sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Para quem ainda tinha dúvidas (por Guilherme de Faria)


17/12/2006

Para quem ainda tinha dúvidas... ( artigo sobre os últimos sonetos de Alma Welt )

A série de sonetos que a poetisa Alma Welt vem publicando nos últimos dias na sua página aqui no Recanto, deve ser suficiente para confirmá-la aos olhos de qualquer leitor informado, criterioso e sensível à poesia e à beleza, como realmente a última grande lírica do século XX, e agora do começo do XXI, tal como a apresentei ao público no prefácio e orelha de seu livro Contos da Alma, lançado em 2005.

A gaúcha Alma parece estar vivendo uma verdadeira erupção, ou surto de criatividade e inspiração. Ela está dedicando os sonetos aos seus leitores mais entusiastas entre os colegas poetas aqui do Recanto (ela compõe e publica às vezes cerca de uma dezena de sonetos por dia!). E a cada novo poema ela se excede em beleza e excelência. Trata-se de um fenômeno. A guria já está beirando o milésimo soneto de sua carreira, pelos meus cálculos, já que eu mesmo publiquei 50 dos seus ciclos de sonetos, na forma de folhetos pelas minhas Edições do Pavão Misterioso.

Os sonetos de Alma Welt, que já apresentavam, na forma de ciclos (conjuntos ou séries) a curiosidade de (se lidos na seqüência correta) narrarem estórias reais de suas vivências amorosas ou de seu cotidiano de pintora, amorosa e poetisa lírica, agora assim avulsos podem ser melhor apreciados, na sua gloriosa síntese de autonomia. E damo-nos conta de que são, quase sempre alexandrinos ou dodecassílabos perfeitos, com primorosas chaves de ouro!

Agora, um tanto raro como gênero na sua produção, vejam este, que contém uma inquietação metafísica "eivada" (como ela diz) de paradoxos e antíteses:

Doces manhãs da minha juventude (de Alma Welt)

Doces manhãs da minha juventude,
Que são pra mim agora e já lembradas!
Como poeta carrego a infinitude
Do finito e das horas não passadas...

Tenho uma constante nostalgia
Que acompanha o meu senso de beleza,
A alegria do minuto que partia
E a saudade da próxima surpresa.

Tenho uma dor eivada de prazer
E a sensação de me esvair
Nos espinhos e nas farpas do viver

Um martírio prazeroso em carne viva
Como a alma nua a dividir
O corpo dúbio e enganoso de uma diva...


Onde esta jovem vai buscar tanta inspiração? E tanta facilidade! Uma senhora poetisa, veterana, surpresa ao saber que Alma tem apenas trinta e quatro anos, durante um lançamento de livro numa pizzaria me disse que Alma tinha uma “alma velha’, isto é, antiga, ou muito vivida, talvez de muitas encarnações, que lhe conferem essa profundidade de pensamento e esse ar clássico de poetisa lusa que maneja um português castiço, embora isso seja, até certo ponto, comum entre os nossos conterrâneos do sul. Por divertimento experimentei ler em voz alta seus sonetos com um “sotaque luso”, como ela sugeriu numa dedicatória a um seu colega lá de Portugal e daqui do Recanto. E ficou estupendo! Agora acho que deveriam ser lidos sempre assim. Revelaram o seu tom ou parentesco camoniano, ou de uma Florbela nossa, mais contemporânea, embora com a ligeira dose de exotismo ou de regionalismo peculiares ao seus sonetos “pampianos”, como ela os designa. A propósito uma das coisas mais comoventes nesses sonetos é a fidelidade da autora à beleza de sua terra, o Pampa, e a evocação de suas paisagens, por si só encantadoras, nesses versos.(Cante sua província, seu bairro ou sua casa, mas com paixão e acuidade, e serás universal...)

Sugiro pois aos poucos e seletos leitores aqui deste cordelista, que vão em excursão, procurar essa jovem diva das letras brasileiras que surgiu a tão pouco tempo, lá nas suas páginas, conferir o que já está correndo no mundo literário dos escritores e leitores da Internet. Eu cá fico cada vez mais cheio de orgulho de ter sido o descobridor do furacão “La Welt”, quando a encontrei como jovem pintora contemporânea, um tanto isolada aqui nos Jardins de São Paulo e fiquei ofuscado pela sua beleza física, que confesso, muito a princípio quase desvirtuou meus critérios e intenções. Mas Deus já me perdoou...

Nenhum comentário: