Tive um primo colecionador de arte que tinha a mania de, quando me encontrava, me convidar para ver a coleção dele que aumentava sem parar. Cada vez que eu aceitava visitá-lo por curiosidade, ele estava morando num novo condomínio cada vez mais rico, em apartamentos imensos de um por andar. Ele tinha passado de uma bela coleção de acadêmicos do brasileiros do século XIX (que era o que ele realmente entendia como pintura) para os modernos. Começou com um Cícero Dias. Logo estava com um Portinari comprado na Sotheby's, segundo ele por dois milhões de dólares. Era realmente belíssimo. Depois passou a comprar Pancetti cada vez mais caros, aquelas praias da Bahia. Só que quando eu o visitava ele ligava aquele spots em focos, de mau gosto com a casa às escuras e que deixavam os quadros fosforescentes e espectrais, um horror, denunciando o seu verdadeiro gosto! Mas o pior é que ele ficava dizendo: "Veja este Pancetti, eu comprei por $700.000 dolares. Está valorizando 15% ao ano. Veja este Portinari, este eu comprei num leilão por $1.000.0000 está valorizando 30% ao ano. Só se referia a eles assim. E eu dizia: "Belíssimo, realmente... Que belo quadro, uma obra-prima" (era verdade, os quadros eram mesmo maravilhosos, como também eram os acadêmicos). Mas ele só falava em quanto valiam! Pois bem, esse rapaz que ficou bilionário muito cedo com corretagem de ferro e aço, e tinha três fazendas,inúmeras empresas, até jato particular,e que era meu primo,fora colega de brincadeiras de rua, da molecada, na nossa infância e nunca comprou um único quadro meu. Só queria que eu fosse lá admirar a coleção dele de quadros do modernismo brasileiro, quadros milionários que ele comprava tendo em vista o investimento e a valorização. Comecei a pensar que ele queria me humilhar. Então um dia ele ligou para mim e disse: "Guilherme eu ganhei uma surpreendente caixinha de cordéis seus e estou apaixonado por eles, eu leio e releio, não consigo parar. Eu fui para a minha fazenda e não levei a caixinha, só levei outros livros e não os consegui ler. Ficava pensando nos cordéis e como eu queria lê-los de novo. Você escreveu mais cordéis? Tem mais dessas caixas?" - E eu disse: "Sim ... eu escrevi mais de cem". Ele então disse:- "Quero comprar meia dúzia de caixinhas iguais aquela para presentear uns amigos empresários, e uma caixa dos novos para mim".- Eu disse: "OK, vou montá-las e quando estiverem prontas eu te ligo". E ele: "Ótimo, assim você vem ver os novos quadros que comprei..."
Dali a uma semana eu liguei e combinamos de eu ir lá para ver mais uns belos quadros e entregar as caixinhas que ficariam todas juntas em apenas uns R$ 300,00 (trezentos reais). Foi tudo o que ele me comprou a vida inteira. Logo ele morreria e eu estou hesitante em contar como foi essa última visita que lhe fiz, e que foi espantosa. Eu iria descobrir porquê, ele, assim como era, gostou tanto e quis comprar os meus cordéis.
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Dirigi-me ao novo endereço fornecido por meu primo milionário, um condomínio mais luxuoso ainda. Anunciado na guarita da portaria que parecia uma casamata ou um bunker, quando afinal tive permissão para entrar e o portão se abriu, me vi atravessando um verdadeiro parque, então entrei no belo prédio de concreto aparente e tomei um luxuoso elevador que parou dento do próprio apartamento num imenso saguão ou hall. Diante de mim estava um cãozinho mudo que me olhava estranhamente, com curiosidade, sem latir e sem abanar a cauda. O apartamento estava na penumbra, às escuras, não dava nem para enxergar os quadros. Eu chamei meu primo, duas vezes e esperei um minuto...
Subitamente sai de uma porta lateral... vocês não imaginam... Não, vocês não podem imaginar! Uma CAVEIRA!
Sim, um esqueleto ambulante, andando inclusive com aquele andar meio sincopado dos esqueletos de desenho animado. Terrível, os olhos encovados, enormes, imenso nariz, faces macilentas a pele sobre o osso modelando a cavidade dos seios da face. Os dentes descobertos pela boca sem lábios, em ríctus, espécie de riso triste, congelado, sinistro...
Diante do meu susto (eu não reconheci aquela visão, aquela abantesma trágica) e a figura fugiu rapidamente sumindo por aquela mesma porta e voltando uns dois minutos depois. Creio que diante do meu susto, ele também chocado, resolvera dar-me tempo para eu me recuperar. Quando ele voltou, eu exclamei lentamente: “José!...”
Então ele me convidou a sentarmos no escritório enquanto eu, pasmado, chocado perguntava: “O que aconteceu... Zé...?” Meu primo fora um rapaz bonito, mais para alto, atlético, com cara de gangster mafioso de filme americano, de cabelo negro muito esticado, de imenso sucesso com as mulheres desde a adolescência. Agora... uma caveira!
Ele me contou que no ano anterior ficara oito meses internado num hospital, que os médicos diagnosticaram uma “neuropatia” (?) e passara por inúmeras cirurgias. Já estivera meses em cadeiras de rodas. Mas eu, ali, olhando-o, me parecia ver escrito em sua testa o nome daquela doença maldita, a pior de todas... Estava claro, indisfarçável...
Então retirei as caixas da sacola e pus-me a declamar um cordel para o meu pobre primo milionário, enquanto ele permanecia estranhamente imóvel meio inclinado para trás no sofá com a mão na testa, tão parado que por um momento pensei que ele tinha morrido, que eu recitava para um esqueleto afinal congelado no tempo...
Então terminado o meu cordel, eu me vi narrando para ele o conto “A Morte de Ivan Ilitch” de Leon Tolstoi, como a única mensagem que realmente cabia dar a ele, também um moribundo como o Juiz Ilitch, às voltas com o significado da espera... do retardamento tão longo, incompreensível...
Pra mim, naquele momento estava bem claro: meu primo materialista ao extremo fora traído pela Matéria. Ela se apresentara afinal a ele dizendo: - “Ah! Me amas ? Eis-me aqui! Vê o que sou eu!”- E o transformara numa caveira viva, dos pés à cabeça...
EPÍLOGO
Meu primo morreu umas semanas depois. E eu pus-me a pensar num motivo para ele, que jamais pensara em comprar um quadro meu, mesmo acompanhando à distância minha carreira, sim, o motivo e a razão dele se ligar tanto nos meus cordéis que pareceram tocá-lo tão fundo a ponto de me revelar que fora “a coisa que mais gostara de ler na vida” (sic). Ele, um homem tão materialista... Cheguei à conclusão de que diante da tragédia de sua doença, que vinha certamente interromper seu novos planos de poder e mais riquezas, ele, que em tão radical doença devia ter questionado o sentido de tudo, ou o seu absurdo, descobrira estórias que apostavam no sentido da vida, na poesia dos seres e das coisas, na imensa poesia da vida do homem comum. Sim, um humanismo inteligível, convincente, afinal, uma aposta no sentido da vida, mesmo na pobreza e no despojamento do homem do Sertão... na imensa beleza de existir....
Ele podia afinal morrer, a vida fazia sentido...
FIM
24/03/2012
sábado, 24 de março de 2012
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Como já contei, eu tenho um fraco pelo programa humorístico "Two and a Half Man", a mais inteligente, psicológica e engraçada entre as comédias americanas de TV a cabo. Eu vejo o personagem Alan ( o irmão fracassado do Charlie) como o mais defeituoso dos homens: ele é imaturo, mesquinho, aproveitador, parasita, invejoso, avarento, inseguro, ridículo, inepto e feio. No entanto, que grande ator o encarna, que comediante, que timing de comédia! Ele consegue fazer um tipo detestável ficar extremamente engraçado. O curioso, é que o irmão bem sucedido, charmoso, bonito, cheio de presença de espírito e humor sarcástico é justamente o alcóolatra, e que por ser encarnado por outro grande ator, também se torna convincente. A Arte consiste em dotar o impossível de verossimilhança. A Arte pode tudo. (Guilherme de Faria)
Sempre me impressionou o fato dos sonhos se evaporarem de manhã ao acordar, e sumirem completamente. Entretanto tive dois sonhos extremamente reais e magníficos, dos quais nunca me esqueci nem dos mínimos detalhes. Ambos aconteceram no ano de 1977 e marcaram a minha vida de maneira profunda. Eram tão nítidos que ao despertar não os senti como sonhos pois a realidade circundante não era mais acurada que eles. Percebi que tinham sido "reminicênciais" espirituais (no sentido platônico) de outras vidas. Não preciso dizer que ambos diziam respeito à minha anima, isto é, a Alma Welt, que no entanto eu iria nominar e conhecer como grande poetisa gaúcha (!!!), prosadora e pensadora profunda, vinte e quatro anos depois, em 2001. Desde então ela não pára de me "enviar" seus textos diariamente... (Guilherme de Faria)
Vocês viram o que eu vi? Acabo de ver na TV a cabo um trecho de um programa humorístico americano em que uma mãe, usando a tática de psicologia contrária com sua filha adolescente, para que esta não mude o vestido, que ela, a mãe, considerou bem adequado, diz: " Vá tirar esse vestido! Você parece uma prostituta brasileira!"
