Quando eu era jovem, em 1969 fui até Basel (Suiça) para encontrar uma namorada (filha de pai suíço) com quem pretendia viver na Europa. Ela era linda, mas não deu certo por culpa de uma depressão que me assaltava naquele período e se agravou com o início do inverno, triste, cheio do crocitar de corvos daquela cidade sem horizontes nem montanhas. Voltei correndo e nem vi Paris que estava a duas horas de trem dali. Nunca fui um bom viajante. Lembro-me que de Basel só gostei do seu famoso Museu com as obras do grande Hans Holbein, filho daquela cidade. Mas ainda em Basel, olhando uma catedral gótica de perto achei as pedras muito limpas e "neutras". Não encontrei a pátina do tempo que eu imaginava. Na minha alma a Europa é cheia de episódios e aventuras das minhas memórias livrescas. Na minha mente os sinos da catedral de Notre Dame de Paris ainda são cavalgados pelo corcunda, e em baixo da praça, num subterrâneo, ainda existe o Pátio dos Milagres, onde os mendigos farreiam, os cegos veem, e os paralíticos correm entre as ciganas e prostitutas, sobre as mesas repletas de canecos de vinho, às gargalhadas...
(das Memórias de Guilherme de Faria)
terça-feira, 29 de janeiro de 2019
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