"Hoje reencontrei meu filho Tamayo depois de uma ruptura de quatro anos e meio. Ele recordou algo de sua infância, que eu quase não me lembrava mais. Quando Tamayo (hoje com 44 anos, ator de teatro) tinha uns cinco ou seis anos, levei-o para assistir comigo o "Jesus de Nazaré", de Franco Zefirelli, belíssimo filme com um dos mais belos Cristos do cinema de todos os tempos. Não sei o que ele entendeu do filme, mas à saída ele virou-se para mim e perguntou, com aquela candura irresistível das crianças: "Pai, Jesus era mágico?" Eu fiquei surpreso, hesitei um pouco, pensei e respondi: "Não Tamayo, Jesus era poderoso..." Mas", - ele insistiu - "ele não era mágico?" "Não, Tamayo - tornei a responder- ele era poderoso." "Mas, pai, Jesus não era capaz de tirar um coelho da cartola?" Até aí eu me lembrava, mas então Tamayo me perguntou, agora: "E você se lembra, pai, o que você então me respondeu?" " Não - eu disse fazendo um esforço - Não me lembro, Tamayo." Ele então disse: "Pai eu nunca mais esqueci... você disse:
"Filho, todos os coelhos que existem saíram da cartola de Jesus Cristo."
Ficamos emocionados, os dois, depois de tantos anos, de tantos desencontros. E eu pensei: "Afinal não devo ter sido um mau pai, apesar de tudo... se fui capaz de responder algo, assim, que uma criança nunca mais esqueceu... (das Memórias de Guilherme de Faria)
Um comentário:
Caríssimo Guilherme,
Fiquei contente em saber de sua reaproximação ao seu filho Tamayo...
Quanto ao tema da conversa prefiro não dar opinião,pois sabes muito bem que sou ateu, e Cristo para mim tem a importância política pois foi um revolucionário, queria uma sociedade sem classes, se tivesse vivido em nossa época é bem provável que tivesse sido assassinado nos porões do DoiCodi( como o foi Vlado) e não assassinado na cruz.
Grande abraço, muita saúde e muita arte!
Taglar Dudus
Postar um comentário