Cultura e no IMS (Instituto Moreira Salles).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-7341609402381019280?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/7341609402381019280/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=7341609402381019280&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/7341609402381019280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/7341609402381019280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2008/03/sobre-pea-teatral-o-rei-dos-urubs-de.html' title='SOBRE A PEÇA TEATRAL &quot;O REI DOS URUBÚS&quot;,  DE LEO CORTEZ'/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-3505634379352243722</id><published>2008-02-02T02:59:00.000-08:00</published><updated>2008-02-02T03:07:18.673-08:00</updated><title type='text'>Evocação de Alma Welt (de Guilherme de Faria)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Considerações sobre a posteridade da poetisa e musa gaúcha &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passados cinco meses* do seu falecimento, arrisco-me a fazer algumas considerações e prognósticos sobre a posteridade e permanência do fenômeno Alma Welt, a grande poetisa gaúcha, inspirada intérprete da alma e cenário de sua terra natal, o Pampa, e sobretudo de sua própria vida de poeta amorosa, confessional, lírica e apaixonada. Ninguém mais do que eu pode testemunhar sobre ela, pois me orgulho de ter sido o primeiro a descobri-la, quando estava aqui em São Paulo, auto-exilada (como ela dizia) pela morte de seu querido pai, que ela chamava o “Vati”, e que tanto ela celebrou nos seus textos e poesia, com aquela nostalgia que nos comovia por sua dor e beleza incontestáveis e universais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, eu descobri, incentivei, prefaciei, ilustrei a lancei a gloriosa poetisa, consciente de ter nas minhas mãos um fenômeno raro: uma alma lírica que conseguia ser ao mesmo tempo que uma grande amorosa e uma pensadora de rara lucidez (vide seus pensamentos no Leia Livro), características em geral contraditórias ou antagônicas. Mas eu que privei de sua intimidade por algum tempo, seduzido, é verdade, inebriado e prosternado, por assim dizer, aos pés da beldade, pude contudo observá-la e analisá-la (aceditem!) malgrado a paixão que não pude e nem quis evitar, pois como sabem, mesmo sob o prisma puramente físico Alma era a mais bela mulher que meus olhos puderam contemplar nesta vida. Sua beleza resplandecia, pois a par de uma anatomia privilegiada, vinha também de dentro, tinha respaldo numa alma límpida e pura, elevada e bafejada pelas Musas, ela que se tornou por si mesma uma musa do Pampa, de sua terra e contexto excepcionais, já que filha de um estancieiro e vinhateiro, que era ao mesmo tempo um médico e um pianista, um homem culto, às raias da erudição, detentor de imensa biblioteca clássica dentro da qual ele criou sua filha predileta em contato com os deuses, os da Arte, da Literatura, da Música, da Poesia e... os outros, aqueles do Olimpo e também os do Walhalla, de sua origem germânica. Mas foi sobretudo no caldo de cultura do grande romantismo alemão, de Goethe, Schiller, Hoffmann, Holderlin, até chegar em Nietzsche e Rainer Maria Rilke, que ele alimentou a sua obra-de-arte viva: sua filha que ele considerava um presente dos deuses e que a eles deveria ser devolvida. O cirurgião-estancieiro-pianista Werner Fiedrich Welt educou sua filha como uma pequena pagã, longe o quanto possível da influência de sua esposa católica, Ana Morgado, numa experiência perigosa de criar um ser sem o senso do pecado original, livre e sem preconceitos, feita para o amor e a entrega, sem medo do sexo, e mesmo celebrando-o a cada nova “aventura”, como um dádiva dos deuses. Confesso que isto me deslumbrou e viver a minha descoberta artística, ao mesmo tempo como paixão e fruição por pelo menos um ano da carne deslumbrante de um ser de feminilidade gloriosa e poética, de beleza divina, marcou–me para o resto dos meus dias, a mim, que já não era um garoto, mas sim um homem maduro, no começo do envelhecimento que todavia foi estancado por essa experiência maravilhosa. Já narrei nosso encontro em crônicas que publiquei no Recanto das Letras, e que foram apagadas, quando fomos, eu e ela expulsos daquele site, por intriga de invejosos, que tomaram como notícia falsa o anúncio do suicídio da nossa Poetisa.&lt;br /&gt;Pessoas quiseram acreditar, talvez por defesa, que Alma era apenas ( ! ) um heterônimo meu, já que percebiam a nossa estreita ligação, e a paixão com que eu a celebrava e celebro nos meus textos a seu respeito. Entretanto devo dizer que não poderia haver maior honra do que me atribuírem a autoria de seus textos e até da criação dessa Musa pampiana (eu que sou um paulistano empedernido e enraizado!). Quem me dera possuir o talento transcendente de minha adorada Musa, que iluminou quase tardiamente minha vida de artista plástico e cordelista, no ocaso do meu percurso! Mas que injeção de ânimo (ou deveria dizer de Anima), de entusiasmo, de rejuvenescimento mesmo, esse encontro providencial me causou! Por um ano inteiro privei de sua companhia, de seu carinho, de seu amor e paixão, e porquê não dizer: do seu corpo deslumbrante e miraculosamente branco que era uma festa de prazeres e de fruição estética, como quem se deita com uma deusa, a própria Vênus (perdoem-me talvez o acesso de parnasianismo... ) Sim, quem amou e foi amado um dia por essa diva, quase não tem mais o direito de continuar a viver, senão em memória, em nostalgia, saudade e dor. Todavia, devo reconhecer que ela se deu a mim por generosidade e até por gratidão, e eu deveria, pois, me envergonhar de não ter podido abrir mão de tão imensa dádiva, pois percebo que o amor maior de sua experiência paulistana foi a modelo Aline, que ela celebrou em versos imortais. Também a jovem Andréa, com quem manteve um uma correspondência amorosa-virtual alucinante, do qual ela publicou algumas cartas belíssimas, que constituem um verdadeiro romance epistolar erótico–digital, por e.mail, que espero ver um dia publicado completo em livro, para deleite de seus leitores e admiradores. E finalmente o último grande amor de Alma, por uma sua aluna, que mereceu dela um maravilhoso “Drama lírico em 42 sonetos(cenas) e três Atos”, que ela titulou “Sonetos a Mayra” ( não sabemos se é o nome verdadeiro da pequena musa de nossa Musa), que eu ilustrei fartamente e espero conseguir editor. Alma nessa obra, como já era característica sua conta uma estória de amor através de um ciclo de sonetos curiosamente narrativos, de extraordinária pungência e inspiração lírica, cheios de paixão e erotismo. Confesso que a principio quase me causou despeito, por não ter merecido na nossa relação algo assim, uma obra equivalente que evocasse ou celebrasse de tal maneira encantadora o nosso relacionamento, e então pus-me eu mesmo a narrá-lo em algumas crônicas que publiquei naquele Recanto e aqui no nosso LL e que reconheço não lhe fazem justiça, pois estão longe do seu estro magistral, de poetisa predestinada à glória imortal.&lt;br /&gt;Agora paira um silêncio misterioso, eu sinto, sobre a querida Musa Pampiana. Não temos senão raros comentários aos seus textos aqui no Leia livro, embora possamos perceber pelo registro de acessos diários nos tópicos de seus textos no Google, que ela continua imensamente procurada e lida. Mas, por quê, eu pergunto, não a comentam, ela que foi tão louvada no RL ? Um silêncio recente pesa talvez sobre os mortos. Eu mesmo quase não ousava mais escrever sobre ela, mas como a uma criatura sagrada que não se pode nominar em vão...&lt;br /&gt;Perdoe-me, Alma, o meu longo silêncio de cinco meses, desde que nos deixou perplexos, chocados e inconformados. A sua morte deliberada, desesperada talvez, soou como uma bofetada em nossa face. Não se importava, perguntamos então naquele momento, com o nosso amor, com o nosso misto de carinho e reverência, com a nossa admiração? Como pôde partir sem um adeus, sem um bilhete aos seus leitores, aos seus admiradores e amigos? Bem... alguns de seus últimos sonetos, agora vemos, já indicavam o seu propósito, como o celebrado "A Carruagem". Ficamos perplexos e logo... revoltados. Você foi, como punição, expulsa póstuma e imediatamente, com imenso escândalo, de um site que a consagrou (e eu contigo). Logo percebi que acompanhá-la no seu relativo exílio literário era também honra e destino: não deixaria jamais a minha deusa, a pequena grande Alma, a poetisa maior que me fez cativo para a eternidade. Estarei aos seus pés, como diria a outra, Ana Cristina César, para sempre esperando, esperando um retorno, um aceno, até o fim do meu próprio exílio nesta terra, nem que seja como o que Lúcia, sua devotada irmã, testemunhou e me contou, lá no seu verde Pampa, em torno ao casarão: seu lindo e translúcido espectro vagando, vagando e nos chamando a acompanhá-la...&lt;br /&gt;Aonde, Alma? Aonde?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Carruagem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(útimo soneto escrito por Alma Welt e publicado no seu site, ora estranhamente cancelado. )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um piano toca no salão!&lt;br /&gt;Ah! E não fui eu que coloquei&lt;br /&gt;Um CD ou um velho long-play,&lt;br /&gt;Talvez seja o Vati, e então...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele voltou! Sim ele me quer!&lt;br /&gt;Vou ao seu encontro e sou mulher!&lt;br /&gt;Sim, ele vai ver que agora sou&lt;br /&gt;Pelo menos a guria que sonhou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha, Vati, há muito não me vias,&lt;br /&gt;Mas de verso em verso muito errei&lt;br /&gt;Pelo mundo, a viajante que querias...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora, com toda esta bagagem,&lt;br /&gt;Leva-me contigo, que eu irei&lt;br /&gt;Quietinha, assim na carruagem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19/01/2007&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;___________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Nota&lt;br /&gt; Agora já se passou um ano da morte da amada Alma...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-3505634379352243722?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/3505634379352243722/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=3505634379352243722&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/3505634379352243722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/3505634379352243722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2008/02/evocao-de-alma-welt-de-guilherme-de.html' title='Evocação de Alma Welt (de Guilherme de Faria)'/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-8207687146492365167</id><published>2007-11-04T07:59:00.000-08:00</published><updated>2007-11-04T08:36:52.910-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_rBfsaidFtAM/Ry31D7O5fFI/AAAAAAAAAYM/PeQ862XEpmA/s1600-h/Capa+do+Navio+Sob+os+Telhados+XX.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp3.blogger.com/_rBfsaidFtAM/Ry31D7O5fFI/AAAAAAAAAYM/PeQ862XEpmA/s400/Capa+do+Navio+Sob+os+Telhados+XX.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5129024998433455186" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Projeto de capa do livro inédito de contos de  Guilherme de Faria, escrito a partir de 1975. A diagramação é de autoria de Giovanni Meirelles de Faria sobre litografia do autor (a "lavis" em pedra da Bavária).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-8207687146492365167?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/8207687146492365167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=8207687146492365167&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/8207687146492365167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/8207687146492365167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2007/11/capa-do-livro-indito-de-contos-de.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_rBfsaidFtAM/Ry31D7O5fFI/AAAAAAAAAYM/PeQ862XEpmA/s72-c/Capa+do+Navio+Sob+os+Telhados+XX.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-4157136429720112585</id><published>2007-10-27T21:29:00.000-07:00</published><updated>2007-10-27T21:34:37.368-07:00</updated><title type='text'>A Fênix consumida  (conto de Guilherme de Faria)</title><content type='html'>(do livro O Navio sob os Telhados, escrito em 1975)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O telefone toca em meu ateliê . Apresso-me a atender, visto que a solidão e o isolamento me pesam nestes últimos meses após o término de meu casamento. Sinto-me, perdoem-me o lugar comum, “um cão sem dono .” Estou tremendamente necessitado de companhia feminina. As mulheres, espelho perfeito da alma, equilibram-me a personalidade, adoçando-me a voz e os gestos que, isolados, tendem a ficar estridentes e duros. Bem, vocês sabem...   &lt;br /&gt;         Para minha imensa surpresa, é Helga ao telefone. Minha querida Helga, amor da minha adolescência , que eu não vejo há vinte e cinco anos. Não esperava jamais que me procurasse.  