quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
Síndrome de Van Gogh
Na infância e adolescência meu mal estar existencial e psicológico era imenso. Não ser ainda algo pronto, definido, era insuportável, me fazia sentir-me afogando, um peixe fora d'água, um permanente estranho no ninho de mim mesmo, duplamente inadequado e tosco por ser também um artista em formação. Custo a crer que sobrevivi à minha própria infância e adolescência, limbos de solidão, insegurança e um permanente sentimento de humilhação devido talvez a um defeito de nascença: um orgulho despropositado e desmedido. Não, amigos, não queiram que seus filhos sejam artistas! No meu tempo, na classe média, tal coisa era até uma espécie de maldição, no mínimo um aleijão de nascença, temor secreto dos pais que viam o fenômeno de um artista pintor na família como a desgraça de uma "Síndrome de Van Gogh", um destino de miséria e suicídio. Exagero? Não, amigos, nada menos que isso. Bem... havia a glória de um Portinari e de um Brecheret, mas, ah! eram casos à parte, exceções à regra, não poderiam se repetir... ( das Memórias de Guilherme de Faria)
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário