Neste sábado acordei tarde com um gato miando desesperadamente lá em baixo, na rua. Logo dei-me conta de que era um violinista e seu acompanhante, um baixo elétrico funéreo, e pensei em como a vida é triste e difícil de ganhar. Então lembrei-me de que quando criança de uns seis anos pedi aos meus pais um violino, que eu queria aprender a tocar, achava lindo e triste o Jacha Heifetz tocando as Árias Ciganas de Sarazate, que alternavam tristeza e euforia, num disco de ebonite que eu botava pra tocar tão repetidamente na vitrola, que chiava. Lembro-me então que meu pai, rindo, disse: "Melhor não, filho. Criança tocando violino é igual a gato miando. Ninguém aguenta. Você não disse também que quer ser pintor? Ah! Você sabe a estória do pintor português que numa exposição temática sobre os "Sentimentos" pintou um burrinho ao lado de uns sacos de cimento na porta de uma venda? Um crítico, surpreso, perguntou-lhe qual o título do quadro e o pintor respondeu: "BURRECIMENTO"... Então eu ri muito e nunca mais pensei em ser violinista. Preferi causar outros "burrecimentos"... (Guilherme de Faria)
sábado, 26 de setembro de 2015
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