terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Se alguém me perguntasse qual é o meu segredo (ninguém nunca me pergunta nada) eu diria: "Pinto e escrevo sempre para mim mesmo, coisas que eu gostaria de ver e ler." 
Sei que isso não é uma novidade, todo artista faz exatamente isso. Mas quando surge de mim algo que eu realmente gosto, sinto que aconteceu um pequeno milagre. E mesmo depois de tantos anos fico invariavelmente deslumbrado... e grato.
(Guilherme de Faria)
Se me perguntassem (nunca me perguntam nada) o que eu procuro na pintura, eu diria: a Poesia. Para isso é preciso harmonizar muito bem as cores e saber desenhar. Ah! e também ter ouvido musical...
(Guilherme de Faria)

"Retrato do artista quando jovem cão." (Dylan Thomas)

Pode ser um lugar comum, mas quanto a isso de envelhecer, eu, Guilherme de Faria, só posso dizer que gostaria de voltar à juventude tão somente quanto ao corpo, isto é, mantendo a cabeça que tenho agora. Com isso quero dizer que reconheço que eu era um tanto idiota, sobretudo quanto à politica, por exemplo. Ah! Mas também porque fumava, bebia, e sofria feito um cão. Sim, eu era um talentoso idiota... 
(Guilherme de Faria)
É curioso... Hoje, dia 1° do ano, a minha Oscar Freire amanhece silenciosa, e não se ouvem nem bem-te-vis. Acordei cedo, porque não bebo álcool desde 1981. Nem um único gole. Quando eu era jovem, "um dedal era muito e um barril era pouco", como se diz... Não faz falta, não tenho saudades, nunca tive de lá para cá a chamada "memória eufórica". Sou atípico, nunca tive recaída. Aprendi a lição de estalo quando ouvi o primeiro depoimento. Não duvidei. Burro é quem só aprende com a própria experiência. Nunca mais brindei a nada, deixo pra quem pode. Bebam por mim neste novo ano, mas saibam que não tenho um pingo de inveja, mesmo reconhecendo ainda a beleza da cor de um copo de cerveja ou de vinho... mas só como pintor. Acreditem se quiserem. Fui bem mais feliz na sobriedade. Meu desenho, minha pintura? Não mudaram, não ficaram nem melhor nem pior, talvez porque a Arte num artista é o último baluarte a cair. Deus seja louvado. ELE parece apreciar os artistas porque lhes dá umas surras 
mas poupa a suas artes...
( Guilherme de Faria)

RETROSPECTIVA DO ANO QUE PASSOU

O ano de 2018 foi de guerra, de intenso e sangrento combate verbal na Internet, nas redes sociais, contra as forças malignas do esquerdismo/comunismo, isto é, contra aqueles que apoiam boçal e masoquisticamente os políticos saqueadores dos dinheiros públicos, os destruidores da economia, da cultura e dos valores morais da maioria do povo brasileiro. Vencemos. A maioria do povo, desde sempre conservadora e cristã, só estava esperando aparecer afinal um candidato honesto e conservador para mostrar nas urnas claramente a sua insatisfação, o seu repúdio aos canalhas antidemocráticos, por interesses espúrios apoiadores de ditaduras genocidas, e também aos idiotas úteis que os apoiam por equivocado sentimentalismo utópico ou por simples ignorância histórica.
Entretanto temos que tomar cuidado: os socialistas/marxistas tiveram tempo, por muitas décadas, de aparelhar os três poderes da República, e toda a cultura do país, quer dizer: a Educação, as mídias escritas, a televisão, o cinema, o teatro, e a literatura, com a deletéria doutrina marxista, amiga da hipocrisia e da mentira. A nova geração, analfabetisada pelo sócio-construtivismo do comunista Paulo Freire, criador de analfabetos funcionais que assim chega às Faculdades sem méritos e saem delas para ocupar com seus diplomas vazios as profissões e os futuros cargos públicos, tentarão retomar o poder da esquerda no nosso país. Fiquemos atentos. O estrago foi fundo, as forças destruidoras do Império do Mal planejavam perpetuar-se no poder e estão surpresas e raivosas. É sabido: têm vocação assassina e até genocida, comprovada 100% pela História. Fiquemos vigilantes e... nada ingênuos, se possível.
(Guilherme de Faria)


