
Detalhe do meu desenho "Eros e Psiqué" reproduzido inteiro na capa do livro contos da Alma, de Alma Welt, em que a Psiqué é um retrato fiel da poetisa Alma.
Estou me tornando um velho solitário. Entre meus livros, telas e papéis, pintura e desenhos, compondo meus cordéis com paixão e assim continuo em contato com o mundo. Prossigo ilustrando os poemas que Alma me envia pela Internet e montando seus livrinhos que apresentamos em kits de madeira, para leitores especiais que percebem a preciosidade dessa espécie artesanal de edição da grande poetisa.
Mas, quando Alma Welt se digna a visitar-me, isto é, trazer pessoalmente seus poemas e romances para eu ilustrar e prefaciar, minha solidão se ilumina. Eu renovo meus sonhos por mais muitos meses.
Alma esteve aqui, ontem. Ainda estou embargado (ou embriagado). A "guria" está mais bela do que nunca. E como é meiga e carinhosa! Ela chegou no fim da tarde, e depois de um profundo abraço (ah! o abraço perfumado da Alma! ) começamos imediatamente a conferir nossas produções (as dela muito superiores e prolíferas) e a fazer planos.
A certa altura Alma pegou o violão e cantou, com sua linda voz macia e sussurrante a composição que a sua nova amiga Kibsel fez para um soneto seu e também a de seu amigo músico, o João Roque, para um poema seu de verso livre. Coisas lindas!
Ficamos tantas horas conversando e declamando nossos poemas, que ficou tarde e eu sugeri que ela dormisse aqui. Minha mulher está viajando para Minas e tudo estava muito propício. A guria hesitou, claro, com escrúpulos. Mas exausta aceitou, já que tenho um sumiê no escritório em que eu poderia dormir, oferecendo-lhe a minha cama.
Vocês, caros leitores do.... já imaginaram a minha tortura. Não preguei o olho a noite toda. Esta mulher magnífica, que já tive o privilégio de ter nos braços há alguns anos atrás, e por um ano inteiro, agora inacessível, por tudo, pelo rumo que a vida tomou...
Levantei-me muitas vezes para ir à cozinha beliscar bolachas doces e beber coca-cola light, para não engordar... ai de mim!
Até que, na alta madrugada, não resisti mais e aproximei-me da porta e abri-a com cuidado, só para observá-la adormecida. Minha alma precisava disso.
Alma estava nua e descoberta (como seu costume, no verão) adormecida, eu percebi, pela luz da lua que entrava pela janela semi-aberta. Não resisti, acendi a luz confiando em que ela não despertaria. E Alma não acordou!
Eu pude, meus amigos, ficar ali por pelo menos quinze minutos, diante do leito, contemplando esta escultura viva do mais puro mármore de Carrara. Sua perfeição inacreditável, seus seios pequenos, redondos, parecendo virginais, de bicos cor de rosa, seu ventre de alabastro, de suave curva terminando num montículo de pelos dourado encimando os lábios descobertos e levemente rosados de sua vulva perfeita como uma concha perfumada (eu confesso que a auri com minhas narinas bem perto). Suas pernas compridas, magníficas, ligeiramente abertas expunham esse tesouro, e eu pude ver que estava úmida de agradáveis sonhos, que escorriam cristalinos para os lençóis (jamais os lavarei). Seus pés delicados, estreitos, compridos, de pura seda, com dedos longos e nobres, o segundo mais comprido que o primeiro como o das estátuas gregas. Seus lábios de rosa, entreabertos, suas pálpebras de seda, seus cabelos dourados, luminosos, esparzidos...
Amigos, eu chorava e... não percebia.
A beleza feminina, nesse nível, comove, e eu creio que me nutro dela desde o nosso primeiro encontro.
Alma parece saber disso. Ela sabe, e veio me presentear, agora eu vejo. Veio alimentar de beleza o amigo que lentamente envelhece...
17/11/2006