Nada soube dela, de sua vida e amores, após a perda que me infligiu aos dezessete anos, quando abandonado por ela, minha namorada, entrei em profunda melancolia que durara exatos trezentos e sessen ta e cinco dias e quatro horas.&lt;br /&gt; Combinamos encontro no Trevo. Passo um pente nos cabelos que percebo já grisalhos nas têmporas e em expectativa confiante, alegremente pego o elevador, que baixa juntamente com minha memória ao momento do nosso encontro na escola, jovens e inseguros que éramos, num reconhecimento imediato, seguido de crescente paixão de minha parte, pelo menos. A jovem extraordinariamente bela, muito branca, loura, de olhos verdes rasgados, voz sumida e macia, muito suave, pousara os olhos sobre mim e pondo a mão em meu braço, dissera algo que não me lembro mas que ressoa na memória como: “agora não vamos mais nos deixar...” É claro que não deveria ser isso, mas...&lt;br /&gt; Ficávamos em suave idílio pelos corredores da escola, no pátio, na sala de aula, passando bilhetinhos um para o outro. Olhos se procurando a todo momento.                                                                         &lt;br /&gt;         Um dia um professor fez-nos levantar e galantemente dispensou-nos do resto da aula, como um consentimento respeitoso diante de seu reconhecimento da evidência de um fenômeno amoroso raro, naquela escola: uma paixão de adolescentes, que se destacava por uma intensidade pura e romântica. Saímos de mãos dadas, acompanhados de risinhos dos colegas, que não nos pareceram desrespeitosos mas quase ternos. A paixão e a beleza contaminam, atenuadamente, já notaram?&lt;br /&gt;       Sento-me à mesa do restaurante e logo em seguida a vejo entrar  Era ela! Imediatamente a reconheci em todo o esplendor original. Continuava lindíssima. Abracei-a, segurei-lhe a mão e não mais a desprendi. Olhos nos olhos, “sopramos a antiga chama”, perdoem-me o romantismo gasto. Imediatamente incendiamo-nos e a paixão estava presente novamente. Confessou-me o seu recíproco sentimento de perda  ao nos separarmos na escola, sentimento que segundo ela, perdurara. Tudo isso surpreendeu-me muito, pois julgava que ela me deixara por súbito desamor, por alguma incongruência, por falta de verdadeira reciprocidade de sua parte. Enfim, eu sofrera como um cão, frustrado em minha paixão, que acreditei solitária. Que grande mal entendido!..                                                             &lt;br /&gt;            Levantamo-nos e deixamos o restaurante  onde sou muito conhecido e pareceu-me ser seguido por olhares de aprovação dos garçons e do gerente. Já estávamos levitando.&lt;br /&gt;            Fomos direto para o meu studio, onde jogamo-nos na cama nus e possuímo-nos ardentemente pela primeira vez. Seu corpo me pareceu deslumbrante , muito branco. Seu sexo, ligeiramente avermelhado como uma boca, encimado por pentelhos dourados, visto que ela era loura verdadeira. Penetrei-a lentamente, pois ela dizia estar “muito fechadinha”, desacostumada (estava viúva há uns dois anos), segundo me contou. Pediu-me que fosse demorado, porque gostava de ficar num estado de “pasta ”, expressão que não me agradou, mas que logo incorporei. &lt;br /&gt;              Depois disso, novos encontros, telefonemas, paixão galopante, pacto, planos juras, reencontro total. &lt;br /&gt;              Combinamos viver juntos em sua cidade. Ela me apresentaria seus filhos adolescentes. Eles me “amariam”. Nós nos “casaríamos” pela aprovação de todos os seus amigos e parentes. Tinha uma mãe aristocrática segundo me pareceu pela descrição que me fez. Deveria usar chapéus de abas larguíssimas, com véu sobre os olhos e fumar de piteira, segundo imaginei, e essa nos daria a sua benção, estendendo-me a mão enluvada para que eu a beijasse.&lt;br /&gt;             Fiz as malas. Minha querida faxineira, preta velha que eu “herdara” da minha ex mulher, pois ganhara sua preferência na partilha, abanava a cabeça, desconsolada. Dizia que eu estava bobo, que era muito precipitado, que eu esperasse um pouco. Entendi mal e disse-lhe que não se preocupasse, que seu salário, estava garantido e que ela continuaria no meu apartamento-estudio, porque eu viveria cá e lá, pôr motivo de trabalho. Na verdade eu já imaginava uma nova vida, vibrante, idílica, num outro mundo, para mim desconhecido, mas que não me assustava. Estava confiante e decidido. &lt;br /&gt;               Chegando em sua cidade, tudo me pareceu belo e agradável. Recebeu-me esfuziante e logo me apresentou seus amigos. Todos pareciam encantados conosco e com a nossa história. Ela não se cansava de contar o nosso “reencontro”, com a voz e o olhar de uma menina deslumbrada. Os amigos e parentes dela recebiam-nos com aquele misto de admiração e complacência, que os apaixonados despertam nas pessoas. &lt;br /&gt;                Seus filhos: umas “gracinhas”, pareceu-me. Belos adolescentes, duas meninas que faziam doce num tacho, fios de ovos louros como seus cabelos e um rapaz  de dezessete anos, alto como uma porta, também louro como um viking, que dava saltos e mergulhava de peito, deslizando no assoalho do apartamento, treinando ininterruptamente o vôlei. Aceitaram-me logo com simpatia. As meninas me cercaram fazendo perguntas doces, nada incisivas. Estavam felizes pela mãe. Tudo muito bom... &lt;br /&gt;               Helga então levou-me a conhecer sua mãe. Não precisou apresentar-nos: nos já sabíamos tudo. Pareceu-me exatamente como eu a imaginei, só que mais aristocrática ainda, de uma maneira positiva, “nobre”. Beijei-lhe a mão como eu ensaiara antes na imaginação. Tudo se encaixava...&lt;br /&gt;               Após alguns dias em sua cama, com a aceitação dos meninos, ela manifestou o desejo de mudar-se comigo para outro apartamento, para ficarmos mais à vontade e deixar os filhos adolescentes reinarem naquele. O viking, por exemplo, mergulhava cada vez mais a toda hora, dando-nos sustos. E as meninas começavam a engordar a fios de ovos, digo, a olhos vistos.&lt;br /&gt;               Ela já encontrara um ap vazio, alguns andares acima. Espaçoso, branco como a virgindade, bem pintado, pronto para receber-nos. Assim ela poderia viver seu grande amor e vigiar os filhos ao mesmo tempo. Afinal, era uma mãe exemplar...&lt;br /&gt;                Procuramos a proprietária do ap vago, que morava no mesmo prédio. Uma velhinha simpática, que nos recebeu com carinho, no mesmo diapasão da simpatia geral, e quase adotou-nos como avó. Faria um grande desconto no aluguel, pois fazia questão de alugar para nós, um casal tão abençoado e iluminado. Saímos radiantes , elogiando a velhinha.&lt;br /&gt;                 Passaram-se alguns dias. Foi marcado o dia e a hora de assinar contrato na Imobiliária. A proprietária já se entendera com o advogado ou corretor dessa firma, que estava nos esperando lá, no centro da cidade. Alguma coisa toldava o olhar de Helga. Estava nervosa. Parece que tivera uma ligeira discussão azeda com o advogado, ao telefone. Este não estava disposto baixar o aluguel achando que nós seduzíramos a sua cliente aproveitando-nos da sua idade avançada e de sua ingenuidade.  &lt;br /&gt;                Helga entrou tensa na sala. Aquele homem ameaçava sua felicidade, pois o aluguel ficaria inacessível. A funcionária atendente correu a chamar o corretor que apareceu na sala do outro lado do balcão de atendimento. Imediatamente algo aconteceu. &lt;br /&gt;                Olhei seu rosto, o do advogado corretor, e vi nitidamente a cabeça rosnante de um lobo, os grandes caninos à mostra na bocarra arreganhada. Mas é preciso que eu diga: não era “como um lobo”, mas “o’’ lobo mesmo, real como uma alucinação. Voltei os olhos para Helga, e oh! horror! Abominação! Oh! mistérios desconcertantes da minha vida! Sua cabeça era a de um Javalí ! Enorme, com os grandes dentes de baixo saindo recurvos dos lados do focinho. Os olhinhos pequenos, vermelhos, faiscando sobre as bochechas enxundiosas, as cerdas eriçadas, rosnando em dueto temível, como uma gorda Walquíria  wagneriana diante de um Wolfried.&lt;br /&gt;                 Sentí-me  transfigurar imediatamente numa parede de gelo entre eles dois. Só assim aquilo cessaria, pensei eu. Pelo meu silêncio glacial, pela minha inércia e neutralidade extremas, lançando uma muralha sobre a linha do balcão que separava os dois inimigos constrangedores.&lt;br /&gt;                   Saímos logo dali. Não houve acordo. Eu estava confuso, consternado e mantinha a cabeça baixa no elevador. À saída, Helga virou-se para mim em pânico, quase gritando:&lt;br /&gt;                 -“ O que aconteceu?! Você não me ama mais. Seus olhos mudaram! Eu vejo! Que sucedeu? Oh! Meu Deus, você não está mais apaixonado por mim. Eu te perdi! Eu te perdi !” -  Ela quase gritava , chamando a atenção dos passantes. &lt;br /&gt;                   Imediatamente olhei-a nos olhos e oh! seus cabelos louros tinham se tornado brancos. Seus verdes olhos pareciam aguados e pequenos, espremidos na gordura do rosto. Olhei-a inteira e diante dos meus olhos a celulite tomou-a dos pés à cabeça. Toda ela se derretia diante de mim. Gorda, gasta, infeliz, em sua bulemia revelada.&lt;br /&gt;                   Eu estava consternado, envergonhado e confuso. Baixara os olhos, queria pedir desculpas. Balbuciei algo sobre um cheque afetivo sem fundos que eu sem querer lhe havia passado, mas a imagem infeliz só piorou as coisas. Tentei por outro lado, revelando meu alcoolismo longamente detido, que nos pregara uma peça. Eu devia estar numa bebedeira seca, eu não merecia confiança, era culpado. Não havia nada de errado com ela.&lt;br /&gt;                Tudo era inútil. O fenômeno realmente acontecera. Minha mente e meus sentidos me haviam ludibriado antes, mas caíra-me o véu dos olhos e agora o real se havia reinstalado em toda a sua crueldade. E isso eu não poderia dizer-lhe jamais. &lt;br /&gt;                 Gaguejava desculpas e só queria safar-me dali, sair de sua presença para sempre e refugiar-me no meu pequenino ateliê de onde não sairia mais. Pagar-lhe-ía uma indenização por danos e perdas afetivas. Mandaria um cheque todo mês para pagar-lhe aquele aluguel para que ela pudesse ter seu studio, a salvo das pequenas doceiras dos cabelos de fios de ovos e do Viking  mergulhador de assoalho.&lt;br /&gt;                 Mas estava tudo perdido para nós. A Fênix consumira-se para sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-4157136429720112585?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/4157136429720112585/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=4157136429720112585&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/4157136429720112585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/4157136429720112585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2007/10/fnix-consumida-conto-de-guilherme-de.html' title='A Fênix consumida  (conto de Guilherme de Faria)'/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-2872030217377671938</id><published>2007-10-22T08:46:00.000-07:00</published><updated>2007-12-02T07:52:32.000-08:00</updated><title type='text'>O artista quando jovem, fantasiado de hippie.</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_rBfsaidFtAM/RxzHQOXqNxI/AAAAAAAAAIY/skCkVlnM0P4/s1600-h/001.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp0.blogger.com/_rBfsaidFtAM/RxzHQOXqNxI/AAAAAAAAAIY/skCkVlnM0P4/s400/001.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5124189557589948178" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Guilherme de Faria, em 1968, como hippie numa festa à fantasia na casa do marchand Giuseppe Baccaro. Foto de autoria de Regastein Rocha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-2872030217377671938?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/2872030217377671938/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=2872030217377671938&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/2872030217377671938'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/2872030217377671938'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2007/10/o-artista-quando-jovem-fantasiado-de.html' title='O artista quando jovem, fantasiado de hippie.'/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_rBfsaidFtAM/RxzHQOXqNxI/AAAAAAAAAIY/skCkVlnM0P4/s72-c/001.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-5532646808966423042</id><published>2007-10-18T20:04:00.000-07:00</published><updated>2007-10-18T20:29:56.264-07:00</updated><title type='text'>A Herdeira de Rivera  (crônica de Guilherme de Faria)</title><content type='html'>(Crônica sobre fatos absolutamente verdadeiros escrita em 1965, e que faz parte do meu livro inédito entitulado "O Navio sob os Telhados")&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Recebo em meu ateliê uma moça que foi notícia em todos os jornais e revistas alguns meses atrás.&lt;br /&gt; Ela entra com um minúsculo chiuáua parecendo um mosquito, com grandes olhos assustados, debaixo do braço, como um apêndice saindo-lhe das costelas. Cumprimenta-me rapidamente e logo diz, como crítica, tentando ser sofisticada:&lt;br /&gt;— Seu ateliê é muito arrumadinho, não tem aquela bagunça maravilhosa e a sujeira que vi nos dos outros artistas.&lt;br /&gt;Considerei a frase antipática, mas logo percebi tratar-se de uma moça simplória que não estava à altura de suas próprias circunstâncias.&lt;br /&gt;No entanto não podia ficar sem resposta e, fazendo um esforço para não parecer blasé, disse-lhe com candura:&lt;br /&gt;— Leonardo da Vinci, que sempre me inspirou como figura, diante de um Michelangelo sujo de pó de mármore e vestido com um burel disse: “A pintura é uma arte limpa. Pinto sempre com as minhas melhores roupas”.&lt;br /&gt;A visitante piscou um pouco, ficou um segundo com o olhar parado e logo pudemos entabular uma conversação. Eis sua história somadas as notícias do jornal aos relatos de sua viva voz.&lt;br /&gt;Era uma moça comum, da classe média, interiorana. Morava em Taubaté, onde crescera e fora criada mais pela sua avó do que por sua mãe. Sua mãe tinha traços nitidamente mestiços e sua avó era completamente índia. Ela própria herdara esses traços que a desagradavam na infância, por um certo preconceito seu e das outras crianças. Todavia tinha sido uma criança comum, normal mesmo. Sua mãe morreu-lhe cedo, ainda na infância. Mulher estranha, triste, era exótica em sua beleza morena mas nitidamente estrangeira. Sua avó então a criou naquele pequeno sobrado geminado, que continha um inesperado sótão.&lt;br /&gt;Afinal, no leito de morte, a avó chamou a menina e disse: “Cristina, devo revelar-lhe um segredo, talvez um tesouro a que você tem direito. No quarto de costura, aqui em cima tem uma pequena escada levadiça que nós nunca baixamos. Agora você o fará. Suba por essa escadinha e encontrará uma pequena porta que dá para o sótão da casa, na verdade um pouco mais que um simples forro, empoeirado. Ali você encontrará uma grande arca, abra-a com alguma ferramenta, pois está trancada a chave, que se perdeu, mas com cuidado para não danificar nada. Nela está a sua herança, o tesouro que poderá mudar a sua vida”. &lt;br /&gt;Pouco depois de ter dito isso, a velha índia entrou em agonia e morreu. A moça, minha visitante, refreou a curiosidade, chorou muito, velou o cadáver da avó, recebeu as poucas visitas no velório e, depois do enterro, foi àquele quarto, baixou a escadinha, na qual pouco reparara em sua infância medíocre, e subiu-a em grande expectativa. Entrou no sótão escuro e empoeirado, encontrou uma lâmpada pendurada com um interruptor no bocal e, acendendo-a, viu-se diante da misteriosa arca, de aspecto colonial. Estava fechada, teve de arrombá-la com um cano de ferro improvisado em pé de cabra, com um esforço que lhe consumiu vários dias. O mistério e sua curiosidade cresciam. Afinal, conseguiu e, perplexa, encontrou dentro uma pilha de papéis, de vários tamanhos. Eram aquarelas e desenhos que lhe pareceram toscos e muito exóticos, se bem que essa palavra não lhe ocorreu. Era uma moça demasiado simples e comum.&lt;br /&gt;Havia também algumas pinturas sobre telas sem chassis, enroladas. Como não encontrou dinheiro, ouro ou qualquer coisa assim, decepcionada, desceu e ficou de olho parado dois dias. Depois contou a uma amiga mais esperta o acontecido e esta lhe aconselhou a procurar o velho pintor Clovis Graciano, que tinha ateliê na cidade. Ela o fez e, para sua surpresa, depois de algumas perguntas, o pintor ficou muito excitado e curioso. Foram juntos ao sótão. Clovis Graciano, folheando os desenhos e desenrolando as telas à luz mortiça da fraca lâmpada do sótão, estava estupefato, não podia crer no que via. Disse: “Menina, você não imagina o que tem aqui. Estas são obras originais e inéditas do grande Diego Rivera, pintor maravilhosos, afamadíssimo, que é uma espécie de Picasso do México. Como isto veio parar aqui?&lt;br /&gt;Diante de seu silêncio, Graciano olhou bem a moça e logo deduziu algo. Perguntou por sua mãe e, após uma enquete verbal, disse-lhe: “Minha filha, sua mãe é mexicana. Deve ter sido muito próxima de Diego Rivera. Desculpe-me, você conhece seu pai? Sua mãe vivia sozinha aqui com você e sua avó? Bem, vamos revirar os guardados de sua avó. Talvez achemos pistas”.&lt;br /&gt;Dito isso, Clovis e a moça passaram dias revirando as gavetas, arcas e armários que existiam pela casa. Após uma grande pesquisa, olhando fotos, álbuns de família, recortes de jornais e alguns livros em espanhol, Clovis chegou à seguinte conclusão: a mãe de Cristina tinha sido uma mulher belíssima na juventude e fora uma das inúmeras modelos e amantes de Diego Rivera (o grandalhão e gordo pintor, feio como um grande sapo, era irresistível às mulheres, por seu radioso talento e seu charme indescritível). Rivera, como era seu costume, ao longo de sua relação com a moça, que ele deve ter amado, presenteou-a com inúmeros desenhos, aquarelas e algumas telas, tendo notadamente, em muitas dessas obras, a própria amante como modelo. Mas havia muitas outras de interesse mais geral, como cenas mexicanas típicas, algumas épicas e até desenhos eróticos. A mãe de Cristina escondera isso tudo cuidadosamente, mesmo quando, caso terminado, se afastou do pintor e casou-se mais tarde com alguém que Cristina nunca conheceu, nem ouviu falar por alguma secreta razão. A mãe tinha vindo parar com a criança de colo no Brasil, por razões desconhecidas, junto com a avó materna da criança, estabeleceram-se em Taubaté, onde criaram a menina com simplicidade e esforço, mas com alguns recursos misteriosos, segundo pareceu ao pintor Graciano.&lt;br /&gt;O pintor entrou em contato com jornalistas e deu a espantosa notícia que repercutiu em todas as revistas e jornais importantes do país. Contactou também a galeria da velha marchand sua amiga, em que eu coincidentemente fizera minha estréia. Assim eu conhecera Cristina durante a montagem da exposição de Rivera.&lt;br /&gt;A notícia estourou como uma bomba no marasmo cultural daquela época, no que se referia a eventos internacionais entre nós. Resultado: o governo mexicano, através de sua embaixada, diante da notícia sensacional da história do tesouro de Rivera que ia ser vendido no Brasil, fez uma tentativa frustrada de embargar as obras e confiscá-las, alegando pertencerem ao patrimônio histórico e cultural do México. Não pegou. Juridicamente, legalmente, as obras eram da pequena herdeira, que os jornais tentaram glamourizar, mas sem grande sucesso, pois o fato transcendia em muito a personagem secundária e opaca. &lt;br /&gt;Entretanto aconteceu um fato romanesco, pois a estréia da exposição que atraiu os maiores compradores brasileiros e internacionais (vieram do México e dos Estados Unidos grandes colecionadores de Rivera), Cristina recebeu uma carta proveniente da cidade do México, que dizia espantosamente alguma coisa como isso (em espanhol, é claro):&lt;br /&gt;Minha filha desconhecida. Sou fulano de tal, seu pai verdadeiro. Tinha perdido a pista de seu paradeiro, quando o destino nos separou e todos esses anos me perguntei onde estaria o pequeno bebê que vi poucas vezes nos braços de sua mãe. Quero abrir-lhe meus braços, minha pequena, minha filha agora reencontrada. Venha ao meu encontro aqui, nesta casa que será a sua, nesta Cidade do México. Eu já lhe quero bem, e lhe aguardo.&lt;br /&gt;     Seu pai,&lt;br /&gt;     Fulano de Tal&lt;br /&gt;     Ministro do Comércio do Governo do México&lt;br /&gt;     Rua tal, número tal, telefone etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristina ficou curiosa e esperançosa. Como toda moça, sempre sonhara com um pai. Lá foi ela para o México com uma pequena fortuna da venda das obras da Exposição que fora um sucesso.&lt;br /&gt;Na Cidade do México, tendo avisado ao pai o dia e a hora de sua chegada ao aeroporto, foi recebida por um motorista uniformizado e com uma tabuleta na mão com o nome de Cristina, e uma multidão de fotógrafos e jornalistas, em meio ao espocar dos flashes. Com dificuldade, diante do empurra-empurra e dos microfones e gravadores, na tentativa de entrevistá-la, falou algumas bobagens, pois era na verdade bastante tola. Entrou num Rolls Royce maravilhoso, que partiu em correria para despistar os paparazzi mexicanos. &lt;br /&gt;O carrão entrou por bairros cada vez mais caros e elitistas, até entrar numa zona de absoluto esplendor, onde não havia menos que palácios em grandes áreas arborizadas. Parou diante de um verdadeiro castelo ou palácio real. Cristina saltou do carro e foi recebida por um mordomo diante de uma porta portentosa no alto de uma breve mas larga escadaria. Entrou por um vestíbulo colossal, salões, salas etc., até um escritório biblioteca, onde a esperava, disfarçando-se de ocupadíssimo, um homem alto, aristocrático, num terno maravilhoso, bem conservado, de têmporas brancas e um bigode aparado, nada mexicano. Abriu-lhe os braços exclamando: “Bien venida a su casa, hija mia”, ou coisa que o valha.&lt;br /&gt;Bem, não vou me estender mais nos detalhes dessa novela mexicana. O fato é que Cristina ficou ali e se passaram vários meses em que viu-se no meio de regras e horários muito rígidos, em meio a governantas soturnas, preceptoras, estudos e orações obrigatórias, uma multidão de empregados, muito poucos de origem índia verdadeira. Parecia estar na Inglaterra, não fosse a língua espanhola vigente. &lt;br /&gt;Um dia, afinal, não agüentando mais essa regime, a pequena prisioneira, que tinha sido criada como uma típica moça de cidade de interior brasileiro, resolveu dar uma escapada. Conseguiu descer do carro em meio a uma rua movimentada no caminho da escola e fugiu do motorista, enveredando por uma colorida e fascinante feira popular. Os índios feirantes, em suas roupas coloridas, a atraíam. Diante de uma barraca, foi abordada por um jovem, uma espécie de hippie, brasileiro por coincidência, e, cativada por sua simpatia e afinidade, convidou-o a tomar chá com ela no palácio, com a intenção de diverti-lo e deslumbrá-lo. Voltou com ele para o carro, onde o motorista a esperava preocupado. Não o deixou manifestar-se ao ver-lhe a cara perplexa diante do hippie colorido e molambento, e com um gesto e palavras imperiosas de comando, ordenou-lhe tocar para o palácio.&lt;br /&gt;Bem, vou encurtar a história. Não entrarei em detalhes quanto às reações do rapaz, muito natural e nada deslumbrado na verdade, como autêntico hippie contestador que era. Só preciso descrever a reação do pai de Cristina, o ministro que, voltando inesperadamente para casa, deparou-se com o casal sentado no chão em posição de lótus, tomando chá um em frente ao outro, rindo descontraidamente e palrando agradavelmente, na maior inocência.&lt;br /&gt;O ministro, vermelho, indignado, espumando de cólera, despejou uma catilinária castelhana de fazer tremer as colunas senhoriais do pórtico de seu palácio. Coisas como: “Indigna! prostituta maldita! Como ousas profanar o meu lar trazendo um mendigo maltrapilho e colorido para dentro destas austeras paredes etc. etc.” Não preciso dizer mais nada, vocês podem imaginar a cena.&lt;br /&gt;O que vocês não poderiam imaginar, foi a reação dos dois, que caíram na gargalhada e, dando de ombros, saíram galhardamente de mãos dadas, como uma intervenção pop no meio de um dramalhão mexicano. Quero somente ressaltar com uma pincelada o rosto quase apoplético em vias de um estouro, à beira de um enfarte, do pomposo ministro anacrônico e extemporâneo. Ufa!! Chega!&lt;br /&gt;Cristina deu as costas a isso tudo e foi viver com o hippie, esbanjando e queimando rapidamente sua pequena fortuna. Os últimos mil dólares foram gastos na compra do cachorrinho chiuáua despelado e degenerado de tanto purismo racial, sintomaticamente simbólico do fechamento de uma etapa de sua vida que não a marcaria quase nada, por inconseqüente e fútil que era. Agora me visitava com o infeliz cachorro trêmulo que não saía do seu colo.&lt;br /&gt;Percebi que a moça mergulhava lenta mas inexoravelmente na obscuridade e anonimato que a esperavam como condição natural de sua natureza medíocre (Deus me perdoe).&lt;br /&gt;Essa bizarra aventura me fez meditar sobre os estranhos “cacos” (no sentido teatral da palavra) que se intrometem no destino singelo das pessoas comuns, que não atinam sequer com o surpreendente, o surreal, o extraordinário, o romanesco de um capítulo insólito nas suas vidas despretensiosas.&lt;br /&gt;Estendeu-me a mão em despedida, dizendo:&lt;br /&gt;— Gostei da sua pintura, mas é muito limpinha e você precisa bagunçar mais o seu ateliê, foi assim que eu vi na Cidade do México.&lt;br /&gt;Sorri e apertei-lhe a mão carinhosamente, porque ela, de um jeito ou de outro, tinha me presenteado com uma fábula. Meu precioso tempo estava pago. Não estou muito certo, neste caso, quanto ao dos meus leitores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-5532646808966423042?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/5532646808966423042/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=5532646808966423042&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/5532646808966423042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/5532646808966423042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2007/10/herdeira-de-rivera-crnica-de-guilherme.html' title='A Herdeira de Rivera  (crônica de Guilherme de Faria)'/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-3465848320859069444</id><published>2007-10-06T13:55:00.000-07:00</published><updated>2007-12-24T08:25:36.791-08:00</updated><title type='text'>Festa do Divino (de Guilherme de Faria)</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_rBfsaidFtAM/Rxg1OuXqNuI/AAAAAAAAAIA/empwdjZzTiw/s1600-h/S5030244.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp2.blogger.com/_rBfsaidFtAM/Rxg1OuXqNuI/AAAAAAAAAIA/empwdjZzTiw/s400/S5030244.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5122903103215646434" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O Vale - óleo s/ tela de 50x60cm de Guilherme de Faria, coleção Flávio Pacheco, São Paulo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Festa do Divino&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Conto  sobre fatos autobiográficos e pertencente ao meu livro de contos inédito entitulado "O Navio sob os telhados", escrito entre 1965 e 1975)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Estou andando há horas pela estrada. Deixei o ônibus numa encruzilhada, pois a aldeia para onde me encaminho é tão isolada que não há condução pública para ela. Temo que caia a noite e me pegue em meio à caminhada, perdido nesta região estranha para mim. À medida que avanço, pareço recuar no tempo. Pastos, árvores, um belo vale, tudo muito deserto, e uma neblina que já começa a descer ao entardecer. Muito ao longe ainda posso perceber uma colina encimada por uma aldeia com a igreja matriz, maior, bem no topo, mas sem a distinção de tons, parecendo que aldeia e igreja brotam do relevo da colina como um acidente natural dando-lhe o aspecto misterioso de uma ruína.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acelero o passo para que a névoa da noite não me pegue na estrada. Algumas horas depois subo a encosta da colina em direção à aldeia. Estou tomado pela obsessão desse encontro há algum tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo começou há seis meses, quando em desespero, mandei Ana embora. Ou melhor, deixei-a ir com o poeta que a cortejava, embora nitidamente todo o seu ser pedisse que eu a reclamasse, que lutasse por ela, que a reivindicasse. Não pude. Eu estava esgotado. Meu navio fazia água. Naufragando eu tratava de pegar um pequeno bote salva-vidas sem ligar para mais ninguém. Era como se dissesse: “Vá com ele, salve-se. Um dia nos encontraremos”. Ele era o homem do resgate aéreo: seus pais aceitariam sustentá-los, a ele, poeta e sua escolhida, a mulher de outro, desde que ele abandonasse a Poesia e fosse trabalhar com eles ou como eles. Criariam meu bebê como se fosse dele, o filho pródigo que agora retornava. Eu era o jovem pintor, paupérrimo, em minha primeira falência existencial. Muitas outras se seguiriam. Algumas descidas ao Hades, haveria para mim ao longo de minha atribulada existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele momento não podia sustentar ninguém. Pegava madeiras velhas nos terrenos baldios para suporte das minhas pinturas. Fazia com elas, também, móveis: bancos, mesas... a cama. Puxava os encanamentos por fora das paredes, no porão onde habitava, como vísceras à mostra. Eu era o Robinson Crusoe de mim mesmo. Refazia os passos da Humanidade Ancestral. Era preciso fazer tudo com as minhas próprias mãos. Não podia delegar nada. Mais um pouco e eu começaria a caçar ratos para comer. Era preciso. Não havia ainda chegado à era das trocas, muito menos à Era do Dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora eu caminhava pela ruela, em subida, ao cair da noite, de uma aldeia parada no tempo, com seus habitantes, caipiras parados nas portas e janelas para me ver passar, estranho para eles, com meus cabelos e barba compridos, imagino. Seus olhares inescrutáveis, não revelavam nada, muito menos qualquer simpatia. Eu caminhava como o forasteiro que chega, mas contrafeito, tentando manter o passo seguro, observado de janela em janela até chegar a uma casa com a tabuleta “Pensão”, no fim da rua por onde entrara e bem perto da matriz no alto do morro. Entrei numa casa escura, térrea, de teto muito alto, iluminada com lâmpadas fraquíssimas, de uma tristeza e vazio atrozes, parecia-me. Registrei-me. Entrei no quarto e preparei-me para enfrentar a noite, em busca do amanhecer, para então procurar a casa de Ana e o poeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A insônia se anunciava. Dispus-me a passar a noite em claro, no silêncio aterrador. Na verdade ouvia-se ao longe um tic-tac de um monstruoso relógio de pêndulo, cães ladravam mais longe ainda, sapos coaxavam, mas o silêncio misterioso persistia. Minha mente repassava os últimos tempos de minha convivência com Ana e a intrusão do poeta em nossas vidas. Seis meses depois de tê-los orgulhosamente expulsado de meu quase sórdido porão, eu estava rendido, derrotado pelo remorso e pela saudade. Ana me parecia uma preciosidade perdida, como a melhor parte de mim mesmo que eu deixara amputar. É claro que eu estava doente, de culpa, de solidão, de insuficiência. Mas o amor não é assim mesmo? Ou pelo menos a paixão, que é sempre mórbida e doentia no final...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de horas de tumulto em minha mente, ouvi as doze badaladas. No relógio de pêndulo da Eternidade, talvez? Foi esse o pensamento que tive, acreditem. Um segundo após, um rojão subiu sibilante e estrondou lá fora. Em seguida, novo silêncio rompido subitamente por uma chicotada seguida do chocalhar de uma matraca que soou como o guiso sinistro de uma cascavel. Começara a lúgubre procissão. Vinda de muito longe, subia em caracol, com uma toada ou cantochão fúnebre, sem palavras: óóó, óóó, óóó...que subia e descia na escala musical, de maneira arcaica, monástica, ancestral, como um lamento de morte, de mil carpideiras, mas de vozes masculinas e graves, entremeado nas pausas pelo estalar de um chicote seguido por aquele chocalho da Cascavel do Mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava arrepiado, diante da janela fechada. Imóvel, cheio de terríveis presságios. Ao mesmo tempo, curioso, entreabri a veneziana enquanto a procissão passava em frente à minha janela. Pude ver as tochas e os capuzes cônicos altíssimos, os rostos todos cobertos por máscaras trágicas. E o chicote comprido na mão de um deles, que comandava as pausas e o chocalhar das matracas. Os encapuzados, flagelavam-se constantemente e tinham as costas nuas cobertas de sangue. Aterrorizante. Era a noite que antecede a Festa do Divino, depois eu soube. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante toda a noite ouvi o cortejo circular pelas ruelas da cidade, subindo e descendo em espiral. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda antes do amanhecer, o lamento distanciou-se abandonando a colina. Resolvi deixar o quarto e subir. Ao lado da Matriz escura, ainda em trevas com os primeiros albores muito longe no horizonte circular, encontrei um mirante natural, uma espécie de pequeno campo no topo da colina. Fiquei ali, de pé, olhando, olhando, fazendo a vista acostumar-se à escuridão para perceber as menores cintilações ou insinuações do branco das coisas deste mundo, fantasmagóricas e lívidas, antes de se colorirem com a chegada plena do sol. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A névoa enchia todo o vale, como um verdadeiro oceano de brumas. Os picos que circundavam o vale, começaram a aparecer, como ilhas no mar branco. Infinitas ilhas flutuantes. A bruma baixava lentamente, milimetricamente. Demorou uma hora para descer ao sopé das montanhas, afinal, cobrindo rasteiramente o vale, até deixar aparecer rios, várzeas, plantações, árvores, pastos e gado esparso. Um cão corria, muito ao longe, eufórico. O sol surgia por trás das montanhas e quando seu disco se destacou por inteiro, rojões partiram, sobressaltando-me. O ar se enchia de alegres estrondos, saudando o Divino Espírito Santo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dirigi-me para a casinha cujo número eu levava comigo no bolso. No caminho reparei na comprida mesa, de dezenas de metros, armada ao longo da rua, que serviria para um grande banquete popular, comunitário, do qual, certamente eu não participaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o coração ansioso e opresso, bati na porta rústica. A voz de Ana se fez ouvir através, perguntando quem era. Hesitei um pouco, antes de responder, emocionado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua voz remeteu-me ao passado, ao momento em que fui buscar nossa filha na casa da avó materna, que assustada, tinha antes se recusado a entregar a criança à própria mãe. O poeta pedira-me que eu resgatasse minha filha para entregá-la à mãe e a ele, para que pudessem partir. Cheguei com o pequeno caminhão de mudanças e fui bem recebido pela mãe de Ana que como uma leoa avó, só entregaria o bebê a mim: o pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse-lhe que a casa estava pronta( o meu porão, se ela soubesse, nunca habitável ) e que viera buscar as coisas do bebê e as de Ana. Fiz a mudança da tralha toda, enchi o caminhão, encimando tudo com a banheirinha do bebê, e então ela me entregou a criança, com mil recomendações: - “ Vida nova, hem! Juizo! Felicidades pros três! Cuide bem delas!” – ai de mim!..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parti. Na próxima esquina o poeta esperava por mim, como combinado. Desci do caminhão com meu bebê nos braços. Entreguei-o solenemente a ele. Apertamo-nos as mãos num shake-hands viril e cúmplice. Não dissemos uma palavra. Ele subiu no caminhão e partiu com ela nos braços. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana abre a porta, agora, seis meses depois, cheia de surpresa . Não me esperava jamais. – “Você?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei direto por ela e instintivamente achei o quarto de Fedra. Olhei-a atentamente, acordada em seu berço. Como era linda essa criança!... Como isso me comovia agora, apesar de eu já ter tido essa impressão quando do seu nascimento. Seus olhos azuis claros, sua cabecinha perfeita, com o sedoso cabelinho louro... e seus lábios, cheios, marcantes, perfeitamente delineados. Tirei-a do berço e abracei-a ao colo. Minha filha assustou-se e começou a chorar. O choro inquietante dos bebês... dolorido e desconcertante. Não me reconhecera. Ana gentilmente retirou-me a bebê dos braços e a repôs no berço com palavras doces e um suave schhhh... A seguir convidou-me a conversar na cozinha onde prepararia a mamadeira da manhã. O poeta não estava em casa, felizmente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei-a de perfil diante do fogão. Seu lindo perfil, tão querido... Tudo em volta, tão singelo, a casinha funcional, cotidiana. As mamadeiras sobre a pia. Cada coisa em seu lugar. Doía-me o peito. De repente, percebi o mais terrível. Seu ventre me pareceu bastante proeminente. Ela estava grávida! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu chegara tarde demais. Ana estava irremediavelmente perdida para mim.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;___________________________________________________________&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( de “O Navio sob os Telhados”, livro de contos de 1965-1974)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-3465848320859069444?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/3465848320859069444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=3465848320859069444&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/3465848320859069444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/3465848320859069444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2007/10/festa-do-divino-conto-de-guilherme-de.html' title='Festa do Divino (de Guilherme de Faria)'/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_rBfsaidFtAM/Rxg1OuXqNuI/AAAAAAAAAIA/empwdjZzTiw/s72-c/S5030244.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-2897240161931455873</id><published>2007-10-06T06:12:00.000-07:00</published><updated>2007-11-04T15:27:32.936-08:00</updated><title type='text'>Alma Welt</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_rBfsaidFtAM/RxJBc44GP8I/AAAAAAAAAFw/xFQvXgoRmbM/s1600-h/Foto+3.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp1.blogger.com/_rBfsaidFtAM/RxJBc44GP8I/AAAAAAAAAFw/xFQvXgoRmbM/s400/Foto+3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5121227690833493954" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Capa do folheto Poemas da Alma, de Alma Welt (1972-2007), com desenho de Guilherme de Faria representando Eros e Psiqué, em que esta é um retrato da própria poetisa que posou para o desenho quando ela e o artista se conheceram em 2001. Este como  o livro Contos da Alma, de Alma Welt, da Editora Palavras &amp; Gestos  se encontram à venda, bem como  poemas e sonetos da grande poetisa gaúcha falecida este ano (em 20/01) e que foram publicados em forma de folhetos embalados em caixinhas de madeira (Kits), pelas "Edições do Pavão Misterioso" (edições artesanais do pintor e poeta) e se encontram nas seguintes lojas e livrarias:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CALLIGRAPHIA (famiglia Mancini)- rua Avanhandava 40-A- tel (55)11 3151-6477&lt;br /&gt;LIVRARIA DA VILA- Al.Lorena, 1731. Jardins/ T 3814-5811&lt;br /&gt;e Vila Madalena/ rua Fradique Coutinho, 915/ T 11 3073-0513&lt;br /&gt;BOOKLOVERS- Rua Augusta, 2633-loja 23- Jd-América-SP/ T11 3061-2008&lt;br /&gt;INSTITUTO MOREIRA SALLES- Rua Piauí, 844, 1° andar Higienópolis- São Paulo SP&lt;br /&gt;UNIBANCO ART-PLEX- Frei Caneca Shopping, rua Frei Caneca, 569 3° piso -T 11 3255-8816&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-2897240161931455873?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/2897240161931455873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=2897240161931455873&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/2897240161931455873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/2897240161931455873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2007/10/alma-welt.html' title='Alma Welt'/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_rBfsaidFtAM/RxJBc44GP8I/AAAAAAAAAFw/xFQvXgoRmbM/s72-c/Foto+3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-9124861693858461442</id><published>2007-09-28T20:10:00.000-07:00</published><updated>2007-09-28T20:16:58.444-07:00</updated><title type='text'>Ressonâncias (litografia de Guilherme de Faria com Siron Franco)</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_rBfsaidFtAM/Rv3Cq44GPvI/AAAAAAAAAEE/tUwieItzUho/s1600-h/image001.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp0.blogger.com/_rBfsaidFtAM/Rv3Cq44GPvI/AAAAAAAAAEE/tUwieItzUho/s400/image001.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5115458793840721650" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"Ressonâncias"- Litografia a quatro mãos, de 1986,100X74cm, de Guilherme de Faria com Siron Franco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-9124861693858461442?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/9124861693858461442/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=9124861693858461442&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/9124861693858461442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/9124861693858461442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2007/09/ressonncias-litografia-de-guilherme-de.html' title='Ressonâncias (litografia de Guilherme de Faria com Siron Franco)'/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_rBfsaidFtAM/Rv3Cq44GPvI/AAAAAAAAAEE/tUwieItzUho/s72-c/image001.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-2528189157137653777</id><published>2007-08-31T11:29:00.000-07:00</published><updated>2007-08-31T11:32:47.846-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_rBfsaidFtAM/RtheP4nPraI/AAAAAAAAADk/4o1TxlDsnYc/s1600-h/img.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp0.blogger.com/_rBfsaidFtAM/RtheP4nPraI/AAAAAAAAADk/4o1TxlDsnYc/s400/img.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5104933804612496802" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Vaquinha do sertão, óleo s/ tela de Guilherme de Faria, de 50x50cm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-2528189157137653777?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/2528189157137653777/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=2528189157137653777&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/2528189157137653777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/2528189157137653777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2007/08/blog-post.html' title=''/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_rBfsaidFtAM/RtheP4nPraI/AAAAAAAAADk/4o1TxlDsnYc/s72-c/img.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-9049438734621473366</id><published>2007-08-26T09:20:00.000-07:00</published><updated>2007-08-31T11:37:25.940-07:00</updated><title type='text'>Crônicas da Alma, de Alma Welt (prefácio por Guilherme de Faria)</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_rBfsaidFtAM/RtGqyonPrYI/AAAAAAAAADU/a0gtGEkH42c/s1600-h/foto13+003.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp0.blogger.com/_rBfsaidFtAM/RtGqyonPrYI/AAAAAAAAADU/a0gtGEkH42c/s320/foto13+003.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103047639659687298" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"A Invocação Mágica de Alma Welt", óleo s/tela de Guilherme de Faria, medindo 150x150cm, que ilustra um epísódio do romance "A Herança", de Alma Welt. (Coleção particular, São Paulo.) &lt;br /&gt;05/06/2006 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis-nos aqui a divulgar as Crônicas que Alma Welt considerava até a pouco impublicáveis (pelo menos em jornal ). Aliás, nunca passou pela cabeça da nossa autora, o papel de jornalista. Suas crônicas têm o caráter íntimo e confessional de quase toda a sua produção( excetuadas as “Lendas da Alma”, e os ciclos de poemas “O Circo” e “A Ciranda dos Animais”, editados pelas minhas artesanais “Edições do Pavão Misterioso”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É perturbador, no entanto, o fato de que quanto mais a nossa autora se expõe, com a sensualidade e explicitude que lhe é característica, em sua obra, mais ela se esconde pessoalmente, mais se reserva, numa condição de verdadeiro exílio social, o que consideramos, sinceramente, no mínimo um desperdício, dada a excepcional beleza física da “guria” ( como ela diz) que descobrimos, vinda do sul, e como que degredada nestes Jardins, de São Paulo, amiúde derramando lágrimas pelo Pampa e sua estância praticamente abandonada. “O casarão batido pelo minuano, recusa-se a afundar...”, ela diz lindamente num poema seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pensem os leitores que não tenho insistido para a nossa musa sair da toca. Estou começando a ser acusado de ciumento da minha descoberta, e “enrustidor”. Alma tem recusado amáveis convites de casais que se tornaram seus fãs, pela sua literatura, para almoços e jantares em sua homenagem, e que o fazem por meu intermédio. Em vão. Estou quase desistindo: trata-se já de uma fobia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto ( e isso é surpreendente), nossa autora está longe de ser uma pessoa triste, ou uma poetisa melancólica. Como nos seus textos, que são ela mesma, direta e coloquial, Alma celebra a “Alegria mais profunda do que a dor”, apreendida do Zaratustra de Nietzsche, que seu pai cultuava e que lhe passou tão cedo, dando-lhe essa diretriz filosófica inspiradora, bem como a linguagem simples e direta com que se expressa em prosa e poesia, com tanto lirismo, herdeira que é, legítima, do romantismo alemão, ainda que o faça tardiamente, nesse final caótico de século XX, e início do XXI, em nossa chamada Era Digital. A propósito, estou inclinado a rotular sua literatura de “neo-romântica”, uma vez que Alma Welt vem me provando a validade e a beleza desse verdadeiro movimento de uma autora só, que é ela mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“NEO-ROMANTISMO”, é isso! Está lançado o movimento, se podemos assim dizê-lo. Conte comigo Alma, você já me cooptou, com a profundidade de sua redescoberta da beleza possível, no cotidiano, pelo seu enfoque generoso, desprovido de quaisquer ressentimentos, pela sua escolha da alegria, da liberdade sexual plena, pela capacidade de entrega a suas elevadas paixões por homens e mulheres, com igual intensidade. Pelo seu renovado culto da Arte pela arte, por sua corajosa afirmação da escolha do prazer e da felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não esqueço, no entanto, o fato de que, sendo ela uma pintora e poeta, hipersensível, contém, também um componente melancólico, que, aliás, lhe doa seus momentos mais líricos, nos seus ciclos de sonetos que têm aquela característica única no mundo da literatura, de contar estórias, em suas seqüencias corretas. Confesso, pois, que a dor que detecto, sob a bela capa da alegria da nossa musa, me comove mais que tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alma não esquece, profunda que é, a fugacidade de tudo, a presença constante do fantasma próximo ou longínquo da Morte, a simples dor de existir, coexistente com a alegria e o prazer. Dessa dubiedade nasce o mistério que perpassa as suas narrativas. Uma espécie de suspense difuso, Hoffmanniano, que nos surpreende, uma vez que ela evita o “triller’, e quaisquer mirabolâncias folhetinescas, mantendo-se sempre no terreno da psicologia sutil, de um rico monólogo interior cheio de paradoxos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A aparente simplicidade de sua linguagem, não esconde, no entanto, os vestígios de uma cultura superior, e mesmo fragmentos de uma erudição, surpreendente, que ela procura disfarçar por discrição, ou para melhor fazer-se entender. É sintomático o fato, contado por ela, da impressão que lhe causou a frase de Nietzsche, citada por seu pai, quando ela era ainda criança: “Há poetas que turvam suas águas para parecerem profundas’’. Essa máxima iria funcionar para ela como uma sábia diretriz, evitando turvar, tanto em sua poesia quanto em sua prosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao universo em que cresceu, pode-se dizer privilegiado em sua dupla natureza cosmopolita e rural, ao mesmo tempo, naquela estância gaúcha de sua infância e primeira juventude, com o piano de cauda tocado belamente pelo seu pai, filho de alemães, cirurgião e literato, com sua imensa biblioteca clássica, que ele ensinou sua filha predileta a amar. O mundo que ela iria abordar em sua literatura, seria no entanto, o de um cotidiano urbano, paulistano, do seu ateliê nos Jardins, mas dessa perspectiva sutil de quem apreendeu cedo a captar o sentido profundo do dia-a-dia quando desvelado pela visão da esteta, hedonista e humanitária ao mesmo tempo, enfim, humanista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comove-nos o seu cândido epicurismo, que procura disfarçar a tendência às lágrimas de amor e dor, de comoção pelo ser humano tão amado por ela, a ponto de privilegiar somente a sua beleza e possibilidade de pureza ideais. Poderíamos dizer que Alma seria ,assim, a última herdeira do Idealismo alemão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou, naturalmente, pensando no conjunto de toda a sua já considerável obra, com quarenta livros de poemas e pelo menos cinco de contos e novelas, e outros cinco romances.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas voltando a estas Crônicas, percebo que nelas a fronteira do conto é tênue, e embora tratem de acontecimentos e pessoas reais que cruzaram a vida e o universo interior desta Alma, é possível que existam nelas a contribuição da fantasia de caráter insólito e ao mesmo tempo realista desta sonhadora do verossímil, que sempre apostou na poeticidade inerente aos seres e às coisas deste mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é isso o que mais me comove nesta Alma, sua candura invencível, a coerência de sua visão humanista, pois que segue acreditando sobretudo na beleza e até mesmo na grandeza do ser humano, pelo menos em seus termos ideais, como ela mesma diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas então, o que é que a afasta da definição precipitada de “naïve”? Sua argúcia (eu responderia), e uma velada ironia que aparece vez por outra, e da qual ela não abusa. E a legitimidade de uma visão profunda, que captura o belo, onde quer que ele se encontre, inclusive em situações eventualmente grotescas, a verdadeira definição de humor. Mas sobretudo pela capacidade suprema, de poeta, de captar a alegoria, o sentido maior, simbólico, dos acontecimentos aparentemente banais do seu cotidiano, que é o de todos nós.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-9049438734621473366?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/9049438734621473366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=9049438734621473366&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/9049438734621473366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/9049438734621473366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2007/08/crnicas-da-alma-de-almawelt-prefcio-por.html' title='Crônicas da Alma, de Alma Welt (prefácio por Guilherme de Faria)'/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_rBfsaidFtAM/RtGqyonPrYI/AAAAAAAAADU/a0gtGEkH42c/s72-c/foto13+003.