Um certo teor poético contido nos meus quadros e nos meus desenhos e gravuras, e que foi notado pelos que os apreciam, deriva de uma permanente nostalgia de uma beleza sonhada, filtrada através da cultura, isto é, da Literatura, da própria Poesia, e das obras dos Museus. Entretanto minha obra não resultou num catálogo de citações e referências graças ao meu autodidatismo, que me permitiu uma certa personalidade resultante de um amálgama pessoal de influências da cultura ocidental e mesmo da cultura japonesa. Estou sendo muito pedante? Quisera ser mais simples, quisera mesmo ser um "primitivo de uma nova era" , como o Gauguin se julgava ser. Entretanto, a apreciação que minhas obras desfrutaram desde quando eu era muito jovem, me confirmaram o acerto do meu caminho apesar da desconfiança de uma certa crítica seduzida pelo hermetismo e inimiga do sucesso. Agora, depois de uma longa trajetória através de várias fases e de alguns erros, eu me reconcilio com minha obra com uma simples constatação: EU FIZ O QUE PUDE. E isto é a única fórmula da autenticidade, e portanto de qualquer arte verdadeira...
(Guilherme de Faria)
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