domingo, 22 de maio de 2016
Memórias da primeira musa
"Quando menino, a partir dos meus onze anos, eu amava romanticamente uma menina da vizinhança, de uma beleza e graça dominantes, que faziam sombra a todas as outras meninas do meu quarteirão. Nunca pude beijá-la e sofria as agonias do amor recalcado, impossível de expressar naquela idade, como um pequeno Werther à beira do suicídio. Entretanto, num bailinho de seu aniversário em sua grande casa, dançando emocionado com ela, com meu rosto muito junto ao seu, senti o maravilhoso cheiro de sua pele. Ainda hoje, aos 73 anos, depois de tantos cigarros dos 14 aos 38 anos, e de problemas respiratórios resultantes, que às custas de muitos soros descongestionantes destruíram completamente meu olfato, sobrou miraculosamente em minha memória olfativa permanente e recorrente, aquele perfume, o de sua pele maravilhosa de pequena musa do reino eternizado de meu quarteirão infantil..." (das Memórias de Guilherme de Faria)
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