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-3645050854469953135</id><published>2007-08-24T14:14:00.000-07:00</published><updated>2007-09-30T18:51:23.371-07:00</updated><title type='text'>Para quem ainda tinha dúvidas (por Guilherme de Faria)</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_rBfsaidFtAM/RwBSco4GPxI/AAAAAAAAAEU/UKM3mpcrWpA/s1600-h/S5030216.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp2.blogger.com/_rBfsaidFtAM/RwBSco4GPxI/AAAAAAAAAEU/UKM3mpcrWpA/s400/S5030216.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5116179828655406866" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;17/12/2006&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem ainda tinha dúvidas... ( artigo sobre os últimos sonetos de Alma Welt )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A série de sonetos que a poetisa Alma Welt vem publicando nos últimos dias na sua página aqui no Recanto, deve ser suficiente para confirmá-la aos olhos de qualquer leitor informado, criterioso e sensível à poesia e à beleza, como realmente a última grande lírica do século XX, e agora do começo do XXI, tal como a apresentei ao público no prefácio e orelha de seu livro Contos da Alma, lançado em 2005.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gaúcha Alma parece estar vivendo uma verdadeira erupção, ou surto de criatividade e inspiração. Ela está dedicando os sonetos aos seus leitores mais entusiastas entre os colegas poetas aqui do Recanto (ela compõe e publica às vezes cerca de uma dezena de sonetos por dia!). E a cada novo poema ela se excede em beleza e excelência. Trata-se de um fenômeno. A guria já está beirando o milésimo soneto de sua carreira, pelos meus cálculos, já que eu mesmo publiquei 50 dos seus ciclos de sonetos, na forma de folhetos pelas minhas Edições do Pavão Misterioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sonetos de Alma Welt, que já apresentavam, na forma de ciclos (conjuntos ou séries) a curiosidade de (se lidos na seqüência correta) narrarem estórias reais de suas vivências amorosas ou de seu cotidiano de pintora, amorosa e poetisa lírica, agora assim avulsos podem ser melhor apreciados, na sua gloriosa síntese de autonomia. E damo-nos conta de que são, quase sempre alexandrinos ou dodecassílabos perfeitos, com primorosas chaves de ouro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, um tanto raro como gênero na sua produção, vejam este, que contém uma inquietação metafísica "eivada" (como ela diz) de paradoxos e antíteses:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doces manhãs da minha juventude (de Alma Welt)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doces manhãs da minha juventude,&lt;br /&gt;Que são pra mim agora e já lembradas!&lt;br /&gt;Como poeta carrego a infinitude&lt;br /&gt;Do finito e das horas não passadas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho uma constante nostalgia&lt;br /&gt;Que acompanha o meu senso de beleza,&lt;br /&gt;A alegria do minuto que partia&lt;br /&gt;E a saudade da próxima surpresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho uma dor eivada de prazer&lt;br /&gt;E a sensação de me esvair&lt;br /&gt;Nos espinhos e nas farpas do viver&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um martírio prazeroso em carne viva&lt;br /&gt;Como a alma nua a dividir&lt;br /&gt;O corpo dúbio e enganoso de uma diva...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde esta jovem vai buscar tanta inspiração? E tanta facilidade! Uma senhora poetisa, veterana, surpresa ao saber que Alma tem apenas trinta e quatro anos, durante um lançamento de livro numa pizzaria me disse que Alma tinha uma “alma velha’, isto é, antiga, ou muito vivida, talvez de muitas encarnações, que lhe conferem essa profundidade de pensamento e esse ar clássico de poetisa lusa que maneja um português castiço, embora isso seja, até certo ponto, comum entre os nossos conterrâneos do sul. Por divertimento experimentei ler em voz alta seus sonetos com um “sotaque luso”, como ela sugeriu numa dedicatória a um seu colega lá de Portugal e daqui do Recanto. E ficou estupendo! Agora acho que deveriam ser lidos sempre assim. Revelaram o seu tom ou parentesco camoniano, ou de uma Florbela nossa, mais contemporânea, embora com a ligeira dose de exotismo ou de regionalismo peculiares ao seus sonetos “pampianos”, como ela os designa. A propósito uma das coisas mais comoventes nesses sonetos é a fidelidade da autora à beleza de sua terra, o Pampa, e a evocação de suas paisagens, por si só encantadoras, nesses versos.(Cante sua província, seu bairro ou sua casa, mas com paixão e acuidade, e serás universal...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sugiro pois aos poucos e seletos leitores aqui deste cordelista, que vão em excursão, procurar essa jovem diva das letras brasileiras que surgiu a tão pouco tempo, lá nas suas páginas, conferir o que já está correndo no mundo literário dos escritores e leitores da Internet. Eu cá fico cada vez mais cheio de orgulho de ter sido o descobridor do furacão “La Welt”, quando a encontrei como jovem pintora contemporânea, um tanto isolada aqui nos Jardins de São Paulo e fiquei ofuscado pela sua beleza física, que confesso, muito a princípio quase desvirtuou meus critérios e intenções. Mas Deus já me perdoou...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-3645050854469953135?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/3645050854469953135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=3645050854469953135&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/3645050854469953135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/3645050854469953135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2007/08/para-quem-ainda-tinha-dvidas-por.html' title='Para quem ainda tinha dúvidas (por Guilherme de Faria)'/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_rBfsaidFtAM/RwBSco4GPxI/AAAAAAAAAEU/UKM3mpcrWpA/s72-c/S5030216.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-868455784337045585</id><published>2007-08-24T14:05:00.000-07:00</published><updated>2007-12-10T15:24:46.703-08:00</updated><title type='text'>Os "Contos Secretos" de Alma Welt (por Guilherme de Faria)</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_rBfsaidFtAM/RwW2AY4GP0I/AAAAAAAAAEs/TnHl5AnAO7o/s1600-h/S5030218.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp2.blogger.com/_rBfsaidFtAM/RwW2AY4GP0I/AAAAAAAAAEs/TnHl5AnAO7o/s400/S5030218.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5117696669370433346" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"Alma Welt, a morte no Pampa" - óleo s/tela de 2007, de Guilherme de Faria, coleção do autor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prefácio aos Contos Secretos, de Alma Welt (por Guilherme de Faria) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos diante de uma coletânea inusitada de contos, que constituem, surpreendentemente, as memórias de uma verdadeira “Casanova de saias”, como alguém de referiu à autora num conto dela mesma. Mas, o quê significa isso? Uma autora, jovem e bela mulher que tem a coragem inaudita de confessar com detalhes sua vida amorosa e sexual de artista, intensa, erótica e romântica a um só tempo, de uma maneira sensível e encantadora conquanto explícita, sem peias, sem falsos pudores. Nunca se viu isso antes na estória da literatura. Tanta liberdade erótica nas narrativas de uma mulher a respeito de si mesma. Devemos nesse ponto lembrar Anaïs Nim que embora grande escritora não chegou tão longe no âmbito confessional pois suas narrativas propriamente eróticas se referem mais a personagens ficcionais de sua criação, exceção feita à belíssima insinuação, no seu diário, à uma cena de Anaïs na cama com June, que afinal frustra o leitor, pois é interrompida por um conflito insurgente e insolúvel. Parece, também, que aquela diva (June) nunca se conformou com o tom usado por Henry Miller para descrever suas relações na cama ou fora dela, pois romântica, queria ser uma musa celebrada em termos delicados e “ideais’, coisa alheia ao espírito cru e existencial de Henry.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nossa autora, Alma Welt, bela gaúcha de destino privilegiado pois criada numa “estância” e filha de um “livre pensador” muito culto, libertário e ao mesmo tempo cultor do romantismo alemão, Werner Friedrich Welt, que ela chama carinhosamente de Vati (pronuncia-se Fáti, papai ) constitui um caso único, ao meu ver, de autora jovem, com essa coragem confessional que não exclui detalhes, nada esconde e ainda assim consegue escapar da classificação de “pornografia”, palavra ainda hoje carregada de uma pecha “maldita”, senão pejorativa e desmerecedora. Como consegue ela tal proeza? É simples, no entanto, a explicação: por causa de uma insólita “pureza” ou candura inesperada numa mulher tão inteligente e culta. Essa mesma pureza que ela atribui, com certa originalidade, ao nosso conhecido Casanova, na dedicatória deste seu livro, em forma de trovas dirigidas a alguns famosos eróticos do passado. A propósito, a chave para o desvendamento desse verdadeiro enigma, a própria autora fornece esparsamente nalguns textos: sua relação incestuosa com seu irmão, descoberta de forma traumática por sua mãe, Ana Morgado, já falecida. No conto intitulado “O que falta dizer”, Alma revela um episódio que nunca uma moça, na estória da literatura, ou (se isso houvesse) na “história dos divãs de psicanalista”, jamais narrou. Um pequeno fato que seria escabroso, não fosse a já citada candura lúcida da autora. Mas é preciso lembrar que Alma é uma poeta, ou “poetisa” como ela prefere ser designada, e isso explica alguma coisa. Os poetas têm, queiram ou não, uma tensão de beleza na sua abordagem do mundo. A própria Alma cita num destes contos, o famoso verso de John Keats, da “Ode a uma Urna Grega”: “A verdade é a beleza; a beleza, a verdade. Isso é tudo o que há para saber”. Como herdeira legítima do romantismo europeu, Alma não poderia deixar de citar esse verso exemplar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está se vendo que detectei uma grande pureza nesta autora erótica, e que estou encantado por isso mesmo. Por outro lado suspeito que isso constitui seu próprio “pathos” e o problema para uma aceitação da autora nas classes chamadas burguesas. Pois me parece que a burguesia hoje em dia constitui-se precisamente disso: uma mente conservadora e hipócrita que é capaz de assimilar a própria pornografia, pois essa não exclui a chamada má consciência em relação ao sexo, que é sua mais renitente característica. Uma moça que confesse com tal pureza, e, portanto, com extrema liberdade, tudo sobre sua intensíssima vida sexual que não exclui pequenas perversões, tem ainda o poder de escandalizar! E não me refiro aqui à sua evidente bi-sexualidade, que não deve assim ser simplesmente classificada, mas jogada na conta de sua celebrada liberdade. Refiro-me, sim, a uma dose de sado-masoquismo, que a autora mesma se atribui, e cuja raiz encontra-se no trauma causado por sua mãe ao descobrir o incesto de sua filha. Alma consegue superar o trauma por catarse, ou seja, não se reprimindo ou cerceando a sua sexualidade mas exercendo-a de forma intensíssima e desabrida, tornando-se até mesmo uma sedutora e colecionadora de casos amorosos ardentes, embora sua grande paixão se concentre em dois personagens reais de sua memória: seu irmão Rôdo e a jovem modelo paulistana Aline, por quem sua paixão atinge um timbre por vezes comovente (vide o conto “Tudo o que faremos quando voltares”, verdadeiro poema em prosa, de grande exaltação amorosa.