"Em 1965, estando eu morando num ateliê na rua Oscar Freire (não o meu atual) e já bastante conhecido no circuito jovem de artes plásticas de São Paulo, fui contactado por um estranho padre psicólogo que estava interessado em fazer experiências de acompanhamento do LSD em artistas, principalmente pintores. Consta que aquele padre foi o introdutor do LSD no Brasil com intenções de pesquisa científicas e espirituais. Vários artistas, como o Wesley Duke Lee e o Mario Gruber se submeteram como pioneiros (ou cobaias) a esses testes acompanhados e registrados cientificamente, enquanto pintavam e conversavam sob efeito da droga. Como prova de seriedade, o tal padre (não me lembro do seu nome) me recomendou que primeiro eu fizesse um "Teste de Roscharch", para saber se eu poderia, sem risco, me submeter à experiência tão cantada em prosa e verso pelo movimento Hippie internacional, cujas bíblias eram os livros "As Portas da Percepção", do inglês Aldous Huxley e "A Erva do Diabo", do peruano Carlos Castaneda. Procurei então um certo Instituto de Psiquiatria que fazia o tal teste de Roscharch, e o fiz com certo prazer, já que consistia simplesmente em interpretar uma sequência de manchas simétricas de tinta, catalogadas, conforme me pareciam à primeira vista. Esperei uns dias para receber o resultado do teste, que apresentou a conclusão de que eu possuía "traços esquizoides de personalidade" (na verdade comuns aos artistas) e que portanto era desaconselhado experiências com drogas alucinógenas. Em resumo, eu poderia entrar numa "bad trip" sem retorno. Eu suspirei aliviado, porque eu estava tanto morrendo de medo quanto de curiosidade. Agradeci mais uma vez ao meu imenso anjo da guarda, que haveria ainda de me salvar de outros tantos perigos e desgraças ao longo da minha vida..." (das Memórias de Guilherme de Faria)
segunda-feira, 23 de maio de 2016
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