quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
Entrando no Mercado
Quando jovem, já artista "profissional" vendendo alguma coisa raramente, a duras penas, e vivendo praticamente na miséria, eu vivia angustiado, ansiando por reconhecimento, num constante sentimento de humilhação. Mas o que me faltava em sabedoria e paciência, me sobrava em obstinação. Eu tinha uma quase absurda certeza do meu talento, pelo menos para o desenho, certeza essa corroborada pela admiração imediata que meus desenhos causavam em absolutamente todos que os viam. Mas custei a descobrir como aquilo poderia se traduzir em vendas e dinheiro, já que admiração é gratuita, nada custa a quem a tem. Então, assistindo leilões de Arte e observando atentamente o que acontecia ali, descobri o segredo: Em matéria de arte, só vende aquilo que está na mão dos ricos. Eu era pobre, portanto nas minhas mãos meus desenhos não tinham valor monetário. Logo eu precisava passar os meus desenhos, num grande lote inicial, para as mãos de um deles, nem que fosse de graça, através de uma artimanha. Eu tinha vinte e hum anos e foi o que fiz, com astúcia inesperada, contra toda lógica imediatista. Em breve contarei aqui como fiz isso e entrei precocemente no Mercado de Arte paulistano... (das Memórias de Guilherme de Faria)
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