"A vida de cada pessoa no mundo é única e inimitável ou existe o "homem massa", também chamado "o homem-formiga", sem originalidade alguma, forjado pela propaganda, pelas modas ou pelos costumes? Uma vez, uma senhora distinta, de classe média, trabalhando por circunstância na loja de molduras de uma amiga, conversando comigo no balcão, disse: "Guilherme, não existe duas pessoas iguais no mundo. Nunca recebi um cliente igual a outro, nos gostos, ou nas opiniões. Nunca uma personalidade igual a outra, é impressionante o comércio... ". Eu fiquei perplexo pois acreditava que, justamente no comércio, no mundo do consumo, tudo era padronizado. Tendo crescido num bairro de classe média eu sempre me chocara, na infância, com o estereótipo vulgar da molecada com quem eu tinha que brincar, na rua e no colégio. Todos falavam e faziam as mesmas coisas banais. Entretanto aquela senhora, também comum, estava me fazendo ver um outro aspecto da questão, também verdadeira: a duplicidade humana. Somos únicos e comuns, iguais e diferenciados, nobres e plebeus... tudo ao mesmo tempo. Eis o mistério do humano."
(das Memórias de Guilherme de Faria)
sexta-feira, 27 de janeiro de 2017
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