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nota masoquista, visível por vezes em seu texto, é perturbadora, concordo, e levou a autora ao que parece a situações de uma exposição, ou vulnerabilidade, que acabou precipitando o estupro, pelo menos três vezes ao longo de sua jovem existência, a julgar, pelas narrativas no seu romance autobiográfico, e evocadas dolorosamente, aqui e ali nos seus vários livros de contos. Alma parece acreditar que os leitores não têm rosto, que nunca terão, e que por isso ela pode confessar tudo, como num divã de psicanalista, coisa improvável, senão perigosa. Entretanto, Alma aparece lidar com esses fatos em sua vida, desafiando-os e às suas conseqüências, por meio da confissão impudica e naturalista. O resultado dessas violências na vida da autora, pode, por isso mesmo, ser detectado por essa sua forma de tratar o sexo, que, sob uma capa de naturalismo, incluiria um certo “desafio” denunciador do próprio trauma. Nisto consiste o “pathos” weltiano, a que já me referi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alma Welt me comove, pois, para além da dor implícita e subjacente a isso tudo, está seu amor à beleza e ao próprio amor. Mas o importante, numa escritora como ela, é que esse amor se revela na beleza estética de sua escrita e na profundidade sutil de sua visão de mundo, que inclui um toque, digamos, filosófico, de cunho panteísta, que corrobora a tese de sua candura. Alma parece se considerar, de boa fé, uma espécie de feiticeira ou druidisa, a julgar por certas passagens, principalmente de seu romance “A Herança”, de grande beleza, uma saga de família, passada em sua estância no Sul, em pleno Pampa evocado com grandeza telúrica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas voltemos a este livro de contos. Por quê “secretos”? Talvez porque a autora também considere que essas coisas normalmente não se contam, são mais que confidenciais, e por isso mesmo, haja certa originalidade em publicá-las, embora, para além do caráter confessional, também uma qualidade literária evidente e aliciadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, alguém perguntaria ao final da leitura deste volume, essas coisas realmente aconteceram, são pessoas e fatos reais da vida da autora? Suspeito que sim. Através da pouca convivência com a poetisa, que ela me permite na qualidade de seu descobridor, prefaciador e em certa medida seu ilustrador, embora seja ela mesma artista plástica, tenho a impressão de que é tudo verdade. Fatos reais, acontecidos, fruídos e assimilados por uma sensibilidade comovedora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, não podemos descartar o poderoso subjetivismo do Artista. Onde termina o sonho, onde começa a realidade? Existe essa fronteira? A própria Alma nos adverte que não, ao citar outro grande romântico, Novalis:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A poesia é o autêntico real absoluto. Quanto mais poético, mais verdadeiro.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-868455784337045585?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/868455784337045585/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=868455784337045585&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/868455784337045585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/868455784337045585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2007/08/os-contos-secretos-de-alma-welt-por.html' title='Os &quot;Contos Secretos&quot; de Alma Welt (por Guilherme de Faria)'/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_rBfsaidFtAM/RwW2AY4GP0I/AAAAAAAAAEs/TnHl5AnAO7o/s72-c/S5030218.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-6388583216743998777</id><published>2007-08-14T17:21:00.000-07:00</published><updated>2007-08-14T17:32:32.349-07:00</updated><title type='text'>Alma Welt, cântico para uma princesa morta  (por Guilherme de Faria)</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_rBfsaidFtAM/RsJJjsZki4I/AAAAAAAAACM/5CxPm3POoeE/s1600-h/7.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp2.blogger.com/_rBfsaidFtAM/RsJJjsZki4I/AAAAAAAAACM/5CxPm3POoeE/s320/7.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5098718605699484546" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Embora eu tenha reservado este Blog para a minha prosa, pretendo colocar aqui também meus poemas que não pertençam à vertente dos cordéis, para os quais abri um espaço especifico, em outro blog).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;05/02/2007&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Esta pavana é para uma defunta&lt;br /&gt;infanta bem amada ungida e santa” (Jorge de Lima)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alma está morta, o sol não brilha, a poesia adormeceu ou agoniza...&lt;br /&gt;Ela era o o Sul e o Norte, e não mais vê-la&lt;br /&gt;é como ter acompanhado o seu féretro na noite&lt;br /&gt;até a urna de cristal em que agora hiberna a sua alma&lt;br /&gt;esperando o prometido retorno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alma está morta e as flores do seu jardim fenecem e caem ao solo onde pássaros jazem inertes sem mais vôo e voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu a vi primeiro na grande noite da cidade, ela a princesa do sul, rainha de um pampa para mim desconhecido, egressa do vinhedo dos avós, inusitado nas amplas pradarias fronteiriças, eu, estrangeiro em meu bairro, paulistano empedernido e solitário viajante da vida, que credenciais, que méritos teria para encontrar esse tesouro de pura poesia, beldade entre as mais belas, poema de terrível feminilidade&lt;br /&gt;arquetípica e voraz?&lt;br /&gt;Alma vive, Alma não morre, ela domina meu ser com sua memória, com sua poesia doce e a um tempo corrosiva, pela sedução e verdade de sua nudez incontestável e pura,&lt;br /&gt;pela sua voz de mavioso cometa pampiano, que atravessando o meu espaço... me terá cativo e encantado para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alma Welt está morta. Viva a Alma!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22/01/07&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-6388583216743998777?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/6388583216743998777/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=6388583216743998777&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/6388583216743998777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/6388583216743998777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2007/08/alma-welt-cntico-para-uma-princesa.html' title='Alma Welt, cântico para uma princesa morta  (por Guilherme de Faria)'/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_rBfsaidFtAM/RsJJjsZki4I/AAAAAAAAACM/5CxPm3POoeE/s72-c/7.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-1175622494346265026</id><published>2007-08-14T11:47:00.000-07:00</published><updated>2007-08-14T11:57:44.271-07:00</updated><title type='text'>O caso Alma Welt (por Guilherme de Faria)</title><content type='html'>&lt;a ahref="http://bp2.blogger.com/_rBfsaidFtAM/RsH5G8Zki3I/AAAAAAAAACE/Q2-4jwgDfAg/s1600-h/5.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp2.blogger.com/_rBfsaidFtAM/RsH5G8Zki3I/AAAAAAAAACE/Q2-4jwgDfAg/s320/5.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5098630150848023410" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;22/05/2007&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerações sobre a posteridade da poetisa e musa gaúcha &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passados cinco meses do seu falecimento, arrisco-me a fazer algumas considerações e prognósticos sobre a posteridade e permanência do fenômeno Alma Welt, a grande poetisa gaúcha, inspirada intérprete da alma e cenário de sua terra natal, o Pampa, e sobretudo de sua própria vida de poeta amorosa, confessional, lírica e apaixonada. Ninguém mais do que eu pode testemunhar sobre ela, pois me orgulho de ter sido o primeiro a descobri-la, quando estava aqui em São Paulo, auto-exilada (como ela dizia) pela morte de seu querido pai, que ela chamava o “Vati”, e que tanto ela celebrou nos seus textos e poesia, com aquela nostalgia que nos comovia por sua dor e beleza incontestáveis e universais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, eu descobri, incentivei, prefaciei, ilustrei a lancei a gloriosa poetisa, consciente de ter nas minhas mãos um fenômeno raro: uma alma lírica que conseguia ser ao mesmo tempo que uma grande amorosa e uma pensadora de rara lucidez (vide seus pensamentos no Leia Livro), características em geral contraditórias ou antagônicas. Mas eu que privei de sua intimidade por algum tempo, seduzido, é verdade, inebriado e prosternado, por assim dizer, aos pés da beldade, pude contudo observá-la e analisá-la (aceditem!) malgrado a paixão que não pude e nem quis evitar, pois como sabem, mesmo sob o prisma puramente físico Alma era a mais bela mulher que meus olhos puderam contemplar nesta vida. Sua beleza resplandecia, pois a par de uma anatomia privilegiada, vinha também de dentro, tinha respaldo numa alma límpida e pura, elevada e bafejada pelas Musas, ela que se tornou por si mesma uma musa do Pampa, de sua terra e contexto excepcionais, já que filha de um estancieiro e vinhateiro, que era ao mesmo tempo um médico e um pianista, um homem culto, às raias da erudição, detentor de imensa biblioteca clássica dentro da qual ele criou sua filha predileta em contato com os deuses, os da Arte, da Literatura, da Música, da Poesia e... os outros, aqueles do Olimpo e também os do Walhalla, de sua origem germânica. Mas foi sobretudo no caldo de cultura do grande romantismo alemão, de Goethe, Schiller, Hoffmann, Holderlin, até chegar em Nietzsche e Rainer Maria Rilke, que ele alimentou a sua obra-de-arte viva: sua filha que ele considerava um presente dos deuses e que a eles deveria ser devolvida. O cirurgião-estancieiro-pianista Werner Fiedrich Welt educou sua filha como uma pequena pagã, longe o quanto possível da influência de sua esposa católica, Ana Morgado, numa experiência perigosa de criar um ser sem o senso do pecado original, livre e sem preconceitos, feita para o amor e a entrega, sem medo do sexo, e mesmo celebrando-o a cada nova “aventura”, como um dádiva dos deuses. Confesso que isto me deslumbrou e viver a minha descoberta artística, ao mesmo tempo como paixão e fruição por pelo menos um ano da carne deslumbrante de um ser de feminilidade gloriosa e poética, de beleza divina, marcou–me para o resto dos meus dias, a mim, que já não era um garoto, mas sim um homem maduro, no começo do envelhecimento que todavia foi estancado por essa experiência maravilhosa. Já narrei nosso encontro em crônicas que publiquei no Recanto das Letras, e que foram apagadas, quando fomos, eu e ela expulsos daquele site, por intriga de invejosos, que tomaram como notícia falsa o anúncio do suicídio da nossa Poetisa.&lt;br /&gt;Pessoas quiseram acreditar, talvez por defesa, que Alma era apenas ( ! ) um heterônimo meu, já que percebiam a nossa estreita ligação, e a paixão com que eu a celebrava e celebro nos meus textos a seu respeito. Entretanto devo dizer que não poderia haver maior honra do que me atribuírem a autoria de seus textos e até da criação dessa Musa pampiana (eu que sou um paulistano empedernido e enraizado!). Quem me dera possuir o talento transcendente de minha adorada Musa, que iluminou quase tardiamente minha vida de artista plástico e cordelista, no ocaso do meu percurso! Mas que injeção de ânimo (ou deveria dizer de Anima), de entusiasmo, de rejuvenescimento mesmo, esse encontro providencial me causou! Por um ano inteiro privei de sua companhia, de seu carinho, de seu amor e paixão, e porquê não dizer: do seu corpo deslumbrante e miraculosamente branco que era uma festa de prazeres e de fruição estética, como quem se deita com uma deusa, a própria Vênus (perdoem-me talvez o acesso de parnasianismo... ) Sim, quem amou e foi amado um dia por essa diva, quase não tem mais o direito de continuar a viver, senão em memória, em nostalgia, saudade e dor. Todavia, devo reconhecer que ela se deu a mim por generosidade e até por gratidão, e eu deveria, pois, me envergonhar de não ter podido abrir mão de tão imensa dádiva, pois percebo que o amor maior de sua experiência paulistana foi a modelo Aline, que ela celebrou em versos imortais. Também a jovem Andréa, com quem manteve um uma correspondência amorosa-virtual alucinante, do qual ela publicou algumas cartas belíssimas, que constituem um verdadeiro romance epistolar erótico–digital, por e.mail, que espero ver um dia publicado completo em livro, para deleite de seus leitores e admiradores. E finalmente o último grande amor de Alma, por uma sua aluna, que mereceu dela um maravilhoso “Drama lírico em 42 sonetos(cenas) e três Atos”, que ela titulou “Sonetos a Mayra” ( não sabemos se é o nome verdadeiro da pequena musa de nossa Musa), que eu ilustrei fartamente e espero conseguir editor. Alma nessa obra, como já era característica sua conta uma estória de amor através de um ciclo de sonetos curiosamente narrativos, de extraordinária pungência e inspiração lírica, cheios de paixão e erotismo. Confesso que a principio quase me causou despeito, por não ter merecido na nossa relação algo assim, uma obra equivalente que evocasse ou celebrasse de tal maneira encantadora o nosso relacionamento, e então pus-me eu mesmo a narrá-lo em algumas crônicas que publiquei naquele Recanto e aqui no nosso LL e que reconheço não lhe fazem justiça, pois estão longe do seu estro magistral, de poetisa predestinada à glória imortal.&lt;br /&gt;Agora paira um silêncio misterioso, eu sinto, sobre a querida Musa Pampiana. Não temos senão raros comentários aos seus textos aqui no Leia livro, embora possamos perceber pelo registro de acessos diários nos tópicos de seus textos no Google, que ela continua imensamente procurada e lida. Mas, por quê, eu pergunto, não a comentam, ela que foi tão louvada no RL ? Um silêncio recente pesa talvez sobre os mortos. Eu mesmo quase não ousava mais escrever sobre ela, mas como a uma criatura sagrada que não se pode nominar em vão...