
(Embora eu tenha reservado este Blog para a minha prosa, pretendo colocar aqui também meus poemas que não pertençam à vertente dos cordéis, para os quais abri um espaço especifico, em outro blog).
05/02/2007
“Esta pavana é para uma defunta
infanta bem amada ungida e santa” (Jorge de Lima)
Alma está morta, o sol não brilha, a poesia adormeceu ou agoniza...
Ela era o o Sul e o Norte, e não mais vê-la
é como ter acompanhado o seu féretro na noite
até a urna de cristal em que agora hiberna a sua alma
esperando o prometido retorno.
Alma está morta e as flores do seu jardim fenecem e caem ao solo onde pássaros jazem inertes sem mais vôo e voz.
Eu a vi primeiro na grande noite da cidade, ela a princesa do sul, rainha de um pampa para mim desconhecido, egressa do vinhedo dos avós, inusitado nas amplas pradarias fronteiriças, eu, estrangeiro em meu bairro, paulistano empedernido e solitário viajante da vida, que credenciais, que méritos teria para encontrar esse tesouro de pura poesia, beldade entre as mais belas, poema de terrível feminilidade
arquetípica e voraz?
Alma vive, Alma não morre, ela domina meu ser com sua memória, com sua poesia doce e a um tempo corrosiva, pela sedução e verdade de sua nudez incontestável e pura,
pela sua voz de mavioso cometa pampiano, que atravessando o meu espaço... me terá cativo e encantado para sempre.
Alma Welt está morta. Viva a Alma!
22/01/07
Um comentário:
Belíssimo poema para uma belíssima poeta gaúcha que tenho o prazer de ler e reler. Guilherme com sua sensibilidade aflorada escreveu justa homenagem à nossa vate gaúcha.
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