Vindo de uma família de classe média culta empobrecida, eu sempre fui pobre sem me deixar seduzir pelo comunismo como a maioria dos artistas da minha geração. Isso porque não sou invejoso da fortuna alheia. Quando jovem eu tive a secreta e tola esperança de ficar rico com minha arte (que fazia sucesso) sim, como todos os artistas têm, mas não fui capaz de fazer as necessárias concessões para isso. Na verdade, eu não tinha a veia comercial, e deixei que outros comercializassem minhas obras, eu ficando com a menor parte. Eu me deixei explorar alegremente, lisonjeado de que meu trabalho vendesse, e tão precocemente entrasse no "mercado", ainda que na mão dos outros e não na minha. Ingenuidade? Eu pensava que isso era uma boa estratégia de longo prazo... Mas isto aqui é Brasil, então já viram, né? Fiquei famoso e continuei pobre, coisa que só acontece neste país. Mas eu tenho um trunfo: apaixonei-me de tal forma pela minha arte, que fui descartando todos os outros desejos e veleidades. Não desejo mais nada material a não ser o pão nosso de cada dia, um bom chuveiro elétrico, e um bom provedor de Internet...
(Guilherme de Faria)
terça-feira, 6 de junho de 2017
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