Fiquei estarrecido e até envergonhado ao perceber em que conta os americanos nos tem... (Guilherme de Faria)
Fiquei estarrecido e até envergonhado ao perceber em que conta os americanos nos tem... (Guilherme de Faria)
Se Cristo tivesse tido um bom advogado de defesa (se os houvesse) provavelmente teria sido absolvido pelo juiz Poncius Pilatos, pois certamente lembraria aos jurados (se os houvesse) que o réu incentivava o povo ao pagamento dos impostos: "Dai a Cesar o que é de Cesar..." atitude da qual chamaria facilmente testemunhas... (Guilherme de Faria
Estou ficando idoso. Minha obra está toda por aí pelo mundo em milhares de casas e alguns poucos museus. Voltem, ah! voltem minha obras.... juntas um bom punhado delas, antes que seja tarde! Quero somente revê-las e se possível passar adiante as que tenho comigo, pois "deste mundo nada se leva" e eu aprecio mais as minhas obras sob esse mistério, que é o olhar do outro... (Guilherme de Faria)
A famosa Arca da Alma
A famosa Arca da Alma
De tempos em tempos eu republico aqui as fotos da grande arca antiga, colonial, que foi encontrada no sótão do casarão da família Welt, repleta da obra literária da grande poetisa do Pampa, em grande parte ainda inédita, e que levará ainda muitos anos para ser toda compilada, estudada e publicada. Somente de sonetos foram encontrados até o momento 2.116 (!!!).
De tempos em tempos eu republico aqui as fotos da grande arca antiga, colonial, que foi encontrada no sótão do casarão da família Welt, repleta da obra literária da grande poetisa do Pampa, em grande parte ainda inédita, e que levará ainda muitos anos para ser toda compilada, estudada e publicada. Somente de sonetos foram encontrados até o momento 2.116 (!!!).
Para ser franco, devo dizer que no meu tempo de garoto os meninos também não sabiam nada. Pior: era a época dos pequenos cafagestes de quarteirão, devido ao desrespeito com que falavam das meninas e das mulheres. Já era uma época muito ruim. Eu era totalmente atípico e solitário e assim o fui pelo que me pareceu muito tempo... só com dezessete anos eu vim a conhecer gente igual a mim, um grupo de poetas jovens e maravilhosamente subversivos, hoje todos consagrados. Roberto Piva e Claudio Willer eram dois dos mais proeminentes...
Eu fico impressionado, quando tenho algum contato com jovens, de ver que eles não sabem nada. Absolutamente nada! E estou falando de jovens da classe média, que estudam em escolas pagas! Um exemplo: se você lhes pergunta como e porquê houve uma Guerra Mundial, eles nem sabem que houve uma, muito menos duas. (Guilherme de Faria)
O consumo de álcool está crescendo na juventude. Quase já podemos falar em alcoolismo generalizado. Isso porque o adolescente e o jovem já não compreendem divertimento (balada) sem bebida, muita bebida. Isso vai acabar mal, porque não vejo como não comprometerá toda uma geração, que será, no mínimo, de assassinos potenciais ao volante. E de espantosos ignorantes, pois todos sabemos que eles ficam naquela rua do bar, ao lado das escolas, e já nem entram todos dias nas salas de aula. (Guilherme de Faria
Vou revelar um segredo sobre mim aos meus amigos do face: Eu sinto muito maior satisfação com os elogios que fazem à Alma Welt do que com os que fazem a mim, que há muito tempo já não me emocionam. A razão disso? Creio que eu sou bem mais ela do que eu mesmo, já que ela é a minha anima, portanto a minha verdadeira natureza desde sempre. Eu, como artista plástico, sem saber não fiz mais que invocar a sua imagem por tanto tempo até que ela me apareceu com mais do que a sua bela figura de modelo. Como prêmio pela minha fidelidade ela me deu a sua obra, seus pensamentos e sua beleza interior. A sua Poesia, enfim... (Guilherme de Faria)
sábado, 28 de janeiro de 2012
Quando eu era criança, e somos quatro irmãos (e não "em" quatro, hem! rrrss), de noite, à mesa de jantar, minha mãe, que conhecia a minha verve, incentivava que eu contasse as experiências do meu dia na escola, e mesmo no trajeto de ida e volta. Eu adorava isso, e acreditem, improvisava pequenas crônicas humorísticas, que faziam enorme sucesso, principalmente com ela mesma, minha mãe, cuja gargalhada me recompensava. Agora vejo que perdi muito tempo sem escrever, pela necessidade de ganhar a vida com as artes plásticas. Mas, para não perder o foco, devo ressaltar que o mérito estava todo nela, na atitude avançada de nossa mãe. Imaginem, uma mãe que se divertia e incentivava à mesa as narrativas reais de uma criança de oito, nove anos, com o risco do ciúmes que produzia nas outras!... (Guilherme de Faria)
Uma das melhores iniciativas que tive na vida, a meu ver, foi começar a escrever para valer em 2001, quando já estava com 59 anos. Não foi tarde demais. Há dez anos escrevendo todos os dias, pude passar a limpo a minha vida inteira. E melhor: entrei na terceira idade sem veleidades de juventude e sem outras vaidades senão a da própria literatura. Acreditem: há dez anos, pelo menos, não posso ser seduzido nem tentado pelas mulheres, mas confesso que ainda me impressiono com os louvores às minha artes, que me enchem de satisfação. Quero dizer com isso que me restou somente a vaidade artística, nenhuma outra... Graças a Deus! (Guilherme de Faria)
Sobre a apreciação da pintura figurativa
No que se refere ao expectador, há três níveis distintos na apreciação de uma pintura figurativa, que são três níveis de aproximação. 1°: Há os que gostam do quadro pelo simples reconhecimento da figura ali representada. Este é o nível mais primário. 2° Há os que gostam do quadro por identificação com a figura ali representada. Trata-se da aproximação sentimental, ainda nada tem a haver com arte. E 3° : Aqueles que apreciam um quadro pelo seu nivel técnico, isto, é, pela destreza de suas pinceladas, visíveis ou não, pelas sua combinação de cores, suas texturas, equilíbrio e originalidade de sua composição; pela harmonia do conjunto, pelo seu mistério e sensibilidade gráfica e plástica. Emfim: por sua "plasticidade". Este e o verdadeiro nível de apreciação da Arte: a dos valores abstratos no figurativo. Quanto à temática... bem, é a sobremesa ou o licor de arremate...(Guilherme de Faria)
"Você sabe, Beth, os críticos de arte, se ainda existissem, diriam que o tema ou o lado "anedótico" da pintura não interessa, queo o que interessa é a qualidade da pintura em si. Mas nunca vi uma pessoa comum que não se interessasse pelo que está representado na pintura figurativa." (Guilherme de Faria em comentário no facebook, sobre uma pintura do século XIX postada por ele)
Sempre pensei desde o seu aparecimento em mim a partir de Julho de 2001, que a Alma Welt, fosse a minha "anima" (no sentido junguiano) que se apresentou como escritora (poetisa e prosadora) depois de ter me ofertado a sua bela imagem de mulher em desenhos, gravuras e pinturas desde 1963. Mas já há algum tempo passei a suspeitar seriamente de que ela existiu ou existe mesmo, em carne e osso, pelo menos num universo paralelo... (Guilherme de Faria)
Quando eu era menino de uns dez anos, meu pai me contou sobre um personagem da Era do Radio, talvez um político (não me lembro o nome) que declarou: "Dêm-me os meios de comunicação e eu faço dois países vizinhos e tradicionalmente amigos entrarem em guerra entre si em 24 horas."
Lembrei-me disso agora ao pensar no poder da Globo em fabricar modas, falsos gostos e promover o vazio como se fosse interessante. A massa é levada pelo nariz como gado... (Guilherme de Faria)
Lembrei-me disso agora ao pensar no poder da Globo em fabricar modas, falsos gostos e promover o vazio como se fosse interessante. A massa é levada pelo nariz como gado... (Guilherme de Faria)
Há não muitos anos atrás, as pessoas ligavam a televisão para ver artistas de talento encenando novelas de dramaturgos como Dias Gomes, ou mini-séries baseadas em livros clássicos da grande literatura lusa ou brasileira; cantores de qualidade, humoristas talentosos, etc. Enfim, artistas... Por isso não posso entender porquê tanta gente fica observando pessoas vazias e banais, sem nenhum talento, por horas, num programa como o BBB. Se fosse um programa com uma seleção prévia para revelar talentos, tudo bem. Mas não! O critério é, visivelmente, a banalidade e a vulgaridade! (Guilherme de Faria
Sinto muito dizer isso, mas sempre desconfiei que a grande dor que as pessoas revelam quando alguém querido ou admirado morre, se deve ao fato de que no fundo as pessoas sabem ou temem que a morte seja o Nada, o total aniquilamento. Pois se as pessoas acreditassem mesmo que existe um mundo post mortem e melhor, não seria motivo de júbilo e de festa? (Guilherme de Faria)
Um amigo neurótico que não tenho, chega invectivando contra os idiotas, contra os políticos corruptos, contra os bêbados na direção, contra o crime crescente... Eu digo a ele: Meu amigo, aceite o mundo como ele é! O brilho, a sensatez, a verdade e a beleza sempre foram a excessão! A caravana insensata passa, rumo ao abismo, sem ouvir nossos latidos de advertência e de protesto. Conforme-se... ou então desenvolva um câncer. Suicide-se, sempre é uma alternativa... (Guilherme de Faria)
Diante de nossa impotência perante programas boçais como o BBB, não nos resta outra alternativa senão nos conformarmos adotando o seguinte pensamento: os idiotas, que formam grande parte da população no mundo todo, têm o direito de se divertir conforme as sua limitada mente e de acordo com sua mediocridade fundamental. Não temos o direito de impingir à sua obtusidade intrínseca programas inteligentes, que seriam dolorosos para eles. Sejamos tolerantes... digo mais: sejamos caridosos com os deficientes, apenas mudemos de canal, lembrando que quando passar o vendaval de tolices e vazio, nem precisamos voltar para a Globo.... Afinal, existe a TV a cabo! ( Guilherme de Faria)
O político que conseguiu, há muito tempo no Brasil, votar a lei que eliminou a prisão por dívidas, é um benemérito, merece louvores diários. Na antiguidade, em Roma, os insolventes eram transformados em escravos e iam para as galés (ser remadores acorrentados nos porões dos navios de guerra) ou para o trabalho até a morte nas minas. Da Idade Média até o século XVIII os endividados eram jogados nas masmorras e barbaramente torturados para confessar ter dinheiro escondido. No século XIX até o começo do século XX eram simplesmente presos. Quanto a mim, endividei-me com o cartão de crédito há quinze anos atrás e não podendo pagar deixei correr solto por dez anos a divida crescer de uma maneira astronômica. Eu ria e dizia pro Banco : "Vou levar essa dívida para o túmulo!" Resultado eles foram baixando o valor da divida e parcelando. Eu continuava rindo, vivendo e dormindo melhor sem conta, sem talão de cheque e sem crédito. Baixaram tanto que afinal ficou muito fácil saldar. Paguei e imediatamente recuperei a conta e o crédito. Agora não param de me oferecer mais crédito, tentadoramente, num verdadeiro canto de sereia. Seria de morrer de rir, se não fosse capcioso... (Guilherme de Faria)
Olympia - Margaret Bowland, 2007
Presumo que Margareth Bowland, ao entitular esta sua tela "Olympia" , faz uma alusão à famosa tela de Manet, de mesmo nome, que tanto escândalo fez ao ser exposta no Salon de 1865, por razões totalmente equívocas. As pessoas não se davam conta que o revoltante não era ser o retrato de uma cocotte nua na cama, recebendo flores de um admirador pelas mãos de uma serva negra, mas sim a subalternidade da negra, tão obscura que seu rosto quase se funde ao fundo escuro da tela. Já aqui a pintora americana coloca a negra e a loura americana gloriosamente nuas, lado a lado, na mesma cama. Palmas para essa pintora!
Uma amiga do face forneceu em comentário dados de pesquisa da Onu sobre a situação atual das mulheres no mundo, e esses dados são estarrecedores. A julgar por eles, as mulheres continuam escravas dos homens ou cidadãs de terceira classe. O avanço social das mulheres foi mínimo ou irrelevante. Não me admira que a poetisa Alma Welt tenha decidido abandonar este mundo (se é que isso aconteceu) ou tenha sido vitima fatal do homem, o que é mais provável... (Guilherme de Faria)
Nos anos 70, para provar que eu podia ter sido um "expressionista alemão" rrrrssss, como Otto Dix, George Grosz ou Emil Nolde, eu fiz uma porção de litos a pincel, grotescas, bem expressionistas, com tiragens baixas (esta por exemplo está numerada 16/30) , porque meu editor dizia que iriam "encalhar". De um jeito ou de outro todas se esgotaram. Agora são raríssimas. Se o Brasil fosse um país sério, que tivesse "mercado de arte", estas deveriam ser as mais caras hoje em dia... (Guilherme de Faria)
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