Nota
Não se iludam, os socialistas/comunistas NUNCA são bem intencionados, são hipócritas, isto sim. Marx era comprovadamente do Mal, satanista (há provas). O Lula, por exemplo, é bandido, ladrão, saqueador e enriqueceu com o nosso dinheiro justamente por ser socialista/comunista, ferrenho conspirador pelo comunismo internacional, fundador e líder do Foro de São Paulo, parceiro de ditaduras e até das FARC. Não acreditem que Lula era um simples ladrão. Triplex e sítio é brincadeira... o cara é um demônio que saqueou na escala de trilhões, porque é isso que os comunistas sempre fazem.


O comunismo gera pobreza, desemprego e mortandade. O socialismo gera parasitas. O que gera riqueza, motivação e emprego é o capitalismo, esta é que é a verdade.
Apesar de eu ter votado no Bolsonaro, há uma pauta do capitão da qual não compartilho, isto é, o rearmamento da população por mais controlado que pretenda ser isso. Por uma razão muito simples: as pessoas de bem que pretendem se armar não estão levando em conta o fato de que tal lei democrática armará também as pessoas de esquerda. Ora, os esquerdistas, quer comunistas, quer socialistas, por mais normais que possam eventualmente parecer, possuem um elemento de alta periculosidade latente e por vezes invisível. Trata-se do que se denomina "mente revolucionária" do típico esquerdista/socialista ou comunista, fator que o professor Olavo de Carvalho tão bem analisou ao longo de dezenas de palestras e vídeos no youtube.(Se alguém duvida disto assista o vídeo da Manuela D' Ávila elogiando o Stálin, o maior genocida da História da Humanidade ocidental). Alguém duvida da polarização feroz da guerra cultural esquerda-direita, depois do que vimos nas redes sociais durante a campanha eleitoral, e que prossegue ainda? O povo armado no Brasil veria uma guerra civil sangrenta como as que se viram em vários países desde a Revolução Francesa, passando pela Guerra de Secessão Americana, e a Revolução Bolchevista de 1917. Nós logo teríamos saudades dos 60.000 assassinatos por ano por simples bandidos da fase atual.
(Guilherme de Faria)
Nota
Sou insuspeito para dizer isso porque tive, com tristeza, de entregar três revólveres que eu tinha, na época do desarmamento compulsório. Um deles era uma preciosidade. Mas logo me conformei, porque percebi que quem tem uma arma de fogo acaba mais cedo ou mais tarde fazendo uso dela, às vezes contra si mesmo (no meu caso mais provavelmente)...
Vocês querem conhecer uma maneira infalível de detectar uma pessoa inculta? Basta você reparar se ela fala ou escreve "esteje" ou "seje", em vez de esteja ou seja, ou se diz "capitões" em vez de capitães. Quanto ao "analfabeto funcional", os sintomas são mais visíveis ainda, porque os erros de português são mais numerosos, principalmente os de concordância verbal. Ah! E o fato de que não concatenam um raciocínio lógico, se expressam por chavões e nunca respondem com propriedade a um arrazoado ou ataque verbal, e sim com deslocamentos.
 (Guilherme de Faria)
O Purgatório é um lugar para pessoas pacientes. Ao menor sinal de impaciência ele vira um Inferno. É claro que estou pensando no Brasil quando escrevo isto...
(Guilherme de Faria)

TROIA e o senso de realidade. ou O moço de Rio Pomba.

