Se alguém me perguntasse qual é o meu segredo (ninguém nunca me pergunta nada) eu diria: "Pinto e escrevo sempre para mim mesmo, coisas que eu gostaria de ver e ler."
Sei que isso não é uma novidade, todo artista faz exatamente isso. Mas quando surge de mim algo que eu realmente gosto, sinto que aconteceu um pequeno milagre. E mesmo depois de tantos anos fico invariavelmente deslumbrado... e grato.
(Guilherme de Faria)
Uma das maiores e mais persistentes mágoas da poetisa Alma Welt foi não ter tido filhos. Pior: ela teve um mas perdeu com poucos dias. Ao entrevistá-la toquei no assunto e o semblante daquela mulher linda se nublou, ela oscilou como numa vertigem e baixando a cabeça soluçou dolorosamente. Eu me apaixonei imediatamente por ela, eu a abracei e a apertei contra o meu peito e sonhei por um momento em dar-lhe um filho e devolver-lhe a felicidade... Mas ela então se desvaneceu e... eu abraçava o vazio. Ela vinha de dentro de mim, era meu maior heterônimo, eu podia dar-lhe vida em letras e palavras, até mesmo em pinturas, desenhos e gravuras, mas não podia corporificá-la em carne e osso como um Pigmalião à sua Galatea...
(das Memórias de Guilherme de Faria)
(das Memórias de Guilherme de Faria)