terça-feira, 12 de agosto de 2014

"Uma vez, quando eu era bem jovem, um visitante, um senhor de meia idade vendo na casa de meus pais um desenho que fiz representando o rosto de Dom Quixote de La Mancha, cobiçou o desenho (não queria comprá-lo, eu o teria vendido). Então perguntei-lhe: "O senhor admira Cervantes, como eu?" E ele respondeu: "Não! Admiro o Dom Quixote, a pessoa dele." Desinteressei-me imediatamente do tal senhor... Percebi nele um alienado, que não admirava a arte e muito menos o senso crítico e satírico de um escritor de gênio. O sujeito era esse tipo de idealista, fronteiriço na loucura estéril, que jamais criaria uma obra de arte, ele mesmo." (das Memórias de Guilherme de Faria)

sábado, 31 de maio de 2014

Não tenho propriamente pesadelos. Tenho sonhos patéticos, que começam encantadores e terminam em frustração e quase cômicos. Acordo para fugir deles quando começam a derrapar, e uma vez acordado, ao me lembrar, sorrio de sua tragicomédia de detalhes tão realistas e engenhosos, terminando em fracasso. Sintomáticos de minha vida? Certamente. Reconheço que falhei em tudo, menos na Arte em si, pois fiz e faço o que realmente posso... (de uma imaginária entrevista com Guilherme de Faria)