Há uns anos atrás, eu estando com a Eliana em temporada numa pousada de uma pequena cidade de Minas, durante os longos e monótonos serões assistia no DVD-player da sala comunitária da pousada, filmes épicos que eu alugava de uma locadora local, os quais aprecio muito, como O Senhor dos Anéis, Troia, e 300, por exemplo. Um moço recém-chegado de Rio Pomba, uma outra cidade mineira, aproximou-se de mim, e com visível ironia me disse: "Como o senhor gosta de guerra, não?!". Fiquei ligeiramente desconcertado com a visível censura e até desprezo contidos na observação do rapaz. Entretanto respondi: "São filmes épicos, epopeias... não são simples filmes de guerra." 
Minha resposta calou o rapaz mas não desmontou o seu equivocado desprezo, eu percebi pela sua expressão fisionômica. Dei-me conta então da verdade sobre o tal analfabetismo funcional, ou pelo menos da incultura dos jovens-recém saídos das Universidades. O rapaz era um jovem promotor e não poderia fazer uma tal observação enquanto eu assistia uma bela versão da guerra de Troia, embora hollywoodiana. No meu entender o mínimo que um advogado ou promotor deveria ler, continua sendo a Ilíada de Homero. Talvez eu deva reconhecer que meu estilo de vida, voltado inteiramente para a minha arte e memórias literárias, pode ter me afastado da realidade atual. Mas não! Por que então continuariam fazendo blockbusters com tão belas estórias épicas? A ignorância por mais disseminada que esteja, é sempre uma questão individual.
Mas... quanto ao senso de realidade, devo dizer que precisei alguns anos para me dar conta de que embora não houvesse mais ninguém na sala e os outros hóspedes estivessem todos dormindo, o rapaz deveria estar querendo ver o Jornal Nacional e eu estava egoisticamente ocupando o televisor...
(Das memórias de Guilherme de Faria)

Alguns pensamentos que me ocorreram ...


1. Eu admiro os antigos piratas porque eles não pensavam em se aposentar nem quando perdiam uma perna ou a mão direita. rrrrss
2. O politico, assim como o próprio governo, é o exemplo máximo do mal necessário.
3.Todas as mulheres deveriam ser lindas para um tipo de gosto universal. Isso pouparia muito sofrimento para ambos os sexos.
4. A vida atual do homem comum nas grandes cidades é profundamente mesquinha e fútil. Uma forma diminuída de vida, mesmo com os confortos e facilidades modernos. Eu gostaria que tivéssemos a nossa tecnologia mas com a mentalidade cavalheiresca e romântica do século XVIII, desde que sem aqueles patíbulos, masmorras, torturas e guilhotinas...
5. Meditar sobre a vida com clareza e sem ilusões nos faz perceber como a vida moderna é absurda. Por isso é melhor não meditar muito, é melhor ser meramente contemplativo do que ainda é belo.
6. Eu só consigo concordar comigo mesmo quando escrevo poesia ou quando pinto. Aí observo alguma coerência e até lucidez. Fora da Arte vejo a vida com desgosto. Ou me sinto francamente fracassado.

