sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

"Uma vez, reencontrei o pintor Aguillar, velho amigo dos anos 60 e sabendo que ele é também escritor, além de pintor, perguntei-lhe se continuava escrevendo. Ele respondeu: "Não. Estou pintando muito, são registros incompatíveis, pertencentes a lados diferentes do cérebro. Quando um lado está muito ativado, o outro desliga."
Fiquei pensando sobre isso e vi que ele tinha razão. Quando estou numa fase intensa de pintura, a Alma Welt em mim se retrai e sou incapaz de dar à luz os seus sonetos, por exemplo. Neste ano de 2018, com a explosão da minha fase pictórica floral, a Alma Welt se retraiu bastante. Às vezes penso que ela, sendo Anima, luta comigo e gostaria de me possuir por inteiro. Ai do artista que se deixar dominar totalmente pela sua própria anima. Como "anima possuído" (no dizer de Jung) esse artista ficará belamente criativo, mas sofrerá forçosamente um rebaixamento do animus... e morrerá de fome, incapaz de vender o seu trabalho. "
(das Memórias de Guilherme de Faria)

Nenhum comentário: