Pequena Fábula Mortal
(criada e escrita por Guilherme de Faria)
Após a Guerra dos Cem Anos, dois amigos viajantes pelo leste Europeu, com um seu guia da região penetraram nos domínios de um antigo Condado sobre o qual pairava uma lenda obscura, controversa e sinistra. Os amigos depois de atravessarem uma densa floresta depararam com uma terra fértil mas deserta, vazia, sem camponeses e habitada somente por animais selvagens que fugiam à sua passagem.
Os amigos emudecidos, temerosos, logo estavam andando sobre as ruas e vielas de uma aldeia totalmente vazia, desabitada, onde o mato e as ervas más cresciam por toda parte. Estarrecidos, ao ver que não havia uma viva alma, perguntaram afinal ao seu guia o que significava aquilo, se aquilo era fruto da Guerra...E o guia respondeu:
-Não, rapazes... A coisa é mais estranha... Reza a lenda que aqui chegou finalmente ao poder um Conde inovador e cheio de ideias sobre legislação, relações humanas e até sobre liberdades. A primeira lei humana consagrada que resolveu abolir foi a proibição de matar. Estabeleceu que qualquer pessoa poderia matar seu semelhante desde que tivesse uma razão para isso. O bom conde confiava que um benévolo senso comum prevaleceria entre as criaturas herdeiras da Razão doada a nós pelo Verbo de Deus...
-E o que aconteceu? (perguntaram em uníssono os dois rapazes).
-Ah! (respondeu o guia) - Consta que em menos de uma década, toda a população do Condado estava morta. Os condados vizinhos espalharam a notícia de que uma peste dizimara essa população e isolaram a região proibindo os viajantes e curiosos por outras tantas décadas. Logo a floresta cercou a Aldeia maldita... Mas a verdadeira razão dessa extinção em massa só quem sabe é o único sobrevivente do Condado Maldito, que por acaso se mudou para a minha aldeia.
-E onde está ele? Podemos conhecê-lo? Leve-nos até ele!
-Ah!... (finalizou o guia). Infelizmente poucos dias após sua chegada ele foi encontrado morto no seu quarto da estalagem, enforcado na trave do teto. Matou-se... tirou sua própria vida. Jamais saberemos...
FIM
09/05/2018
quinta-feira, 9 de maio de 2019
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