Onde os ciprestes se juntam (para Amy Winehouse)
(de Guilherme de Faria)
Onde os ciprestes se juntam
e ao vento gelado das cidades do norte
se curvam
onde os corvos revoam crocitando
agourando a vida dos homens
desde sempre
Onde os relógios batem horas em salas tristes
Amy Winehouse ainda vacilante desfila
e ondula seu corpo esguio
maltratado pela auto-mutilação
de suas feias tatuagens
na sua brancura outrora imaculada
tão cedo rejeitada
de volta ao negro
ela voltará sempre
com sua voz negra do melhor do blues
e da alma
Amy voltará sempre
e com ela conviveremos ainda
por muito tempo
por amor à sua doçura invencível
sua expressividade trágica
indisfarçada
e para sempre legada
à nossa própria tragédia de viver.
Amy
quê dizer?
senão que te amamos
e quiséramos abraçar
teu corpo martirizado
e juntar com a mão
sobre teus apliques e desajeitados cabelos
tua linda cabeça ao nosso ombro
como o faríamos a essa girl
que bem sabemos
foste e serás
agora para sempre
de volta ao negro
mas também
a nós...
27/07/2011
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Meu auto-retrato (de Guilherme de Faria)

Auto-retrato de Arnold Böcklin (grande simbolista suiço)
Meu auto-retrato (de Guilherme de Faria)
O meu auto-retrato imaginado
Seria como o do mestre suíço
Que captou um som meio arpejado
Daquele violino insubmisso
Nas mãos de dedos descarnados
Da fiel companheira de atelier
Desde tempos mal recompensados
Senão pelas delícias de beber...
Mas devo também lembrar o logro
Que fiz à minha acompanhante
Querendo os seus préstimos em dobro
E pra tê-la bem mais tempo do meu lado
Jogando para um tempo mais distante
A paga por seu zelo devotado...
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