Sou muito grato ao facebook e portanto àquele jovem nerd americano ruivo de nome Zuckerberg. Ele me permitiu visibilidade como artista na maturidade, pra não dizer velhice. Eu, que mergulhava lentamente na obscuridade dado meu horror à vulgaridade e ao equívoco, adquiri pela Internet uma sobrevida inusitada, um palco para as minhas ilusões e um pequeno público fiel. Que mais preciso? Posso me exibir à vontade, embora sob os protestos privados da minha cara metade, uma linda lady mineira avessa a toda essa minha exposição íntima, ela, para quem, graciosamente, as paredes têm ouvidos... Mas... pode alguém perguntar-me, não estamos todos nos expondo nesta era de almoços e jantares fotografados e de selfies alucinados? Não somos todos atores e famosos, finalmente, e não mais por apenas quinze minutos? Sim, graças ao Mark todos temos direito de sapatear digitalmente como Fred Astaire, girando a bengalinha e tirando a cartola, de onde não saem coelhos mas gatinhos em profusão. Ninguém nos segura mais... e logo a rede Globo estará completamente obsoleta! (Guilherme de Faria)
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
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