sábado, 28 de janeiro de 2012

Quando eu era criança, e somos quatro irmãos (e não "em" quatro, hem! rrrss), de noite, à mesa de jantar, minha mãe, que conhecia a minha verve, incentivava que eu contasse as experiências do meu dia na escola, e mesmo no trajeto de ida e volta. Eu adorava isso, e acreditem, improvisava pequenas crônicas humorísticas, que faziam enorme sucesso, principalmente com ela mesma, minha mãe, cuja gargalhada me recompensava. Agora vejo que perdi muito tempo sem escrever, pela necessidade de ganhar a vida com as artes plásticas. Mas, para não perder o foco, devo ressaltar que o mérito estava todo nela, na atitude avançada de nossa mãe. Imaginem, uma mãe que se divertia e incentivava à mesa as narrativas reais de uma criança de oito, nove anos, com o risco do ciúmes que produzia nas outras!... (Guilherme de Faria)
Uma das melhores iniciativas que tive na vida, a meu ver, foi começar a escrever para valer em 2001, quando já estava com 59 anos. Não foi tarde demais. Há dez anos escrevendo todos os dias, pude passar a limpo a minha vida inteira. E melhor: entrei na terceira idade sem veleidades de juventude e sem outras vaidades senão a da própria literatura. Acreditem: há dez anos, pelo menos, não posso ser seduzido nem tentado pelas mulheres, mas confesso que ainda me impressiono com os louvores às minha artes, que me enchem de satisfação. Quero dizer com isso que me restou somente a vaidade artística, nenhuma outra... Graças a Deus! (Guilherme de Faria)

Sobre a apreciação da pintura figurativa

No que se refere ao expectador, há três níveis distintos na apreciação de uma pintura figurativa, que são três níveis de aproximação. 1°: Há os que gostam do quadro pelo simples reconhecimento da figura ali representada. Este é o nível mais primário. 2° Há os que gostam do quadro por identificação com a figura ali representada. Trata-se da aproximação sentimental, ainda nada tem a haver com arte. E 3° : Aqueles que apreciam um quadro pelo seu nivel técnico, isto, é, pela destreza de suas pinceladas, visíveis ou não, pelas sua combinação de cores, suas texturas, equilíbrio e originalidade de sua composição; pela harmonia do conjunto, pelo seu mistério e sensibilidade gráfica e plástica. Emfim: por sua "plasticidade". Este e o verdadeiro nível de apreciação da Arte: a dos valores abstratos no figurativo. Quanto à temática... bem, é a sobremesa ou o licor de arremate...(Guilherme de Faria)
"Você sabe, Beth, os críticos de arte, se ainda existissem, diriam que o tema ou o lado "anedótico" da pintura não interessa, queo o que interessa é a qualidade da pintura em si. Mas nunca vi uma pessoa comum que não se interessasse pelo que está representado na pintura figurativa." (Guilherme de Faria em comentário no facebook, sobre uma pintura do século XIX postada por ele)
Sempre pensei desde o seu aparecimento em mim a partir de Julho de 2001, que a Alma Welt, fosse a minha "anima" (no sentido junguiano) que se apresentou como escritora (poetisa e prosadora) depois de ter me ofertado a sua bela imagem de mulher em desenhos, gravuras e pinturas desde 1963. Mas já há algum tempo passei a suspeitar seriamente de que ela existiu ou existe mesmo, em carne e osso, pelo menos num universo paralelo... (Guilherme de Faria)
Quando eu era menino de uns dez anos, meu pai me contou sobre um personagem da Era do Radio, talvez um político (não me lembro o nome) que declarou: "Dêm-me os meios de comunicação e eu faço dois países vizinhos e tradicionalmente amigos entrarem em guerra entre si em 24 horas."
Lembrei-me disso agora ao pensar no poder da Globo em fabricar modas, falsos gostos e promover o vazio como se fosse interessante. A massa é levada pelo nariz como gado... (Guilherme de Faria)
Há não muitos anos atrás, as pessoas ligavam a televisão para ver artistas de talento encenando novelas de dramaturgos como Dias Gomes, ou mini-séries baseadas em livros clássicos da grande literatura lusa ou brasileira; cantores de qualidade, humoristas talentosos, etc. Enfim, artistas... Por isso não posso entender porquê tanta gente fica observando pessoas vazias e banais, sem nenhum talento, por horas, num programa como o BBB. Se fosse um programa com uma seleção prévia para revelar talentos, tudo bem. Mas não! O critério é, visivelmente, a banalidade e a vulgaridade! (Guilherme de Faria
Sempre me espantou observar como as mulheres, mesmo as mais inteligentes, podem passar da apreciação culta de uma bela obra de arte, para um tema de absoluta futilidade. Assim... em segundos! (Guilherme de Faria)
Sinto muito dizer isso, mas sempre desconfiei que a grande dor que as pessoas revelam quando alguém querido ou admirado morre, se deve ao fato de que no fundo as pessoas sabem ou temem que a morte seja o Nada, o total aniquilamento. Pois se as pessoas acreditassem mesmo que existe um mundo post mortem e melhor, não seria motivo de júbilo e de festa? (Guilherme de Faria)
Um amigo neurótico que não tenho, chega invectivando contra os idiotas, contra os políticos corruptos, contra os bêbados na direção, contra o crime crescente... Eu digo a ele: Meu amigo, aceite o mundo como ele é! O brilho, a sensatez, a verdade e a beleza sempre foram a excessão! A caravana insensata passa, rumo ao abismo, sem ouvir nossos latidos de advertência e de protesto. Conforme-se... ou então desenvolva um câncer. Suicide-se, sempre é uma alternativa... (Guilherme de Faria)
Diante de nossa impotência perante programas boçais como o BBB, não nos resta outra alternativa senão nos conformarmos adotando o seguinte pensamento: os idiotas, que formam grande parte da população no mundo todo, têm o direito de se divertir conforme as sua limitada mente e de acordo com sua mediocridade fundamental. Não temos o direito de impingir à sua obtusidade intrínseca programas inteligentes, que seriam dolorosos para eles. Sejamos tolerantes... digo mais: sejamos caridosos com os deficientes, apenas mudemos de canal, lembrando que quando passar o vendaval de tolices e vazio, nem precisamos voltar para a Globo.... Afinal, existe a TV a cabo! ( Guilherme de Faria)
Crédito só seria interessante se fosse dinheiro dado. Mas... emprestado? Ter que pagar? E com juros? É idiota... não é interessante! (Guilherme de Faria)
O político que conseguiu, há muito tempo no Brasil, votar a lei que eliminou a prisão por dívidas, é um benemérito, merece louvores diários. Na antiguidade, em Roma, os insolventes eram transformados em escravos e iam para as galés (ser remadores acorrentados nos porões dos navios de guerra) ou para o trabalho até a morte nas minas. Da Idade Média até o século XVIII os endividados eram jogados nas masmorras e barbaramente torturados para confessar ter dinheiro escondido. No século XIX até o começo do século XX eram simplesmente presos. Quanto a mim, endividei-me com o cartão de crédito há quinze anos atrás e não podendo pagar deixei correr solto por dez anos a divida crescer de uma maneira astronômica. Eu ria e dizia pro Banco : "Vou levar essa dívida para o túmulo!" Resultado eles foram baixando o valor da divida e parcelando. Eu continuava rindo, vivendo e dormindo melhor sem conta, sem talão de cheque e sem crédito. Baixaram tanto que afinal ficou muito fácil saldar. Paguei e imediatamente recuperei a conta e o crédito. Agora não param de me oferecer mais crédito, tentadoramente, num verdadeiro canto de sereia. Seria de morrer de rir, se não fosse capcioso... (Guilherme de Faria)
Em se falando de Arte podemos dizer taxativamente: Um quadro pode até ser bonito, mas um quadro nunca precisa ser bonito. Um quadro precisa é ser "bom". Ser "bom" significa ser "boa pintura", isto é, ser pintado com maestria. (Guilherme de Faria)

Olympia - Margaret Bowland, 2007

Presumo que Margareth Bowland, ao entitular esta sua tela "Olympia" , faz uma alusão à famosa tela de Manet, de mesmo nome, que tanto escândalo fez ao ser exposta no Salon de 1865, por razões totalmente equívocas. As pessoas não se davam conta que o revoltante não era ser o retrato de uma cocotte nua na cama, recebendo flores de um admirador pelas mãos de uma serva negra, mas sim a subalternidade da negra, tão obscura que seu rosto quase se funde ao fundo escuro da tela. Já aqui a pintora americana coloca a negra e a loura americana gloriosamente nuas, lado a lado, na mesma cama. Palmas para essa pintora!
O Mundo é mau, todo mundo sabe disso. Os católicos o chamavam de "Vale de Lágrimas"...Entretanto continuamos colocando nossos filhos no mundo, acreditando, talvez, que eles o tornarão melhor. O problema são os filhos dos outros... Guilherme de Faria
Por que será que toda vez que alguém diz "o povo" isso e aquilo... se coloca fora do povo, mesmo que em seguida tome um ônibus ou o metrô? (Guilherme de Faria)
Uma amiga do face forneceu em comentário dados de pesquisa da Onu sobre a situação atual das mulheres no mundo, e esses dados são estarrecedores. A julgar por eles, as mulheres continuam escravas dos homens ou cidadãs de terceira classe. O avanço social das mulheres foi mínimo ou irrelevante. Não me admira que a poetisa Alma Welt tenha decidido abandonar este mundo (se é que isso aconteceu) ou tenha sido vitima fatal do homem, o que é mais provável... (Guilherme de Faria)
O Brasil, a sexta potência econômica do mundo? Isso quer dizer que novos latifúndios foram criados e mais cem favelas nasceram... (Guilherme de Faria)
Alguém se declara decepcionado? Alguém tinha dúvida de que o Capitalismo foi criado para enriquecer os ricos e empobrecer os pobres? (Guilherme de Faria)
Nos anos 70, para provar que eu podia ter sido um "expressionista alemão" rrrrssss, como Otto Dix, George Grosz ou Emil Nolde, eu fiz uma porção de litos a pincel, grotescas, bem expressionistas, com tiragens baixas (esta por exemplo está numerada 16/30) , porque meu editor dizia que iriam "encalhar". De um jeito ou de outro todas se esgotaram. Agora são raríssimas. Se o Brasil fosse um país sério, que tivesse "mercado de arte", estas deveriam ser as mais caras hoje em dia... (Guilherme de Faria)