sábado, 26 de setembro de 2015

"Uma vez, quando eu já estava nos quarenta, fui visitar a minha mãe que tinha mudado de apartamento no mesmo prédio nos Jardins, por motivo de reforma. Toquei a campainha e me vi diante do mais absoluto terror, que transpirava através da porta. "Quem é? Quem é?"(com sotaque)... e gemidos, quase gritos de pânico, seguidos de ruido de trancas e correntes. Percebendo ter me enganado de apartamento, pedi desculpas e afastei-me. Depois, já no ap provisório de minha mãe, contei pra ela o meu descuido e percalço. Ela disse: " É um casal de velhos judeus, sobreviventes do Holocausto. Não recebem visitas nunca. Na certa pensaram ser a Gestapo que lhes batia novamente à porta. Reze por eles, meu filho, porque jamais houve sofrimento maior... " (das Memórias de Guilherme de Faria)

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