quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
Antiga Musa
"Quando muito jovem, já casado pela segunda vez, eu tive um intenso período de boemia, festas, bebedeiras, ao mesmo tempo que muitas leituras e consumo de música, teatro, e cinema. Então, um casal sofisticado, viajado, visitando meu ateliê no centro da cidade, a moça (bela e distinta) me disse: "Guilherme, você perde muito tempo com outras coisas que não a sua arte. Com o seu talento você deveria pintar dia e noite sem parar. Foi o que fizeram os que se tornaram grandes. Pense nisso." Eu fiquei confuso, um pouco envergonhado e retruquei: "Eu preciso me abastecer, consumindo muita arte, livros e experiências... " Mas a moça reafirmou: "Não. A arte está dentro de você, não vem de fora." Fiquei perplexo, pensativo, e vi que ela tinha razão. Um sentimento de dever ou responsabilidade se acrescentou em mim, que me obrigou a trabalhar, contra o meu consumismo artístico, minha inércia, minha preguiça e meu hedonismo. Sou grato até hoje àquela figura, devia ser um anjo. Ou uma antiga Musa... "(das Memórias de Guilherme de Faria)
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