(Guilherme de Faria)
A linguagem humana, escrita ou falada não passa de um código: exige interpretação de quem ouve ou lê. Em outras palavras, exige "decodificação", sempre. Por isso o ser humano vive ainda em Babilônia, por isso existem as guerras, as polêmicas e as "ideologias" em combate perpétuo. Não tenho a possibilidade de saber se estou sendo realmente entendido no que digo ou escrevo para outro ser humano. Falando, escrevendo e até pintando tenho apenas a vaga esperança, aquela mesma que fazia o babilônio empilhar pedras para atingir o Céu... 
(das Memórias de Guilherme de Faria)
Quanto à minha fase litográfica, devo dizer que fiz exatamente 864 imagens diferentes, todas criadas e desenhadas diretamente por mim sobre pedras da Bavária, e uma vez provadas em preto branco e depois em cores pelo operário impressor, o Tião, eram aprovadas por mim e depois de assinado por mim o BPI (Bom Para Imprimir) começava o trabalho de impressão da tiragem estabelecida pelo meu Editor, o Elsio Motta, da Glatt-Ymagos, que era também o distribuidor e vendedor, nacional e internacional. Como a média de tiragem das minha litos ao longo de 20 anos (de 1974 a 1995) era de 150 exemplares por imagem, devo ter assinado ao longo dessa fase de sucesso que cobriu duas décadas, cerca de 129.600 exemplares de litos que se esgotaram, foram todas vendidas, estão aí pelo mundo.
(Guilherme de Faria)
Nota
Sei com precisão o número de imagens originais que fiz na pedra, porque a Gráfica Ymagos conserva a PBI assinada pelo artista e o REGISTRO numerado de cada imagem acompanhado de pequena foto, de todos os artistas por ela editada (!!!) Isso é uma norma internacional das grandes Editoras Litográficas no mundo todo.
A maioria das mulheres, mesmo quando idosas, parecem se ver como ninfetas lindas quando se olham no espelho. Vejo isso com ternura, pois percebe-se que elas refletem-se de dentro. Quanto a mim, como homem, quando me olho ao espelho vejo um ancião de cabelos e barba brancos ainda mais velho. Mas isso, suponho, se deve não ao homem mas ao artista em mim. Ser artista, ao contrário do que as pessoas pensam, é ter um exacerbado senso de realidade.
(das Memórias de Guilherme de Faria)
Deus nos deu a Arte e a Poesia e até as belas mulheres como musas. Cabe a nós aproveitar essas dádivas divinas e fazer bom uso delas. Não as vulgarizemos jamais. Deus não gosta de vulgaridades nem deboches. O humor? Sim, Ele gosta, mas isso é outra coisa. Sem vulgaridade o humor é também arte. 
(Guilherme de Faria)
Quando criança, minha mãe, aristocrática por natureza, me aconselhou: "Evite acotovelamentos". Assim, com certo humor ela me avertia a não me misturar ao homem-massa. Como pude entender isso tão precocemente? Isso poderia fazer de mim um medroso, mas me fez um individualista, um solitário e um artista. 
(das Memórias de Guilherme de Faria)
A suposta existência de Aliens ou ETs sempre me fascinou. Gostaria que existissem mesmo, e que chegando com tecnologia superior fossem bem hostis para unir os homens e as nações contra um inimigo comum. Sim, porque não vejo outra alternativa, muito menos com o tal globalismo, que é baseado num ideia de esquerda, portanto destinada ao fracasso. Entretanto devo reconhecer que meu fascínio pelo tema dos alienígenas pode advir não de um certo idealismo mas de uma simples morbidez, a mesma que faz a gente gostar de filmes e contos de terror, de preferência góticos. Eu, por exemplo, adoro os contos do Edgar Allan Poe, bem como os H.G. Wells e Hoffmann. Ah! E "O Horla" de Guy de Maupassant. 
(das Memórias de Guilherme de Faria)
Um amigo me disse: "Fiz tanta bobagem na juventude, que cada contemporâneo meu que morre é uma testemunha a menos e um alívio." Eu ri muito mas depois fiquei triste, pensando nas minhas próprias bobagens... 
(das Memórias de Guilherme de Faria)
Quando eu era jovem, em 1969 fui até Basel (Suiça) para encontrar uma namorada (filha de pai suíço) com quem pretendia viver na Europa. Ela era linda, mas não deu certo por culpa de uma depressão que me assaltava naquele período e se agravou com o início do inverno, triste, cheio do crocitar de corvos daquela cidade sem horizontes nem montanhas. Voltei correndo e nem vi Paris que estava a duas horas de trem dali. Nunca fui um bom viajante. Lembro-me que de Basel só gostei do seu famoso Museu com as obras do grande Hans Holbein, filho daquela cidade. Mas ainda em Basel, olhando uma catedral gótica de perto achei as pedras muito limpas e "neutras". Não encontrei a pátina do tempo que eu imaginava. Na minha alma a Europa é cheia de episódios e aventuras das minhas memórias livrescas. Na minha mente os sinos da catedral de Notre Dame de Paris ainda são cavalgados pelo corcunda, e em baixo da praça, num subterrâneo, ainda existe o Pátio dos Milagres, onde os mendigos farreiam, os cegos veem, e os paralíticos correm entre as ciganas e prostitutas, sobre as mesas repletas de canecos de vinho, às gargalhadas...
(das Memórias de Guilherme de Faria)
Uma das maiores e mais persistentes mágoas da poetisa Alma Welt foi não ter tido filhos. Pior: ela teve um mas perdeu com poucos dias. Ao entrevistá-la toquei no assunto e o semblante daquela mulher linda se nublou, ela oscilou como numa vertigem e baixando a cabeça soluçou dolorosamente. Eu me apaixonei imediatamente por ela, eu a abracei e a apertei contra o meu peito e sonhei por um momento em dar-lhe um filho e devolver-lhe a felicidade... Mas ela então se desvaneceu e... eu abraçava o vazio. Ela vinha de dentro de mim, era meu maior heterônimo, eu podia dar-lhe vida em letras e palavras, até mesmo em pinturas, desenhos e gravuras, mas não podia corporificá-la em carne e osso como um Pigmalião à sua Galatea...
(das Memórias de Guilherme de Faria)


