sábado, 26 de setembro de 2015

A aurora da minha vida (crônica de Guilherme de Faria)
A verdade é que sou um homem antigo (quem diria...) e como brasileiro urbano, paulistano, tenho uma nostalgia provinciana de casas de sapé desconhecidas, de pé de manacá, jacarandá, piruá... "da aurora da minha vida que os anos não trazem mais"... Ah! Matinês de domingo com os filmes do Mazaroppi e os da Atlândida com Oscarito, Grande Otelo, Cyl Farney, o vilão José Lewgoy e a mocinha, Eliana. E carrinho de rolemã descendo desabaladamente a ladeira pela calçada da rua transversal até sair pela tangente na esquina, nos ralando todos. Ah! Estilingue de forquilha de jaboticabeira e borracha de câmara de pneu; jogo de taco no meio da rua já asfaltada (um só automóvel a cada meia hora), bolinhas de gude tiradas de vidros giratórios de balas coloridas. compradas num armazém cheiroso de Secos e Molhados, de português, de caixas de madeira com os secos, com pequenas tabuletas do preço do kilo fincadas entre os grãos e umas conchas cônicas de alumínio, e mantas de bacalhau seco empilhadas na porta. Jogo de abafa de figurinhas de álbum de colar, acocorados na calçada... Ah! Almanaque anual do Mickey, e do Tico Tico, presentes preferidos no Natal, com o Reco Reco, Bolão e Azeitona (do Sá), e os almanaques da Vida Infantil e da Vida Juvenil, esta com as estórias do CB contra o vilão alemão ex-SS nazista Queixo de Ferro. Meu Deus! Nunca encontrei mais ninguém que parecesse lembrar disso tudo! Estou ficando velho, cheio de lembranças que nem eu parecia mais ter, nem ligar...

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