&lt;br /&gt;Perdoe-me, Alma, o meu longo silêncio de cinco meses, desde que nos deixou perplexos, chocados e inconformados. A sua morte deliberada, desesperada talvez, soou como uma bofetada em nossa face. Não se importava, perguntamos então naquele momento, com o nosso amor, com o nosso misto de carinho e reverência, com a nossa admiração? Como pôde partir sem um adeus, sem um bilhete aos seus leitores, aos seus admiradores e amigos? Bem... alguns de seus últimos sonetos, agora vemos, já indicavam o seu propósito, como o celebrado "A Carruagem". Ficamos perplexos e logo... revoltados. Você foi, como punição, expulsa póstuma e imediatamente, com imenso escândalo, de um site que a consagrou (e eu contigo). Logo percebi que acompanhá-la no seu relativo exílio literário era também honra e destino: não deixaria jamais a minha deusa, a pequena grande Alma, a poetisa maior que me fez cativo para a eternidade. Estarei aos seus pés, como diria a outra, Ana Cristina César, para sempre esperando, esperando um retorno, um aceno, até o fim do meu próprio exílio nesta terra, nem que seja como o que Lúcia, sua devotada irmã, testemunhou e me contou, lá no seu verde Pampa, em torno ao casarão: seu lindo e translúcido espectro vagando, vagando e nos chamando a acompanhá-la...&lt;br /&gt;Aonde, Alma? Aonde?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Carruagem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(útimo soneto escrito por Alma Welt e publicado no seu site, ora estranhamente cancelado. )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um piano toca no salão!&lt;br /&gt;Ah! E não fui eu que coloquei&lt;br /&gt;Um CD ou um velho long-play,&lt;br /&gt;Talvez seja o Vati, e então...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele voltou! Sim ele me quer!&lt;br /&gt;Vou ao seu encontro e sou mulher!&lt;br /&gt;Sim, ele vai ver que agora sou&lt;br /&gt;Pelo menos a guria que sonhou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha, Vati, há muito não me vias,&lt;br /&gt;Mas de verso em verso muito errei&lt;br /&gt;Pelo mundo, a viajante que querias...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora, com toda esta bagagem,&lt;br /&gt;Leva-me contigo, que eu irei&lt;br /&gt;Quietinha, assim na carruagem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19/01/2007&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-1175622494346265026?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/1175622494346265026/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=1175622494346265026&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/1175622494346265026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/1175622494346265026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2007/08/o-caso-alma-welt-por-guilherme-de-faria_696.html' title='O caso Alma Welt (por Guilherme de Faria)'/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_rBfsaidFtAM/RsH5G8Zki3I/AAAAAAAAACE/Q2-4jwgDfAg/s72-c/5.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4321622509482598189.post-8866604743263863270</id><published>2007-08-14T11:41:00.000-07:00</published><updated>2007-08-14T11:43:50.963-07:00</updated><title type='text'>O Caso Alma Welt  (por Guilherme de Faria )</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_rBfsaidFtAM/RsH3rMZki1I/AAAAAAAAABw/6k3vhiF_x2Y/s1600-h/6.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp3.blogger.com/_rBfsaidFtAM/RsH3rMZki1I/AAAAAAAAABw/6k3vhiF_x2Y/s320/6.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5098628574595025746" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;28/01/2007&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma semana, estabeleceu-se dentro de um conhecido site literário da Internet uma curiosa polêmica. Tudo começou quando foi publicado, na página da poetisa Alma Welt, um anúncio fúnebre supostamente colocado por sua irmã Lucia Welt Valber, que descrevia a morte, por suicídio, com detalhes de um caráter romanesco e ao mesmo tempo surrealista, com lances bunuelescos, da querida poetisa gaúcha, lá na sua estância no extremo sul do país, por volta de meio-dia do sábado dia 20 de janeiro. Houve uma imediata avalanche de perplexidades, condolências, e também sofrimento real por parte dos verdadeiros fãs. Mais de 200 mensagens, muitas delas insistindo num desmentido tal a surpresa e inconformidade de seus adimiradoras de primeira hora. Mas logo começaram as suspeitas, as insinuações, os venenos e as calúnias. Uma parte crescente de manifestantes protestava contra a notícia “falsa”, pois "se teria descoberto" que Alma Welt era o pseudônimo de alguém e que portanto o seu suicídio seria uma falsificação, ou uma “farsa”(assim consideraram essas pessoas) tanto mais que sob pressão, os editores do site, publicaram no cquadro de avisos a nota de “notícia falsa”. Logo criou-se uma animosidade fantástica, num verdadeiro fenômeno de “joga pedra e outras coisas na Geni”. Esqueceu-se depressa da obra genial da “guria” dos pampas que encantou e instruiu milhares de pessoas durante sete meses e mais de 12.000 leituras computadas através das páginas daquele site, bem como outras tantas deste nosso Leia Livro. É preciso dizer , que eu, que acompanhei o caso de perto, por ser o amigo de Alma que a descobriu no seu exílio paulistano, reparei que as pessoas que manifestavam indignação, por vezes furibunda, não eram os seus leitores habituais, muito menos os seus comentaristas, com exceção de alguns que deixaram cair as suas máscaras, revelando o seu veneno e sua inveja. Tratava-se da habitual revoada de abutres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começar, é preciso que se esclareça o seguinte: as pessoas parecem fazer uma confusão entre os conceitos de pseudônimo e heterônimo. Pseudônimo é um falso nome (como a palavra indica ) atrás do qual o autor se esconde para preservar o seu anonimato pessoal, ao passo que heterônimo, fenômeno bem mais raro, é uma verdadeira entidade espiritual, pois trata-se de um “autor “, com nome, personalidade, biografia e estilo próprios, que se manifesta através do escritor de cuja mão se serve. É quase como uma psicografia, embora não seja o mesmo fenômeno. E é certamente bem mais rara a incidência de casos respeitáveis de heterônimos na História. Ouso dizer que o caso Alma Welt seria um dos mais belos exemplos desse fenômeno, se fosse constatado de maneira cabal tratar-se mesmo de um heterônimo. Porquê digo isso? Porque o nome Alma Welt está respaldado por uma imensa obra literária na sua maioria inédita, mas que pode ser acessada em grande parte, atualmente neste próprio Leia Livro, já que a “guria” foi absurdamente expulsa do outro site a que me refiro. Nunca se viu na História da literatura um caso como esse: um heterônimo ser expulso por, supostamente, pela boca ou palavra de um outro heterônimo, sua própria irmã, ter-se comunicado aos leitores o seu suicídio, descrito com detalhes, aliás de incrível beleza romântica e romanesca, como era sua vida mesma, naquele pampa, no seu casarão, naquela estância gaúcha cercada por um raro vinhedo. É preciso que ressaltemos que a poetisa, acabara de produzir nos últimos trinta dias, 166 sonetos de altíssima qualidade, da sua série pampiana que estavam encantando e entusiasmando seus leitores. Tratava-se uma verdadeira erupção de inspiração, de grande estro reconhecido, pois todos os sonetos tinham encanto, originalidade e imensa beleza, que formavam um conjunto grandioso que esperamos ver e degustar em livro. A “guria” chegava a ser camoniana em alguns momentos, não fosse a intensa verdade de sua própria personalidade feminina e encantadora e seu acento gauchesco em muitos casos. Não é preciso dizer que eu, que já a vinha prefaciando e ilustrando, já me apressei em ilustrar com desenhos coloridos essa série magnífica de sonetos para apresentá-la, com a anuência da família da poetisa, a uma boa Editora. E ademais é preciso considerar que um pseudônimo, se fosse o caso, assim como nasceu, cresceu, tem u ma família, memórias, amores sofrimentos, uma casa , uma estância, cavalos e cachorros ,se correspondeu com amigos e fãs, angustiou-se... teria o direito de se suicidar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No passado houve casos interessantes de pseudônimos que ficaram célebres, e não me refiro somente ao caso até batido do grande Fernando Pessoa, com seu Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, e Ricardo Reis, entre outros menos citados. Notem que o poeta escrevia prefácios descrevendo como teria, por exemplo, conhecido o engenheiro e poeta Álvaro de Campos na casa do amigo comum e pintor Almada Negreiros, e que teria dito isso e isso, e que aquele teria respondido tal e tal , etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, também , por exemplo, o caso do escocês James Macpherson(1761-1769), com seus "Cantos de Ossian", que foi lançado como uma grande descoberta “arqueológica”, de um livro de sagas e poemas de um bardo celta da antiguidade, escrito em gaélico, e que traduzidas para o inglês encantaram o mundo romântico daquele final de século XVIII, se tornando o livro preferido de Goethe que o cita e até transcreve longas passagens no seu célebre “Os sofrimentos do jovem Werther”, quando o jovem poeta os lê junto com a sua adorada Carlota. É preciso também mencionar que essa obra apócrifa, se tornou o livro de cabeceira do imperador Napoleão Bonaparte, que até encomendou a Ingres uma grande tela alegórica denominada “O sonho de Ossian”, que representa o bardo adormecido sobre sua harpa celta, com as Valquírias assomando no fundo nebuloso. Mas diga-se de passagem que não se trata de uma boa tela do mestre Ingres ( e isso é um outro problema crítico).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria finalmente lembrar também o caso “Les Chansons de Bilitis” livro de poemas de caráter sáfico, primoroso, uma verdadeira obra-prima da poesia amorosa, que o poeta francês Pierre Louÿs,do final do séculoXIX, fez passar por uma descoberta arqueológica, que ele teria traduzido do grego antigo, uma série de poemas líricos, escritos por uma cortesã de nome Bilitis, da cidade de Mitilene, a mesma da grande Safo, na ilha de Lesbos, e dirigidos a uma sua amada. O livro foi saudado como uma grande obra da poesia lírica grega, até que finalmente se descobriu que tinha sido escrita pelo próprio Pierre Louÿs. Mas aí a obra já estava consagrada e só acrescentou glória póstuma ao poeta francês. É preciso lembrar, também, que o chamado “succès d’escandale” , como dizem os franceses, sempre consagrou obras de glória duradoura, pois causaram justamente esse escândalo por sua natureza revolucionária ou de vanguarda. Haja visto um outro exemplo disso: a estréia do ballet "Le Sacre du Printemps" (A sagração da Primavera) de Igor Stravinsky , em 1913 em Paris, com coreografia também revolucionária do grande bailarino Vaslav Nijinsky , e que dividiu a platéia numa batalha tão violenta, em que eram arrancadas e atiradas até as poltronas do teatro, e que precisou a intervenção da polícia e o fechamento do mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora nos vemos diante dessa espécie de escândalo com dois partidos se formando, na discussão: ALMA WELT EXISTE?... ALMA WELT NÃO EXISTE? Chega a ser divertido e absurdo. Então não existe, por si só, uma obra verdadeira, imensa, prolífera, que conta inclusive com um belíssimo livro de contos já publicado, por uma editora de São Paulo e que foi saudado como uma grande obra literária pelo consagrado e grande poeta paulista Paulo Bomfim, que inclusive escreveu um belo prefácio poético para a próxima obra da gaúcha a ser publicada em livro? Também o grande bibliófilo e escritor Dr. José Mindlin, batalhador pela cultura, telefonou-me há dois anos atrás para procurar e saudar a escritora que eu tinha descoberto e que ele tinha lido e admirado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante disso tudo me parece quase supérflua a discussão sobre a existência "em carne e osso", da nossa querida escritora. Sua obra existe e começa a alçar um belo vôo, que os invejosos e mesquinhos não conseguirão tolher. Alma Welt existe? Alma Welt está morta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longa vida para Alma Welt!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4321622509482598189-8866604743263863270?l=guilhermedefariaprosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/feeds/8866604743263863270/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4321622509482598189&amp;postID=8866604743263863270&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/8866604743263863270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4321622509482598189/posts/default/8866604743263863270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guilhermedefariaprosa.blogspot.com/2007/08/o-caso-alma-welt-por-guilherme-de-faria_14.html' title='O Caso Alma Welt  (por Guilherme de Faria )'/><author><name>Guilherme de Faria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13613058423722939779</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_rBfsaidFtAM/RsH3rMZki1I/AAAAAAAAABw/6k3vhiF_x2Y/s72-c/6.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