Comentários
  • nline agora

reencarnacionistas pretendem saber explicar. A maioria de nós tem de aprender a viver a duras penas, por tentativa e erro. Alguns precoces brilham para sempre, como Mozart, Rafael, Rimbaud... mas morrem cedo. Quanto a mim, fui precoce no desenho e até na poesia, mas perto do abismo redirecionei meu "karma" (por assim dizer) recusando a luminosa maldição dos trágicos e escolhendo uma vida mais longa e fecunda. Alguém poderia simplesmente me acusar de covardia... sim, aqueles cujos "heróis morreram de overdose". Entretanto vivi os melhores anos da minha vida quando afinal me rendi à sobriedade. Os mais produtivos, sem dúvida...(das Memórias de Guilherme de Faria)

O mais difícil na tarefa gigantesca de reformar o Brasil depois de sua destruição quase completa pelos comunistas/petistas vai ser o redirecionamento do sistema de educação, banindo o miserável método sócio-construtivista de alfabetização do comunista Paulo Freire, que criou no mínimo duas gerações de analfabetos funcionais idiotizados para sempre. A propósito, fiquei horripilado quando, zapeando a TV a cabo, passei por um show do travesti Pablo Vittar que, grotesco como uma Drag Queen, esganiçado e desafinado gritava palavras desconexas, correndo de um lado pro outro sobre o palco juntamente com dançarinos tatuados mais grotescos ainda, liderando uma massa de dezenas de milhares de jovens de todas as classes sociais que gritavam e "cantavam" fanatizados, estendendo os braços e as mãos em idolatria como para tocar o "ídolo", fruto exponencial da "ideologia de gênero".
Percebi, então, que vai ser muito difícil reformar o país, porque o seu futuro está totalmente comprometido por uma geração intelectualmente destruída pela imbecilização deliberada e planejada pela esquerda criminosa.
(Guilherme de Faria)
(Mais um trecho das minhas "Memórias")
Uma coisa é certa: cabe a cada um descobrir o sentido da vida, quer dizer... de sua própria vida. Para muitos isso é uma procura de uma vida inteira, para poucos um estalo quase ao nascer. Nesse sentido fui um privilegiado: descobri ainda criança que queria ser um artista, desenhista e pintor também escritor, ao ler, da biblioteca caseira de meus pais cultos, precocemente, a biografia romanceada dos grandes artistas da Renascença Italiana. Eu me identifiquei imediatamente com eles, me parecia conhecê-los profundamente em mim mesmo... Absurdo? Assim era. A primeira biografia que me apaixonou foi a Vida de Michelangelo, de Romain Rolland, que começava assim: "Era um burguês florentino...". Em seguida, O Romance de Leonardo Da Vinci, de Dimitri Merejkowsky, histórias de vidas com as quais misteriosamente tive uma identificação profunda, me perdoem a talvez ridícula pretensão do meu inconsciente, se posso dizer assim... Depois, claro, fui ler a vida dos "modernos" , isto é, dos impressionistas e pós-impressionistas da Ècole de Paris.
Portanto cresci com essa obsessão, e nunca me ocorreu outra "profissão" e muito menos procurar um emprego. Resultado, no inicio da minha carreira, tendo saído de casa brigado com minha mãe, que queria me proteger da vida e do mundo (ela me ameaçava com o exemplo trágico de Van Gogh, que ela generalizava), fui morar num porão infecto num cortiço atrás do Cemitério da Consolação, meu primeiro ateliê onde vivi uma espécie de "vie de bohème" num Bateau Lavoir ou num Quartier Latin tupiniquim. Resumo: os meus primeiros quinze anos de carreira artística foram divididos assim: cinco anos de miséria negra e dez anos de pobreza extrema, regados a álcool, sexo, angústias e música clássica (!!) Depois, gradativamente uma subida para uma relativa prosperidade "bourgeoise" que durou outros quinze anos apenas, para depois mergulhar lentamente numa digna e prestigiosa pobreza, cercado de centenas de meus quadros, na minha gaiola dourada da rua Oscar Freire onde envelheço neste quase quitinete "que é a parte que me coube neste latifúndio"...
(das Memórias de Guilherme de Faria)
É fácil entender porque os comunistas/petistas defendem não só os grandes mas também os pequenos ladrões, aqueles que matam por um celular. É porque todo ladrão é um comunista em essência, sem o saber, porque não trabalha e quer tomar o que é dos outros. Por isso os marxistas, num primeiro momento tentaram aliciar o "lumpemproletariat" como ponta de lança na sua maldita revolução...
(Guilherme de Faria)
O que é um pintor (coisa que hoje em dia chamam ridiculamente de "artista plástico")? A meu ver é um sujeito que, não se conformando com a vida como ela é, resolve não mudá-la por saber tarefa impossível, mas construir seu próprio mundo visual e mental. Quando consegue seu intento, passando ou não por muitas fases, que são mudanças de ideia, correções de rumo, 
se vê cercado por seus poderosos espelhos mentais que lhe dão a secreta satisfação de um Deus em pausa de descanso. Garanto-lhes: não pode haver satisfação maior que ver-se projetado e aprovar-se, sem mais arrependimentos, com orgulho, quando isso é possível... 
(Guilherme de Faria)
(Mais um trecho das minhas Memórias...)
Quando criança eu assistia nas matinês seriados americanos de Flash Gordon, ou westerns em preto e branco; mais tarde um pouco, musicais de fantásticos sapateados de Ginger Rogers e Fred Astaire, e Gene Kelly. Eu via também, claro, nos domingos, filmes de Mazzaropi e as comédias da Atlântida, de Oscarito, Grande Otelo, Eliana e Cyl Farney, que devo confessar que me divertiam igualmente. Entretanto a inevitável comparação da sociedade americana vislumbrada naqueles filmes, com a nossa, me produzia uma espécie de secreta vergonha e humilhação pelo nosso evidente provincianismo e "jequice". Na verdade essas palavras não me vinham ao subconsciente, muito menos a palavra subdesenvolvimento. Era tão somente uma vergonha difusa, um vago desgosto estranhamente misturado com a ternura e nostalgia de algo mais primitivo, ingênuo e longínquo que me tocava e comovia quando eu ouvia coisas como a canção "Casinha Pequenina" (Tu não te lembras... ) cantada pela nossa soprano Bidu Sayão, ou a Cantilena da bachiana n°5 de Villa-Lobos.
Entretanto predominou o desgosto, já que em casa eu me entupia dos clássicos da literatura européia da biblioteca dos meus pais. Minha infância, pois, sendo um ratinho de biblioteca, foi atípica e me tornou um solitário, pois para o próprio desenho e pintura de minha vocação inata eu só tinha modelos europeus, claro. Sobretudo os divinos renascentistas italianos, e como ilustradores, os oitocentistas Gustave Doré e Wilhelm Busch.
Resumindo: sempre me senti deslocado, um exilado em minha própria terra, uma mente européia num coração brasileiro, portanto num peculiar desconforto que só cessa quando estou diante do cavalete, terra de ninguém...
(das Memórias de Guilherme de Faria)
Sei que toda generalização é injusta, mas tenho uma enorme tendência a considerar o Brasil um país profundamente infeliz por nossos próprios defeitos de caráter...
Guilherme de Faria